Cuidar dos outros ou de si?

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É normal imaginar que, ao envelhecer, muitas questões como o trabalho e a independência da família estarão mais resolvidas. Na realidade, acabamos por nos deparar com um fenômeno novo e crescente: o número cada vez maior de avós que acabam tendo que ajudar no sustento e no cuidado de seus filhos e netos.

Dorli Kamkhagi *

 

Embora este cuidado também possa significar uma parte do prazer dos avós, assumir responsabilidade pelo dia a dia da família acaba por gerar um alto ônus. Estes pais e mães que já vivenciaram o papel e lugar de cuidadores e tiveram muito de seu tempo investido na dedicação e no desenvolvimento de sua família. É esperado que nesta fase da vida também desejem algo diferente para si. Por que não deveriam? É difícil ter este comprometimento emocional e econômico consigo próprio na idade adulta, ao criar e encaminhar os filhos, porque outras escolhas se tornam prioridade. Na maturidade, poder decidir por uma viagem ou um tratamento que foi adiado por tanto tempo deveria vir sem nenhum sentimento de culpa.

A função dos pais tem que ser uma responsabilidade compartilhada entre eles. Se houver necessidade, pode-se contar com uma ajuda dos avós, desde que esta atitude seja fruto de conversas e das possibilidades e disponibilidade dos avós. Tornou-se um lugar comum pedir esta ajuda irrestrita e sem limites, que muitos avós aceitam como se pudessem dar conta, e acabam se esquecendo daquilo que também pode ser bom e importante para cada um. Uma das escolhas mais importantes da maturidade é saber de quem cuidar. Devemos começar por cuidarmos de nós mesmos.

* Dorli Kamkhagi – Doutora em Psicologia Clinica, mestre em Gerontologia e pesquisadora Do Lim 27- Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. E-mail: [email protected]

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