Breve reflexão sobre a reintegração social do idoso

O idoso que consegue se inserir na sociedade, realizando atividades sociais para o seu bem-estar, cria, assim, suas prioridades, resultando em uma melhor qualidade de vida e equilíbrio físico e mental, equilibrando suas escolhas com a demanda da família.

Eponina Duarte Portugal (*)

 

Culturalmente, no Brasil, quem cuida do idoso é a família e a aposentadoria é considerada, por muitos, uma morte. O idoso de hoje é aquele que na maioria das vezes foi oprimido, foi “domesticado”, ou seja, vem de uma geração e de uma época onde tudo era censurado, não podia manifestar sua opinião religiosa, social e política.

Muitos idosos contribuem ainda para a renda familiar, caracterizando assim que idoso é aquele que não tem vida própria, vive em prol da família. Outros permanecem em casa por não saber como se inserir na sociedade.

No dito popular “ficar em casa de pijama” e ser aposentado é ser aquele que está à disposição para qualquer coisa do que a família necessite, tipo: cuidar dos netos, ir ao banco, fazer compras, pegar resultado de exame e etc., e muitas vezes sofrem discriminação por parte da família e da sociedade por serem taxados um indivíduo não produtivo.

Antes da aposentadoria é importante existir um preparo para esta transição da vida, emocional, social e financeira, afinal são mais de 30 anos tendo a mesma rotina. É necessário buscar dentro de si quem se é sem esta rotina de trabalho.

Esta reflexão é difícil, profunda e exige coragem. Inúmeros casos de pessoas que retornam ao trabalho, após se aposentar, alegam a necessidade de dinheiro, pois o que ele ganha não cobre suas despesas, permanecendo nesta rotina por mais alguns anos ou até morte.

Para muitos dos que permanecem em casa, o único contato social é atividade do dia a dia: supermercados, filas de banco, farmácias, UBS, laboratórios, hospitais, sem nenhuma atividade social voltada para o seu lazer, cultura, cursos, esporte, atividades que dão autonomia com qualidade de vida.

A aposentadoria, na verdade, é um direito adquirido e conquistado por aqueles que contribuíram com sua força de trabalho para a sociedade. É o momento de fechamento de um ciclo da vida e o início de outro. Nesta nova etapa existem várias possibilidades que não puderam ser realizadas e agora podem ser vividas em sua plenitude, como: estudos, dança, esporte, idiomas, viagens, voluntariado, inclusão digital, autoconhecimento, palestras, ou seja, uma nova vida se abre com novas expectativas.

O idoso que consegue se inserir na sociedade, realizando essas atividades para o seu bem-estar, cria, assim, suas prioridades, resultando em uma melhor qualidade de vida e estabilidade física e mental, equilibrando suas escolhas com a demanda da família.

 

(*)Eponina Duarte Portugal é graduada em Serviço Social na PUC/ SP e Direito na Universidade Católica de Campo Grande MS. Especialista em Orientação Familiar pelo Cedes Sapientiae e Administração Hospitalar na Faculdade de Administração Hospitalar em 1986. Aposentada pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Texto escrito para o curso Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento, no segundo semestre de 2017. E-mail: epodep@gmail.com\

 

 

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