Doença de Alzheimer e qualidade de vida: uma realidade possível!

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Estudos comprovam que quanto mais cedo o diagnóstico for feito da Doença de Alzheimer, mais efetivo é o tratamento. Por isso a importância da troca de conhecimentos e experiências e, principalmente, de informar a população sobre a doença, sintomas iniciais, alternativas de tratamento medicamentoso e não medicamentoso, e formas de se lidar com a pessoa no dia a dia.

Simone de Cássia Freitas Manzaro(*)


No mês de Setembro comemoramos o mês mundial de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, e cada vez mais observamos a importância da troca de conhecimentos e experiências e, principalmente, de informar a população sobre a doença, sintomas iniciais, alternativas de tratamento medicamentoso e não medicamentoso, e formas de se lidar com a pessoa no dia a dia. Estudos comprovam que quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais efetivo é o tratamento.

Deixamos claro que não consideramos o envelhecer apenas como sinônimo de doenças, pois é possível envelhecer com saúde e qualidade de vida. O envelhecimento com ou sem patologias depende de fatores biopsicossociais, ou seja, as pessoas envelhecem de formas diferentes de acordo com os seus hábitos de vida.

Logo, ao encararmos o processo de envelhecimento, podemos nos deparar com a Doença de Alzheimer, uma das demências mais incidentes da atualidade e, temos a tendência de descartar a possibilidade de que possa haver qualidade de vida para o idoso comprometido e que esse possa vir a tê-la enquanto esta ainda existir.

A qualidade de vida para o idoso com Doença de Alzheimer é uma realidade atual e possível, e o trabalho deve ser em conjunto com outras áreas de saúde com uma atuação transdisciplinar (fisioterapia, nutrição, psicologia, farmácia, enfermagem, etc…).

Esses profissionais fundamentalmente devem estar situados em suas áreas de origem, bem como, reciprocamente, nas áreas de atuação de cada um dos colegas, promovendo uma maior eficácia do encaminhamento global ao paciente. A inclusão de diversas áreas do conhecimento no processo de cuidados à saúde possibilita organizar o trabalho em um nível de complementaridade e especificidade que melhor atenda as diferentes demandas dessa população envolvida.

A família e os cuidadores também devem ser incluídos nessa lista, como uma forma de estarem mais presentes e serem auxiliados e orientados em todos os âmbitos que a doença exige, desde um simples banho até como realizar atividades cognitivas simples e também, de como procurar ajuda para si mesmo, a fim de não adoecerem juntos.

Associado ao tratamento medicamentoso, aos exercícios físicos, a uma alimentação adequada e aos cuidados pessoais, devemos também desenvolver estratégias compensatórias de adaptação para estimular o paciente no que tange as funções cognitivas comprometidas e realização de atividades diárias, conhecida também como estimulação cognitiva ou reabilitação cognitiva.

Essa estimulação cognitiva como alternativa de tratamento não medicamentoso à Doença de Alzheimer se faz importante não só para o treino das funções cerebrais perdidas como também no controle de outros sintomas, promovendo assim o bem estar do paciente e ajudá-lo a viver melhor com as limitações que a doença lhe impõe (Sérgio; Valença, 2003).

O que não podemos permitir é que o idoso evoque o passado buscando sentido para sua vida, deslocando para o futuro possibilidades de reparação. Porém, se o futuro não mais existir, o idoso irá afundar-se em um futuro de não-ser que o arranca violentamente de um campo considerado por ele de desejo (Goldfarb,1998).

Não podemos curar a Doença de Alzheimer, mas enquanto tivermos em mãos mecanismos para amenizar sua progressão e promover uma maior e melhor qualidade enquanto esta ainda existir, devemos proporcionar essa condição a todo idoso comprometido ou não pela doença.

Não tratamos a Doença de Alzheimer, e sim a pessoa humana que possui a Doença de Alzheimer, bem como seus familiares e cuidadores! (autor desconhecido)

Referências

Sérgio J, Valença A. Alguns conselhos sobre a doença de Alzheimer. São Paulo: Atheneu; 2003. p7

Goldfarb DC. Corpo, tempo e envelhecimento. São Paulo: Psicólogo; 1998.

(*)Simone de Cássia Freitas Manzaro – Psicóloga formada pela Universidade Nove de Julho, realiza atendimento psicológico de adultos e idosos. É voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz. Possui experiência em estimulação cognitiva para pacientes com demências, principalmente Demência de Alzheimer; atua também com estimulação cognitiva preventiva; Realiza consultoria gerontológica, orientando familiares e cuidadores, criando estratégias e atividades para lidar com o paciente no dia a dia, supervisionando treinamento prático. Email: simonemanzaro@gmail.com

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