Eneida Souza Cintra, de São Paulo/SP

Ao Idoso, minha deferência

Deferência não só pelo que foi, pelo que constatou, como pelo que é. Deferência pela construção histórica que lhe faz personagem. Deferência pelas vidas que semeou, pelas marcas que deixou, pela cultura absorvida e devolvida para aqueles que com eles conviveram. Deferência pela privilegio que apenas alguns têm de conviver com um idoso. Temos: verdadeiros arquivos vivos precisando ser resgatados e… desprezamos.

 

 

Temos: relatos vivos de episódios históricos vividos e …desconsideramos. Temos: uma sabedoria de vida querendo ser passada e …desvalorizamos. Constato que o desprezo pela experiência, que o desprezo pela história de cada um, (esquecendo-se de vê-los como fragmento extremamente importante para a construção da cultura), está sendo imprimido nos nossos valores morais. Valoriza-se: a ansiedade que, antes de levar ao stress, desperta um comportamento competitivo, extremamente ágil – aprovado pelo atual modus vivendi; o descartável porque vai rapidamente desocupar o lugar para outra conquista gerando alta rotatividade – aprovado pela política de consumo; o poder do mais forte, daquele que tem mais, daquele que ganha – aprovado pela sociedade capitalista. Isto posto enquanto crença pessoal, trabalho sobre a possibilidade deste indivíduo se colocar novamente na sociedade como forte colaborador. Opto por esta postura tendo em vista enxergá-la como mais saudável no lugar da tentativa inocente de fazer os mais jovens modificarem suas crenças. Primeiro há que se fazer presente; a valorização virá como conseqüência.

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