Bernarda e Lutero: O florescer do amor na velhice

Bernarda (Nathalia Timberg) e Lutero (Ary Fontoura) são personagens idosos da novela Amor à vida, da Rede Globo, e estão mostrando, através da mídia, a possibilidade de vivenciar plenamente o amor na velhice.

Portal da maturidade *

 

bernarda-e-lutero-o-florescer-do-amor-na-velhiceViúvos, amigos, foram construindo mansamente esse amor de homem e mulher, por meio de uma amizade que estavam vivenciando tranquilamente, através de encontros no parque, passeando com o cachorrinho, almoços juntos, visitas da Bernarda para dar um jeitinho feminino na casa de Lutero.

A feminilidade e os cuidados especiais de Bernarda com Lutero aguçou o seu olhar diferenciado para ela, pois ele tinha uma vida solitária, apesar de estar trabalhando como médico no hospital, decepcionado com amigos e também por ser considerado “velho gagá” pelo administrador do hospital.

Nas conversas entre o dois, apareciam as decepções com os familiares, com o trabalho, e juntos, havia felicidade, compreensão, até que se apaixonaram e se declararam um para o outro.

A princípio, Bernarda teve receio e talvez vergonha desse amor por ser idosa, até que Lutero a convida para ir morar com ele. E Bernarda decide passar a noite na casa dele. Essa cena foi realizada com muita delicadeza, beijos ternos, carinhos, respeito.

O sexo veio, decorrente de um amor que aos poucos foi sendo construído pelos dois. E trouxe vitalidade e alegria para ambos, que assumiram esse “namoro” perante todos, mesmo à revelia da família de Bernarda.

bernarda-e-lutero-o-florescer-do-amor-na-velhiceO que essa análise tem a ver com o Projeto Acolhimento?

Pois é, a sexualidade é natural e em qualquer fase da vida. Abrimos um debate para sentir como o grupo dos cuidadores via a questão.

Foi muito interessante as discussões. Houve prós e contras para o sexo na velhice.

Foi dito que essa cena estava estimulando os idosos a transarem, e que já chega a liberação sexual com os jovens, agora vem com os velhos?!

Que os velhos já são muito feios, que é impossível ter vontade de beijar alguém assim.

Que os velhos não tem mais tesão. Que isso não é para avó e avô. Tal como a reação de um neto na novela: “A vovó virou piriguete?!”

A maioria dos participantes foi a favor de se manter a sexualidade até quando se tiver vontade e possibilidade entre o casal.

Na discussão, pudemos ver os preconceitos que nós ainda temos na maturidade, não aceitando essa vivência sexual, ou nos envergonhando de sentir desejos sexuais e externá-los.

Sexualidade não é só fazer sexo. É externar carinho, abraçar, beijar, tocar, ter prazer de ficar juntinhos se curtindo.

bernarda-e-lutero-o-florescer-do-amor-na-velhiceFoi deveras interessante a TV criar uma Bernarda inteligente, capaz de assumir sua sexualidade e se posicionar perante a sua família e um Lutero romântico, aceitando esse desafio sexual, mesmo com a ajuda de um “comprimidinho”, como ele disse.

A nossa sociedade prioriza o belo, a jovialidade, como se somente com esses atributos as pessoas podem ser felizes e sexualmente desejáveis.

Bernarda e Lutero estão nos mostrando que a vida pode ser diferente. Quebra o estigma da velhice isolada, sufocada, para uma velhice ativa, participativa, com voz e capacidade de tomar decisões, principalmente nesse assunto.

E, você, que está na maturidade, o que sentiu e pensou quando assistiu esse capítulo do romance de Bernarda e Lutero chegarem às vias de fato na cama?

* Fonte: Portal da maturidade. Disponível Aqui. Acesso em 30/10/2013

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