Cuidados paliativos: como assistir o fim de vida e morte de alguém?

Os cuidados paliativos são tomados a partir do diagnóstico de uma enfermidade, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares. Entre os cuidados estão apoio psicológico e medicamentos para aliviar dores.


A vivência de adoecimento traz uma importante ruptura e desconstrução, instaurando desafios no ajustamento e no senso de segurança frente a vida. Quando a doença é grave, ameaça a continuidade da vida e muitas necessidades emergem nas dimensões físicas, emocionais, sociais e também espirituais.

O modelo de assistência em saúde conta com planejamentos terapêuticos pautados em protocolos e tecnologias para cuidar das doenças, mas quando as doenças são evolutivas e progressivas tais planejamentos precisam de revisão. O tratar a doença precisa dar lugar ao cuidar da pessoa adoecida contemplando todas as demandas, sofrimentos e necessidades.

Esta forma de cuidados e de gestão da assistência chama-se Cuidados Paliativos que, segundo a OMS, é definido como uma abordagem voltada para a qualidade de vida, tanto dos pacientes quanto de seus familiares frente a problemas associados a doenças que põem em risco a vida. A atuação e prevenção e o alívio de sofrimento através do reconhecimento precoce, de uma avaliação precisa e criteriosa, e do tratamento da dor e de outros sintomas, sejam eles de natureza física, psicossocial ou espiritual

O Ministério da Saúde publicou uma resolução em 2018 que normatiza a oferta de cuidados paliativos como parte dos cuidados continuados integrados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de cuidados destinados a toda pessoa afetada por uma doença que ameace a vida, seja aguda ou crônica. Os cuidados paliativos são tomados a partir do diagnóstico de uma enfermidade, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares. Por exemplo, um paciente que foi diagnosticado com câncer com metástase em vários lugares do corpo, ele pode receber o cuidado junto à sua família, para que tenha uma condição de conforto até o final da sua vida.

Os cuidados paliativos são tomados a partir do diagnóstico de uma enfermidade, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares. Por exemplo, um paciente que foi diagnosticado com câncer com metástase em vários lugares do corpo, ele pode receber o cuidado junto à sua família, para que tenha uma condição de conforto até o final da sua vida.

Entre os cuidados estão apoio psicológico e medicamentos para aliviar dores que ele tenha. Outras doenças além do câncer, como doenças neurodegenerativas como as demências (Alzheimer, Parkinson) também podem receber o cuidado.

O novo Código de Ética Médica – Resolução CFM N° 2.217/2018 – diz que “em situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados”.

O código de ética médica diz que é vedado: Art.41. Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal. Parágrafo único – Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os Cuidados Paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de ser representante legal.

Com isso, Cuidados Paliativos, além de representar boa prática clínica, passa a ser dever do médico e direito do paciente quando houver elegibilidade.

Os profissionais da saúde são formados para curar doenças, salvar vidas, solucionar problemas. Diante de doenças incuráveis, a tomada de decisão do plano assistencial mais proporcional ao momento da doença e a vida daquela pessoa acaba se tornando um enorme desafio e dilema. Afinal, qual é a melhor forma de cuidado para a vida daquela pessoa? O que tecnicamente cabe? Quais os limites? Quais valores e desejos daquela pessoa e família diante da ameaça da vida? Como assistir adequadamente o fim de vida e morte de alguém?

Aprender Cuidados Paliativos ajuda na resposta a estas questões e parece iluminar o caminho do projeto terapêutico singular adequado para cada pessoa doente e sua rede de suporte.

Exige técnica, preceitos bioéticos, avaliação ampla da biografia e dos valores da pessoa, controle de sintomas e sofrimentos, comunicação efetiva e empática e acolhimento. É cuidar da vida possível até o momento final, seguindo os cuidados ao luto dos familiares.

Todos estes temas serão abordados no dia 25 de maio, próximo sábado, das 9 às 11h30 no workshop sobre Cuidados Paliativos e desenvolvidos mais profundamente no curso a ser realizado no fim de semana do dia 6 de julho (das 9 às 18 horas com pausa para almoço) e dia 7 (das 9 às 13 horas) no Espaço Longeviver.

Tanto o workshop quanto o curso serão ministrados por Debora Genezini, que possui graduação em Psicologia, Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual e Mestre em Gerontologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Debora tem mais de 10 anos de experiência como coordenadora e docente em cursos de Cuidados Paliativos, é membro do Comitê de Cuidados Paliativos da ABRALE – Associação Brasileira de Leucemia e Linfoma. Membro do comitê de Psicologia da ANCP – Academia Nacional de Cuidados Paliativos.


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