Como você vê a sua velhice?

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Como você vê a velhice pode determinar o quanto e como você envelhece e quanto tempo de vida você terá. A Orb Media descobriu que, nos países onde são mais respeitados, os idosos são mais saudáveis e ricos.


A forma de se envelhecer depende de como a velhice é entendida por nós. No Espaço Longeviver, durante nossos diversos cursos, venho observando como é enriquecedor em um mesmo curso termos pessoas de diferentes idades. Mais interessante é ver alguém dizer que idosos não podem isso e aquilo”, e seu colega do lado, bem mais velho, responder: “mas olha só, eu sou velha e estou aqui fazendo…”. Essa desconstrução de imaginários de velhices, ao vivo e em carne e osso, é um momento único, em que revemos as velhices que nos habitam. E descobrimos que ao nosso lado sempre haverá alguém mais jovem e alguém mais velho, independente da idade que tenhamos. Essa aprendizagem, tão simples e humana, e tão presente nas famílias, foi a coisa mais valiosa aprendida de nosso primeiro ano de existência como espaço de formação presencial.

As idades estão presentes naqueles que são mais jovens ou mais velhos que nós, mas não são elas que orientam nossos cursos. E isso tem ajudado na forma em como vemos a velhice e encaramos nosso longeviver. Por que falamos sobre isso? Porque dados globais coletados pela organização mundial de jornalismo, Orb Media, vêm mostrando a conexão entre a forma como vemos a velhice e como envelhecemos. De acordo com alguns dados, coletados de 150.000 pessoas em 101 países, o nível de respeito varia muito de país para país. O Paquistão ficou entre os países que obtiveram as maiores pontuações. Mas pessoas mais positivas em relação à velhice têm uma vida mais longa e com mais saúde do que as negativas. Estas, segundo os dados, tendem a sofrer ataques cardíacos ou morrer bem mais cedo.

Os dados da Orb Media mostram ainda que nos países com menor respeito aos idosos, como o Brasil, estes tendem a apresentar uma pior saúde mental, física e níveis mais elevados de pobreza. Não precisamos ir longe, “Diferença de expectativa de vida entre distritos de São Paulo chega a 14 anos, diz prefeitura”. Ou seja, morar em Higienópolis dá 15 anos a mais de vida em comparação com Parelheiros. São dados de estudo divulgado recentemente pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, intitulado Indicadores sociodemográficos da população idosa residente na cidade de São Paulo.

O menor respeito às pessoas idosas esconde o que de fato está por trás: a vida dessas pessoas mais velhas vale menos do que a vida das pessoas mais jovens. Se vale menos, quer dizer que têm menos importância e, se tem menor significado na sociedade, para que então investir nelas? O resultado é reduzir cada vez mais o orçamento destinado aos mais velhos. E assim o ciclo se completa. Para piorar ainda mais esta situação em que muitas velhices se encontram, os próprios velhos, de tanto ouvir que são um fardo, um problema para a sociedade, incorporaram esse discurso, negando então suas próprias velhices, que é o que chamamos de autoageísmo. Ou seja, a própria pessoa mais velha tem preconceito em relação à sua própria idade, não tendo respeito pela idade que tem, negando assim sua própria velhice.

A questão que fica é como ficarão as visões negativas da velhice que hoje nos habitam em um mundo cada vez mais repleto de pessoas mais velhas?

Foto destaque: Brett Sayles


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Redação Portal do Envelhecimento

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