Cuidados da casa facilitam a autonomia de longevos

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Atividades que exijam condicionamento físico adequado e promovam o exercício cognitivo, como os cuidados da casa, podem ser fundamentais para idosos que querem se manter ocupados.


A longevidade crescente na maioria dos países decorre de diversos motivos, desde a evolução da medicina no desenvolvimento de análises preditivas para doenças graves e de procedimentos que permitem manter uma vida normal apesar das doenças crônicas, até a difusão de informações relevantes sobre alimentação saudável e riscos relacionados com tabagismo e consumo de álcool. A atividade física regular tem demonstrado sua importância não apenas para o corpo, mas também para a mente, em função do prazer que desperta através do exercício e das oportunidades de socialização nos momentos em que grupos compartilham essas experiências.

Há também outras ocupações, mesmo depois da aposentadoria. A rede japonesa Silver Jinzai oferece oportunidades de trabalho remunerado aos aposentados, demonstrando que a atividade laboral pode representar um reforço no orçamento, mas antes de tudo é um modo de criar objetivos àqueles que não pretendem parar completamente.

Para a maioria dos 700 mil aposentados que estão registrados na organização nacional criada em Tóquio, em 1975, as coisas mais importantes são manterem-se ocupados e retribuir à sociedade.

As habilidades que cada pessoa desenvolveu ao longo da vida podem ser aplicadas em períodos mais curtos e em trabalhos de manutenção imprescindíveis para muitas famílias.

As tarefas são pagas a valores diferentes que variam em todo o país, mas a assistência a tarefas domésticas normalmente rende a um trabalhador da Silver Jinzai o valor de 870 ienes (cerca de 42 reais) por hora; a limpeza de janelas, 910 ienes (cerca de 44 reais); e a jardinagem, 1.040 ienes (cerca de 50 reais). Já o trabalho mais árduo de limpar a neve em cidades do norte do país paga 1.855 ienes (cerca de 90 reais) por hora.

Outra vantagem do sistema é o de prover mão de obra, pois o país atualmente conta com um em cada quatro japoneses com mais de 65 anos, com projeções que preveem o aumento para um em cada três nos próximos 15 anos. 

Além de proporcionar renda adicional e manter ocupada a população idosa do país, o plano também está ajudando a aliviar a crescente escassez de trabalhadores no Japão.

O Brasil ainda conta com uma força de trabalho jovem e ávida por colocações remuneradas, apresentando um quadro diferente do Japão, mas com tendência acelerada de inversão da pirâmide etária. Atividades que exijam condicionamento físico adequado e promovam o exercício cognitivo podem ser fundamentais para idosos que querem se manter ocupados. Idosos mais longevos que se mantêm ativos podem preferir ocupações relacionadas à sua própria moradia e, portanto, a casa deve ser pensada como suporte para essas atividades, com conforto e segurança. 

Foto destaque de Gustavo Fring/Pexels


Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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