Em pauta, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde

Tempo de Leitura: 6 minutos

O evento é uma oportunidade histórica e privilegiada de demonstrar os benefícios das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde como um programa nacional e internacional de cuidado em prol de uma melhor qualidade de vida.


Eu tomei a segunda dose da vacina contra a Covid-19 no Centro de Referência em Homeopatia, Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas em Saúde (CRHMTPIS) na região da Vila Mariana/Bosque da Saúde (São Paulo). Foi uma grande descoberta encontrar um lugar especial num espaço urbano também especial. É SUS! Mas também me deparei com minha ignorância em relação a um serviço de saúde que é ofertado no país. Só assim para a gente conhecer o que o Brasil oferece. Espero que você, que lê esta matéria, tenha feito descobertas também.

Fui atrás de maiores informações e cheguei ao site da Secretaria de Saúde de São Paulo que fala que a meditação é uma das práticas tradicionais implantada na unidade em 2016. A atividade inicialmente era destinada para trabalhadores do SUS que mais tarde poderiam dar aulas para usuários em outros equipamentos. Atualmente, as aulas são realizadas todas as terças e quintas-feiras pela manhã, divididas em dois grupos com dois professores voluntários.

Ainda segundo informações do site, as pessoas atendidas em consulta de Homeopatia e ou em sessão de Acupuntura na unidade são aconselhadas a fazer uso da meditação para cuidar da parte emocional, da depressão, diminuir a ansiedade e trabalhar o autocuidado. Para usufruir desse serviço, os usuários devem ir à unidade com encaminhamento de outros médicos, que recomendam praticar exercícios físicos ou se integrarem a algum grupo de PICS.

Quis saber mais e encontrei no site do Ministério da Saúde uma página dedicada a esta temática. Nela consta que o Brasil é referência mundial na área de práticas integrativas e complementares na atenção básica. É uma modalidade que investe em prevenção e promoção à saúde com o objetivo de evitar que as pessoas fiquem doentes. Além disso, quando necessário, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) também podem ser usadas para aliviar sintomas e tratar pessoas que já estão com algum tipo de enfermidade.

Foi a partir dessa página que fiquei sabendo que no Brasil, o debate sobre as práticas integrativas e complementares começou há muito tempo, no final dos anos 70, após a declaração de Alma Ata. Mas essa prática só foi validada em meados dos anos 80 com a 8ª Conferência Nacional de Saúde. Surgia assim no país uma nova cultura de saúde que questionava o modelo até hoje hegemônico de ofertar cuidado, biomédico, que exclui outras formas de cuidado e autocuidado, considerando outros fatores determinantes e condicionantes da saúde, como o bem-estar físico, mental e social. Dos anos 80 para cá o movimento da saúde integrativa vem ganhando força no mundo inteiro, mais fortemente nos últimos 20 anos, inspirado pela Organização Mundial da Saúde, que o denomina Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI, OMS).

III CONGREPICS está com inscrições abertas

Graças a este movimento é que no próximo mês, de 2 a 7 de setembro de 2021, será realizado o III Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde – CONGREPICS, o II Encontro Sudeste de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (II ESPICS) e os XI Congresso Nacional & VIII Congresso Internacional de Terapia Comunitária Integrativa. O evento será totalmente online.

Há mais de 1 década, uma série de encontros e congressos, subsidiados pelo Ministério da Saúde, universidades brasileiras e instituições de ensino e pesquisa parceiras, tem reunido e articulado estudantes, professores, pesquisadores, usuários do sistema de saúde, trabalhadores do campo da saúde e áreas afins, políticos e gestores municipais, estaduais e federais, com o propósito de consolidar espaços de diálogo e reflexão sobre implementação de modelos de cuidado que perpassam racionalidades em saúde e saberes, à luz das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) e da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), alinhadamente aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

As Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas estão sendo implementadas pelo Ministério da Saúde no Sistema Único de Saúde (MS/SUS) em todas as capitais há 15 anos, como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

Segundo informações do Ministério da Saúde, considerando a atenção básica e os serviços de média e alta complexidade, existem atualmente 9.350 estabelecimentos de saúde no país ofertando 56% dos atendimentos individuais e coletivos em Práticas Integrativas e Complementares nos municípios brasileiros, compondo 8.239 (19%) estabelecimentos na Atenção Básica que ofertam PICS, distribuídos em 3.173 municípios.

As PICS estão presentes em 54% dos municípios brasileiros, distribuídos pelos 27 estados e Distrito Federal e todas as capitais brasileiras. Na Atenção Básica cerca de 2 milhões de atendimentos foram realizados em UBS (78%). Mais de 1 milhão de atendimentos na Medicina Tradicional Chinesa, incluindo acupuntura, 85 mil fitoterapias, 13 mil de homeopatias, e 926 mil de outras práticas integrativas que não possuíam código próprio para registro, que com a publicação da portaria nº145/2017 passam a ter.

É por isso que o tema central do III CONGREPICS será a “Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS: diálogos entre Pesquisa, Ensino e Cuidado em Saúde”, celebrando 15 anos de trajetória da PNPIC / MS no SUS, uma das maiores experiências de Medicina e Saúde Integrativa em Atenção Primária no mundo.

Muitos profissionais de saúde, gestores e usuários atentos às novas tendências e inovações, consideram as PICS a “Saúde do Futuro”, que inclui o Bem-estar e a Espiritualidade na prática clínica, é Centrado na Pessoa e não na doença, é Baseado em Evidências e contempla a inteligência da integração, unindo os modernas avanços da ciência com a sabedoria milenar ancestral.

O III CONGREPICS – Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares é uma promoção da Rede Nacional de Atores Sociais em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Rede PICS Brasil) junto aos organizadores Organização Pan-Americana de Saúde da OMS (OPAS/OMS), IdeiaSUS da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Secretaria Estadual (SES-SP) e Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP), Consorcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa (ABRATECOM).

Programação

No dia 02/09, ocorrerá o XI Congresso Nacional & VIII Congresso Internacional de Terapia Comunitária Integrativa (TCI).

No dia 03/09, acontecerá o II Encontro Sudeste de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (II ESPICS), e no dia 4/9 teremos a abertura do III CONGREPICS.

Em cada um dos quatro dias do III CONGREPICS será dado ênfase a um dos Quatro Eixos:

No primeiro dia, 04/09: Políticas de saúde informadas por evidências e a sustentabilidade das PICS no SUS, quando se discutirá as evidências científicas dos Mapas de Evidência reunindo mais de 1800 revisões sistemáticas de estudos clínicos na área;

No segundo dia, 05/09: Intercâmbio entre Saberes em Medicinas Tradicionais complementares e Integrativas (MTCI, OMS), valorizando as contribuições do Brasil: Saberes Tradicionais, as Plantas Medicinais Brasileiras e a Terapia Comunitária Integrativa.

No terceiro dia, 06/09: Saúde Global, Saúde Planetária e OneHealth em tempos de pandemia.

No quarto dia, 07/09: Identidade das PICS e Modelos de Cuidado

Ao longo dos quatro dias de Congresso, haverá a oportunidade de apresentar trabalhos científicos, cujos resumos serão publicados em Anais, e experiências exitosas em PICS das cinco macrorregiões do Brasil, sob curadoria do IdeiaSUS da Fiocruz e CABSIN.

Serviço
As inscrições estão abertas e poderão ser realizadas no site do evento: https://www.3congrepics.com.br/?inscricao


https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/envelhecimento-feminino/

Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

beltrinacorte escreveu 82 postsVeja todos os posts de beltrinacorte