Birdie levanta 7 milhões de euros para manter os idosos vivendo em casa

Birdie aparece como uma inspiração que promete transformar cada vez mais a relação entre a tecnologia e a população idosa.

 

Uma startup, que permite que familiares, cuidadores e médicos compartilhem informações sobre idosos que querem permanecer em suas casas, recebeu 7 milhões de euros em uma rodada de financiamento liderada por uma companhia de seguros global e sua incubadora.

Birdie digitaliza anotações feitas por profissionais de saúde durante visitas que podem ser mais facilmente compartilhadas entre cuidadores formais, outros profissionais de saúde e membros da família, ajudando a coordenar os cuidados e mantendo mais idosos fora de Instituições de Longa Permanência, casas de repouso ou leitos hospitalares.

Cinco mil cuidadores já se inscreveram para usar o aplicativo em seus celulares desde que foi lançado em 2017, com 50 famílias usando o aplicativo em seu projeto piloto.

“Acreditamos que o futuro do atendimento ao idoso é em casa. As casas de repouso são muito caras para muitas famílias e muitas vezes não comportam a demanda”, diz Max Parmentier, fundador e CEO da Birdie. Segundo ele, “Mais importante, os idosos querem e merecem ficar no conforto de suas próprias casas.”

Supervisão parental

O Birdie permite que os cuidadores insiram facilmente todos os dados por meio de um aplicativo em seu celular, e até mesmo organiza ofertas para que os cuidadores troquem para celulares mais modernos de maneira barata.

Os parentes também têm acesso ao aplicativo, permitindo que eles acompanhem o regime de medicamentos ou exercícios de seus pais ou parceiros, ao mesmo tempo que serve de preparação para assumir os cuidados da pessoa idosa no final do dia ou durante o final de semana.

O aplicativo também pode ser conectado a dispositivos que se encontram na casa, como sensores de atividade e de porta, pulseiras de detecção de queda e botões de pânico.

Os dados dos monitores, junto com as informações fornecidas pelos cuidadores, tem a capacidade de apontar se o comportamento de uma pessoa idosa é fora do comum e, portanto, preocupante. É essa análise rica em dados que atraiu o interesse e o investimento da Axa.

Como muitas corporações, está procurando reformular seus negócios para se envolver mais com seus clientes existentes e atrair novos através da assimilação de novas tecnologias, muitas vezes através do trabalho com startups.

Sentimento do investidor

O setor agetech, que se concentra em novas tecnologias para atender a uma população que envelhece rapidamente, é pouco identificável como um setor de investimentos autônomo. O maior setor de tecnologia da saúde está crescendo com capitais de risco investindo US $ 10,6 bilhões em startups de saúde somente no primeiro semestre de 2018. Mas a agetech tem a demografia do seu lado.

Dois milhões de pessoas com mais de 75 anos moram sozinhas, enquanto pouco menos de nove em cada dez pessoas com mais de 85 anos ainda vivem em casa, de acordo com o AgeUK. Para que funcione, o King’s Fund diz que cerca de quatro milhões de familiares são cuidadores de parentes idosos, sendo que 15% desses cuidadores têm mais de 65 anos.

A Série A da Birdie, liderada pela Axa e pela Kamet Ventures, segue uma rodada anterior que eleva o investimento total a 9,5 milhões de euros. Permitindo assim o desenvolvimento do produto, mais I & D e crescimento da equipe de vendas.

“Em um mundo onde praticamente todos os cantos de nossas vidas sofreram rupturas pela tecnologia, é surpreendente pensar que a gestão do atendimento aos idosos permaneceu intocada por essa inovação”, diz Stephane Guinet, CEO e fundador da Kamet Ventures, a incubadora de startups.

Sozinho em casa

Para aqueles que não conseguem ficar em casa a alternativa é um lar de idosos. Mas a pesquisa feita por LaingBuisson revela que o número de lugares e a qualidade das acomodações permanecem estáveis ​​apenas para aqueles que pagam por si mesmos, em vez daqueles financiados pelo Estado.

Um dos principais desafios é manter os idosos fora do hospital. Quase dois terços dos leitos hospitalares são ocupados por pessoas com mais de 65 anos, e de acordo com o National Audit Office, um paciente idoso pode perder até 5% de sua força muscular a cada dia que passa no hospital.

Uma pessoa idosa, tentando ficar longe de um lar ou de um hospital, pode ver várias pessoas diferentes durante o dia: um trabalhador de assistência por meio de uma agência, que pode ou não ser a mesma pessoa no dia-a-dia; outros profissionais, como médicos ou terapeutas; parentes do cuidador que se responsabilizam durante a noite ou nos fins de semana.

Até agora, a única maneira que cada cuidador poderia se manter atualizado quanto aos cuidados com a pessoa idosa era lendo anotações preparadas por um visitante anterior. Inevitavelmente, os cuidadores se viam rodeados pelas anotações, seja para serem lidas ou para serem escritas, desperdiçando tempo valioso que poderia ser usado para se envolver com a pessoa idosa.

O futuro?

No Reino Unido, o relatório The Future of Healthcare foi lançado pelo Departamento de Saúde e Assistência Social no mês passado e declarou que “os sistemas de tecnologia usados diariamente em hospitais, lares de cuidados, farmácias e instalações de cuidados comunitários não falam entre si”.

Nesse sentido, Birdie aparece como uma inspiração que promete transformar cada vez mais a relação entre a tecnologia e a população idosa.

Fonte: https://www.forbes.com/sites/johnwelsheurope/2018/11/26/birdie-raises-e7m-to-keep-the-elderly-living-at-home/#6dd04b5e57e3

 

https://www.catarse.me/espacolongeviver

Carolina Lucena

Carolina Lucena

Graduada em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Colabora com artigos sobre o envelhecimento populacional mundial e traduções.

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