Comunidades qualificadas permitem a permanência de seus idosos?

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A tecnologia, inclusive a social, que promove atendimentos mais ágeis pode ampliar a qualidade de vida de idosos em comunidades amigáveis.

Maria Luisa Trindade Bestetti (*)


O conceito Ageing in Place refere-se à permanência no lugar de preferência ao longo do envelhecimento, em especial na fase da velhice. Não necessariamente no mesmo imóvel, mas em uma comunidade onde haja familiaridade, com oferta de produtos e serviços, facilitando a circulação através de percursos acessíveis e incentivando a interação com vizinhos. Se houver, ainda, alternativas de moradia que possam oferecer o cuidado adequado quando o declínio de funcionalidade e cognição avance, mais tempo será contado para evitar a institucionalização. Sendo assim, qualificar essas comunidades é o caminho para possibilitar essa permanência.

A jornalista Wendy D’Alessandro, parceira do site Senior Living Foresight, aponta caminhos para que essa condição se realize com sucesso e reforça que não é um processo fácil, mas é possível. Embora tenha publicado antes da pandemia pela Covid-19, esclarece que a tecnologia que envolve a adoção de novos processos e dispositivos auxiliares para promoção de atendimentos mais ágeis pode ampliar a qualidade de vida de idosos em comunidades amigáveis.

moradia

Por meio de um continuum de atendimento virtual e estratégias clínicas personalizadas, as comunidades de idosos podem aprimorar a experiência de seus residentes, concentrando-se no bem-estar e na prevenção. Eles podem otimizar o atendimento e a estabilidade financeira, promovendo alianças de rede com provedores upstream e downstream de alta qualidade.

Aponta a importância de alianças que possibilitem soluções resolutivas e ágeis, especialmente quando estiverem próximas, mesmo que virtualmente. A facilitação do acesso depende, primordialmente, da informação sobre atitudes preventivas, orientando sobre qualidade de vida baseada em atitudes saudáveis.

Avalie e compare as necessidades dos residentes com os serviços e programas disponíveis atualmente na comunidade. (…) Analise os relatórios de tendências e faça um balanço das nuances do mercado local para identificar potenciais parceiros e criar uma estratégia que apoie os objetivos operacionais, atenda às necessidades dos residentes e use dados e resultados para definir o sucesso.

As parcerias que atuem com educação para a vida saudável permitem baixar custos e evitar a hospitalização, reduzindo a insegurança e estimulando as trocas comunitárias. E Wendy encerra comunicando uma certeza:

Nenhuma organização de idosos pode viver sozinha. Parceiros de terapia confiáveis e valiosos podem dar às operadoras – mesmo às comunidades menores, de um único local – acesso a um continuum de atendimento virtual e estratégias clínicas personalizadas sem nenhum custo para a comunidade de idosos. É uma situação ganha-ganha para todos, mas especialmente para os residentes que esperam envelhecer na sua comunidade.

(*) Maria Luisa Trindade Bestetti é arquiteta e pesquisa sobre as alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. É professora doutora no Curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo desde 2009, com disciplinas de Gestão de Projetos e Empreendedorismo na graduação e Habitação e Cidade para o Envelhecimento Digno no mestrado. Texto reproduzido de seu blog “Ser Modular – Harmonizar todas as etapas da vida, atendendo desejos e necessidades de moradia na velhice”.

Foto destaque de Alex Green no Pexels


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