Avós e netos

De mãos dadas, avós e netos construirão sua própria história que mais tarde irá se transformar nas mais lindas lembranças para um dia de chuva. Arteterapia para avós e netos no Espaço Longeviver! Começa no início de abril. Vagas limitadas.

 

A chuva de verão que cai torrencialmente inunda o jardim da casa e este coração nostálgico de uma saudade que o define. Lembro com um sorriso nos lábios o tempo que eu era criança e usufruía da companhia do meu avô. Avô materno, já que o pai do meu pai eu não tive a oportunidade de conhecer.

Ele era um velho, nem alto, nem baixo, com cabelos brancos penteados para trás, óculos com uma armação grossa e uma barriga bem saliente. A chuva em uma casa térrea parece fazer chover as lembranças de um tempo onde a criancice blindava a vida dos problemas que, inevitavelmente, viriam com a vida adulta.

A relação com meu avô era repleta de um amor sólido e sem lero lero. Dono de uma simpatia extrema, meu avô se fazia querido por todos. Já minha avó, sua esposa, possuía um gênio forte e mesmo sendo muito generosa com os netos, era o meu avô o nosso grande xodó. Ele não gostava de brigas e era muito comum vê-lo concordar com todas as ordens dela apenas para não discutir. Sua cadeira de balanço ficava ao centro do galpão da chácara e eu gostava de me sentar ao seu lado apenas para poder estar perto dele. Quando minha avó passava por ali querendo dar alguma bronca, ela me olhava e dizia à ele:

– Ah! Vejo que está com sua advogada ao lado!

Era à mim que ela se referia pois eu estava sempre pronta para proteger e defender meu avô. Olhávamos um para o outro e com cumplicidade sorríamos.

– Vô, conta uma história?

Eu sempre fazia esse pedido sabendo exatamente qual história ele iria contar. Era sempre a mesma. Desconfio que era a única história que ele sabia.

– Era uma vez um sapo que morava na floresta. Um dia ele soube que haveria uma linda festa no céu e todos os animais que voavam seriam convidados!

Eu adorava ouvi-lo e até hoje “A festa no céu” é minha história favorita.

O fato é que estar ao seu lado me fazia bem e sempre que compartilhávamos alguma atividade, eu me sentia crescendo da maneira mais linda que uma criança tem de crescer. O amor dos avós é fundamental na constituição psíquica de uma criança e eu ia me constituindo através da companhia que fazíamos um ao outro.  Limpávamos juntos a piscina da chácara. Ele vestia uma camiseta regata branca com bermuda cujo cinto era improvisado com um barbante. Enquanto ele ficava do lado de fora com a peneira, eu, de dentro da água, mergulhava em busca das folhas que ali caíam. Adorava me pendurar no cabo da peneira para passear com ele me conduzindo pela piscina. Ele nunca reclamava. Juntos também passeávamos na cidade com seu carro velho e barulhento. Meu avô só usava a primeira e a segunda marcha e o carro parecia que iria explodir. Pela cidade que ele havia nascido, passeávamos enquanto ele me contava histórias dos moradores. A visita ao alambique para buscar a pinga que ele gostava era uma aventura a parte.

Meu avô envelhecia e eu virava adulta, mas meu amor por ele apenas aumentava. Quando olho para a pessoa que me tornei, vejo que sua companhia continua viva no meu coração.

Ao me tornar mãe, meus pais se tornaram pessoas de primeira grandeza na vida de meus filhos. Nos fins-de-semana planejávamos ir para a chácara e meu filho do meio me perguntava se podia levar um amigo com ele.

– Claro que pode, Bruno! Convide um amiguinho para ficar com você, eu dizia.

Observava de longe meu filho pegar o telefone para ligar para o tal amigo.

– E aí vô! Vamos para a chácara neste fim de semana?

Meu pai, sempre soube compartilhar a vida com eles. Esperto, sempre se fez interessante para os netos e até hoje é o grande amigo dos meus filhos.

A relação de avós e netos é por si só especial, digna de investimento de tempo para que exista a possibilidade de uma interação atrativa. A Arte é um caminho para fortalecer ainda mais esta relação de Avosidade.

Avós e netos em plena construção de afetos fundamentadas pela Arteterapia e suas inúmeras propostas criativas de intervenção: História da Arte, histórias contadas em uma multiplicidade de materiais e fazer artístico.

Deixo aqui meu convite para os avós que queiram usufruir de momentos especiais ao lado de seus netos. Afetos fortalecidos de maneira inesquecível.

A Chuva começa a acalmar assim como as inúmeras lembranças que, em forma de saudades, se transformam em sorrisos.

Fecho os olhos e a imagem do meu avô se faz presente. A Festa no céu precisa acontecer no atelier do Espaço Longeviver para que amores possam ser fortalecidos.

De mãos dadas, avós e netos construirão sua própria história que mais tarde irão se transformar nas mais lindas lembranças para um dia de chuva.

Arteterapia para avós e netos no Espaço Longeviver!

Arte na promoção de afetos. Experimente!

Serviço

Curso: Arteterapia para Avós e Netos: Construindo Avosidades
Quartas-feiras: 03/04, 10/04, 17/04, 24/04, 08/05, 15/05, 22/05 e 29/05
Horário:  14h30 às 16h
Carga horária: 12 horas (8 encontros de 1h30 horas)
Público alvo: Avós, Avôs e netos de 5 a 10 anos
Metodologia: Metodologia PREAMAR de intervenção em Arteterapia
Vagas: Até 10 pessoas entre avós e netos
Inscrições: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/construindo-avosidades/
Local: Espaço Longeviver
Avenida Pedro Severino Junior, 366 – Sala 166 – Vila Guarani – Próximo ao metrô Conceição – linha azul
Contato: cursos@portaldoenvelhecimento.com.br

 

 

 

Cristiane T. Pomeranz

Cristiane T. Pomeranz

Arteterapeuta, entusiasta da vida e da arte, e mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP. Idealizadora do Faça Memórias em Casa que propõe o contato com a História da Arte para tornar digna as velhices com problemas de esquecimento. www.facamemoriasemcasa.com.br E-mail: crispomeranz@gmail.com.

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