Campanha em São Paulo combate o ageísmo

O ageísmo consiste em ações diretas ou indiretas em que alguém é excluído, considerado diferente, restrito, ignorado, tratado como se não existisse por causa da idade. Daí a campanha Orgulho Prateado 2019 em São Paulo.


No próximo dia 30 de outubro, estarei com a professora Ruth G. da Costa Lopes e mais quatro alunos de Iniciação Científica do curso de Psicologia (José Vinicius Ribeiro de Campos, Luisa Ramoska, Beatriz Bergo e Rafaela Ruiz Diniz) em uma roda de conversa intergeracional intitulada Ageísmo – preconceito pela idade, na PUC-SP, como parte da campanha municipal chamada “Orgulho Prateado 2019” e também da Semana de Integração da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da PUC-SP. A campanha é promovida pelo coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade, da USP, o médico Egídio Dórea. A campanha vai de 29 de outubro a 01 de novembro e haverá várias atividades gratuitas de conscientização e combate ao ageísmo, ou seja, preconceito à idade, especialmente aos idosos.

O preconceito à idade não é uma questão brasileira. Estatísticas divulgadas pela mídia internacional apontam que o ageísmo afeta mais de 60% da população mundial, com sérias consequências para quem sofre do preconceito, como isolamento social, incapacidade física, depressão, solidão, demência e perda de autoestima. O ageísmo e a prática de discriminação por idade são parte das múltiplas formas de discriminação sofridas pelos indivíduos. Em declarações à mídia nacional, Egídio Dórea comenta que o ageísmo pode reduzir em até sete anos a expectativa de vida das pessoas.

Afinal, o que vem a ser ageísmo?

Ageísmo é o preconceito contra a idade. É julgar alguém porque ela é velha. Inclusive muitas pessoas idosas julgam outras, afinal velho sempre é o outro. Daí falarmos que a velhice é discriminação. Enfim, ageísmo, idadismo ou etarismo podem ser entendidas de maneira geral como ações diretas ou indiretas em que alguém é excluído, considerado diferente, restrito, ignorado ou tratado como se ele não existisse devido à sua idade. É uma das formas de discriminação mais difundidas, aceitas e invisíveis.

O ageísmo está associado ao desrespeito, ao tratamento injusto, às suposições falsas sobre alguém, e ao sentimento de invisibilidade, afetando negativamente a confiança, a situação financeira, a saúde e a qualidade de vida de uma pessoa. Ocorre quando os idosos não conseguem encontrar trabalho ou os forçam a se aposentar, quando não recebem tratamento ou são privados de prioridade nas Unidades Básicas de Saúde, por exemplo. Quando o crédito é rejeitado nos bancos e quando lhes é dito que são “velhos demais” para vestir certas roupas, participar de esportes ou atividades comunitárias ou aprender novas habilidades…

Em um recente grupo de discussão da rede HelpAge, na Costa Rica, os participantes definiram ageísmo como “ações diretas ou indiretas em que alguém é excluído, considerado diferente, restrito, ignorado, para ser tratado como se não existisse por causa da idade”. Eles disseram ter experimentado o ageísmo em empregos, assistência médica, serviços financeiros e até dentro da família. O ageísmo passa despercebido com muita frequência e é hora de expô-lo.

Ana Maria Goldani, no artigo “Ageismo” no Brasil: o que significa? quem pratica? o que fazer com isto?, explica:

Embora o ageísmo e a discriminação por idade sejam termos frequentemente usados como sinônimos, o ageísmo refere-se essencialmente às atitudes que os indivíduos e a sociedade têm frequentemente com os demais em função da idade, enquanto a discriminação por idade descreve a situação em que a idade é o fator decisivo. Um exemplo de discriminação por idade é o empregador que decide contratar, promover, re-treinar ou aposentar/dispensar um funcionário com base somente na idade. Ainda que reparar na idade de um indivíduo não seja inerentemente ofensivo, agir por estereótipos baseados em idade é claramente um preconceito contra o indivíduo, que frequentemente não é contestado pela sociedade.”

No mundo todo, várias campanhas estão sendo realizadas. Membros e parceiros da rede HelpAge, por exemplo, realizaram diferentes ações em todo o mundo para expor o ageísmo, por meio das experiências vividas pela população idosa. Mais recentemente, membros da América Latina e do Caribe passaram a ajudar as pessoas mais velhas a expressar suas experiências de discriminação e como elas afetam negativamente direitos e oportunidades à medida que envelhecemos.

Serviço

Roda de Conversa: Ageísmo – preconceito pela idade
Dia: 30/10, das 13h30 às 15 horas
Local: Campus Monte Alegre da PUC-SP, localizado à rua Monte Alegre, 984, Sala T45.
Entrada gratuita, não precisa de inscrição.


Inscrições: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/curso-interdicao/

Beltrina Côrte

Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Iberoamericana de Psicogerontologia (Redip) e a Red Iberoamericana Interdisciplinar de Investigación en Envejecimiento y Sociedad (RIIIES). E-mail: beltrinac@gmail.com

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