Cirurgia Geriátrica: uma especialidade em formação

A iniciativa é do chefe dos Serviços de Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital São Lucas, Plínio Baú, para quem somente num espaço como o universitário a especialidade pode surgir. Tudo começará com a oferta de um curso de especialização. Caberá aos participantes da pós-graduação e a cirurgiões a formação da Sociedade de Cirurgia Geriátrica. Só então a ideia poderá ser concretizada, resultando num protocolo de conduta.

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“A PUCRS é referência em Geriatria Clínica na América Latina e deve aproveitar essa base”. Ele, que contabiliza mais de 20 mil cirurgias, defende uma formação específica para realizar os procedimentos com idosos porque eles apresentam uma série de peculiaridades. As vantagens seriam a ampliação da assistência a esses pacientes e a oferta de subsídios teóricos e práticos aos profissionais sobre técnicas e táticas cirúrgicas.

As diferenças no tratamento de idosos começam na avaliação pré-operatória. “O cirurgião deve perguntar-se se realmente é necessária a cirurgia, se as sequelas aumentarão sua dependência, quais os riscos, se são menores do que os da doença, e de que modo a imobilização do pós-operatório comprometerá funções”. Baú compara uma retirada de pedra na vesícula num adulto de 30 anos e num idoso de 80. No primeiro caso, não titubearia, realizando o procedimento. No segundo, verificaria o quadro e provavelmente não indicaria a cirurgia. Outro exemplo é a diverticulite. Enquanto em geral o idoso seria tratado com antibióticos, alguém de 40 anos faria a operação. “Um dos motivos é que, passados 60 dias, é necessária uma nova cirurgia de retirada da bolsa de colostomia”.

Os números também embasam a ideia. No HSL, dos 6 mil procedimentos realizados por ano (em cirurgia geral, uma das 15 especialidades), cerca de 30% são em idosos. De dezembro de 2007 a dezembro de 2011, o Serviço de Cirurgia Geral contabilizou em torno de 16 mil cirurgias em pacientes acima de 60 anos, o que representa 13 por dia. “Esse número impressionante requer a formação de cirurgiões gerais com conhecimento ampliado para o atendimento a pacientes idosos”, argumenta Baú.

Plínio Baú assinala que “O receio do paciente idoso não é a morte, mas a dor, a incapacidade física e a dependência que podem ser geradas pela cirurgia. Não basta a ele a solução de problemas. Ele deseja, acima de tudo, receber alta hospitalar em condições de manter sua privacidade e sua independência, podendo cuidar-se sozinho ou, pelo menos, voltar à condição de que desfrutava antes da cirurgia.”

Aos 89 anos, Maria Sallenave Venzon precisou submeter-se a uma cirurgia para retirada de um tumor de cólon. Confiante, teve uma boa recuperação, mas se incomodava com a bolsa de colostomia. Agora, aos 90, tomou a decisão de passar por um novo procedimento, desta vez para reconstrução do trânsito intestinal. “Preferia morrer do que ficar carregando aquela bolsa”. Lúcida, independente e saudável, Maria acreditou nas palavras do cirurgião Plínio Baú: “Vamos reverter. Papai do céu não nos fez assim”.

cirurgia-geriatrica-uma-especialidade-em-formacaoVera acompanha a mãe Maria Venzon, 90 anos (foto), no Hospital São Lucas, recuperando-se de cirurgia. Viúva desde 1995, mora com a filha Vera Venzon Kipper. “Éramos em seis, mas os netos foram casando e ficamos só nós duas”. Na casa da praia, gosta até de capinar. “Queria mover uma pedra para enfeitar uma folhagem e conseguiu, arrastando com um rastel. Gosta de tudo muito bonito”, conta Vera.

Fonte: Revista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Assessoria de Comunicação Social. Disponível Aqui 

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