Contar, ou não, para o paciente que ele tem Alzheimer?

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Cada vez mais as famílias vão em busca de um diagnóstico precoce, muitas vezes de “Possível Alzheimer”, quando a questão, contar ou não sobre a doença, surge com muita força. Os profissionais, nesse momento, precisam ter uma postura ética, flexível e de bom senso, pois existem formas e formas de se explicar a situação.

Simone de Cássia Freitas Manzaro(*)


O que falamos e como falamos, faz muita diferença! O diagnóstico da doença é sempre um fator assustador, e que traz muitas consequências.

Iniciamos esta reflexão com uma frase de Abraham Lincoln, que diz: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”, para falarmos de uma questão que angustia muita gente: contar ou não que a pessoa tem Alzheimer? Esta é uma pergunta muito frequente feita pela família aos profissionais de saúde, porém sem uma única resposta, mas várias.

A Doença de Alzheimer é uma doença progressiva, degenerativa e até o presente momento sem cura. Com um alto índice de casos ocorrendo, cada vez mais as famílias vão em busca de um diagnóstico precoce, muitas vezes de “Possível Alzheimer”, quando a questão surge com muita força.

Os profissionais, nesse momento, precisam ter uma postura ética, flexível e de bom senso, pois existem formas e formas de se explicar a situação. O que falamos e como falamos, faz muita diferença!

Sempre devemos levar em consideração que o diagnóstico da doença é sempre um fator assustador, e que traz consequências biopsicossociais não só para a pessoa que apresenta o diagnóstico como também para a família. E que, quanto mais precoce ocorrer, acabará afetando a saúde, bem-estar, o equilíbrio emocional, as relações sociais, mudança no âmbito familiar e alterações nos hábitos de vida, pois a pessoa tem noção de sua condição clínica e o que o avanço da doença pode trazer. Em uma fase mais avançada, a pessoa com Alzheimer não apresenta uma maior compreensão da doença.

Ao receber o diagnóstico sobre uma doença progressiva e sem cura, grande parte das pessoas pode associar essa situação ao “fim de vida”. Porém, nos dias de hoje, com várias técnicas e intervenções, é possível garantir um pouco de qualidade de vida e também retardar a doença por determinado tempo.

Será que uma pessoa bem informada consegue participar ainda em fase inicial, das decisões sobre sua vida? Muita gente acha que sim, outros não.

Muitos profissionais consideram que contar sobre o diagnóstico pode causar depressão, desânimo e certa desmotivação porque as pessoas não compreendem o seu futuro, e essa situação poderá influenciar em todo o tratamento.

Já outros preferem contar, dessa forma a pessoa pode se organizar melhor, e os familiares podem buscar suportes para enfrentar esse momento.

Esse tipo de organização de vida é muito subjetiva, cuja construção que se tem sobre determinada doença, depende muito do tipo de relação que o paciente tem com o médico e com as pessoas que o cercam, de como a notícia foi dada, se foi explicada com clareza e. o principal, se a notícia foi compreendida pelo paciente.

A literatura nos mostra que grande parte das famílias não gostaria de contar o diagnóstico ao seu ente querido, mas gostariam de saber se elas tivessem a doença (Bertolluci, 2006). Existe grande diferença de percepção com relação à doença entre pacientes e familiares.

Mesmo sabendo que quem deve contar ao paciente sobre o diagnóstico é o médico, devemos sempre optar pelo lado humanizado do atendimento. Acreditamos que contar ou não, deve ser uma decisão primeiramente tomada pela família, pois só ela sabe o grau de resiliência de seu ente querido para aceitar ou não essa nova condição.

E, acima de tudo, devemos ver e rever essa decisão, principalmente se vai valer a pena causar uma dor intensa e passageira no outro.

Referências

BERTOLUCCI, P. H. F (2006). Manual do cuidador – ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer)

(*)Simone de Cássia Freitas Manzaro – Psicóloga formada pela Universidade Nove de Julho, realiza atendimento psicológico de adultos e idosos. É voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz. Possui experiência em estimulação cognitiva para pacientes com demências, principalmente Demência de Alzheimer; atua também com estimulação cognitiva preventiva; Realiza consultoria gerontológica, orientando familiares e cuidadores, criando estratégias e atividades para lidar com o paciente no dia a dia, supervisionando treinamento prático. É membro colaborador do site Portal do Envelhecimento. Email: [email protected]

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Redação Portal do Envelhecimento

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