Como seria se as famílias pudessem manter seus membros morando próximos uns dos outros?

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Esta proximidade das famílias seria uma solução para o cuidado de todos, especialmente quando é necessária uma atenção maior.

Maria Luisa Trindade Bestetti (*)


A vida na maioria das grandes cidades exige um planejamento do tempo que reduz as alternativas dedicadas ao lazer e à socialização, limitadas em função dos longos trajetos a serem vencidos para chegar ao trabalho e a eventos em geral. O convívio familiar tornou-se esporádico e, muitas vezes, restrito a contatos via smartphones, até mesmo entre os membros que compartilham o mesmo teto. Neste ano de 2020 ficou ainda mais limitado, devido ao distanciamento social obrigatório em função da pandemia pelo coronavírus, mas despertou para o fato de que as mudanças trouxeram reflexões importantes sobre o convívio familiar.

A postagem de Jack Cumming no site Senior Living Foresight, refletindo sobre sua própria experiência como morador idoso, desperta para a tendência de se criarem novas alternativas baseadas em soluções tradicionais.

O conceito de vida ideal do século 20 era uma casa unifamiliar, dependente do automóvel para fazer compras, ir para o trabalho e outras interações diárias. A vida no século 21 é mais difícil com famílias de duas rendas, trabalho em casa, preocupações com os filhos, pais idosos e conectividade constante com smartphones.

Mesmo em grupos familiares que se mantêm unidos, a obrigatoriedade de convivências diárias pode ter trazido muitos conflitos, a julgar pelas notícias de separações, maus tratos e depressão que foram veiculadas pelos noticiários a partir de estatísticas estarrecedoras sobre a dificuldade no compartilhamento dos espaços, antes minimizada pela rotina fora de casa. Jack recorda a vida em aldeias de agricultores, onde os serviços estavam à mão de todos e a comunidade dava sentido à vida.

Na verdade, podia ser uma vida difícil. Ainda assim, esse sonho de comunidade é aquele que podemos criar para o século 21 com comodidades para simplificar nossas vidas exigentes e modernas. Podemos chamá-lo de viver em uma aldeia familiar. A vida integrada para idosos de hoje, oferecendo um pacote de serviços no local, pode ser um começo nesse sonho de viver melhor.

Ele destaca que “o suporte para fragilidade e declínio cognitivo está no local, na comunidade”, o que justifica o conceito de aging in place, envelhecendo no lugar onde haja familiaridade e o indivíduo efetivamente pertença àquele grupo social. Ele denomina como aldeias familiares o que tem sido discutido como co-housing, ou co-lares, comunidades intencionais que enfatizam a convivência espontânea e que funciona como um suporte à vida em qualquer idade.

Entre pessoas com a diversidade de cultura que há entre os brasileiros pode ser um grande desafio, mas em família, se mantivessem seus membros morando próximos uns dos outros, seria uma solução para o cuidado de todos, especialmente quando é necessária uma atenção maior. Uma ideia para refletir…

(*) Maria Luisa Trindade Bestetti é arquiteta e pesquisa sobre as alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. É professora doutora no Curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo desde 2009, com disciplinas de Gestão de Projetos e Empreendedorismo na graduação e Habitação e Cidade para o Envelhecimento Digno no mestrado. Texto reproduzido de seu blog “Ser Modular – Harmonizar todas as etapas da vida, atendendo desejos e necessidades de moradia na velhice”.

Foto de destaque: Pixabay


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