Covid-19 e envelhecimento: orientações

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Explique, explique, explique o que está acontecendo aos idosos, várias vezes e de forma calma e didática. É preciso paciência, em alguns casos, para a conscientização do idoso sobre o atual momento da pandemia. Não adianta apenas dizer para lavar as mãos, passar álcool gel etc. Segue algumas orientações.


Como professor de Epidemiologia do Envelhecimento na Gerontologia da USP, me sinto na obrigação de orientar sobre algumas questões da Covid-19 em relação às pessoas idosas, o maior grupo de risco.  Orientem e cuidem de seus idosos e os idosos independentes deles mesmos. Isso não é uma tarefa fácil como parece. Devido ao próprio processo de envelhecimento, os idosos tendem a mitigar os riscos ou a aumentar o senso de confiança (daí os famosos golpes miraram esse segmento).

Então é difícil para eles mesmos e suas famílias quebrarem a rotina. Se tem exame marcado, querem ir, querem continuar indo às compras…etc. É preciso, neste momento, uma comunicação precisa e eficaz com os idosos para convencê-los a alterar a rotina. Isso porque a rotina deles já é restrita e eles não querem abrir mão de suas atribuições, sobretudo aqueles com mais de 70.

Os hábitos do dia a dia também precisam ser alterados por causa da Covid-19. Nada de lenço de pano (os idosos), toalhas que enxugam o suor (sobretudo idosas) e é preciso, principalmente, fazer uma nova gestão de cuidadoras e domésticas que convivem com os mais velhos.

Altere horários, combine de os cuidadores dormirem no lar, enfim, mudem o esquema (sei que é muito difícil) para que o próprio cuidador não seja o veículo do vírus. O vírus contamina, sobretudo, em casa, em família, em grupos.

É bem pequena a população idosa institucionalizada, em ILPIs (ou popularmente asilos). Se for o caso, evite as visitas, encontre formas remotas de entrar em contato, por skype, se possível, pelo telefone, e explique, explique, explique o que está acontecendo, várias vezes e de forma calma e didática. É preciso paciência, em alguns casos, para a conscientização do idoso sobre o atual momento da pandemia. Não adianta apenas dizer para lavar as mãos, passar álcool gel etc. Muitos idosos, dependendo da situação, devem ser monitorados.

Consulte o médico para verificar se pode melhorar a imunidade dos idosos, com alimentos ou complementos. Principalmente se tiveram gripe recente ou se têm outras doenças. Verifique a caderneta de vacinas. São 8 recomendadas pelo Ministério da Saúde. Mas atenção nem todas as pessoas idosas podem tomar as 8. Consulte o médico. Quase todas são aplicadas no SUS, mas algumas só no sistema privado. No dia 23 de março começou a vacinação da gripe e ela continua. Essa é recomendada a todos. Outra coisa, mesmo em casa, não deixe de manter a atividade física. Faça atividade com seus avós, seu pais, pois isso melhora a imunidade.

Verifique a adesão aos medicamentos dos seus idosos. Se estão tomando os remédios recomendados. Outra coisa, troquem as roupas todos os dias. E expliquem para todos os idosos que ainda não existe vacina para a Covid-19.

Por fim, se tiver que sair para algum local onde usou transporte, usou corrimão (que é, claro, muito usado pelos idosos), fiscalize e imediatamente faça a pessoa idosa lavar as mãos ou passar álcool gel.


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Jorge Félix

Jorge Félix

Jornalista especializado em envelhecimento populacional, pesquisador (CNPq), mestre em Economia e doutor em Ciências Sociais (PUC-SP). Autor do livro "Viver Muito". É Professor de Epidemiologia do Envelhecimento no curso de Gerontologia da USP/Escola de Artes, Ciências e Humanidades. Escreve sobre Economia da Longevidade. Email: jorgemarfelix@uol.com.br Twitter/@jorgemarfelix - www.economiadalongevidade.com.br. Facebook Viver Muito

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