Automedicação: hábito que necessita ser rediscutido entre os profissionais de saúde, governo e população

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Engana-se quem pensa que a automedicação é prática reservada apenas aos brasileiros desinformados. Segundo artigo publicado na Revista da Associação Médica Brasileira “A automedicação é uma prática bastante difundida não apenas no Brasil, mas também em outros países. Em alguns deles, com sistema de saúde pouco estruturado, a ida à farmácia representa a primeira opção procurada para resolver um problema de saúde, e a maior parte dos medicamentos consumidos pela população é vendida sem receita médica. Contudo, mesmo na maioria dos países industrializados, vários medicamentos de uso mais simples e comum estão disponíveis em farmácias, drogarias ou supermercados, e podem ser obtidos sem necessidade de receita médica (analgésicos, antitérmicos, etc.)”.


O artigo ainda coloca a questão em discussão: “Debate-se se um certo nível de automedicação seria desejável, pois contribuiria para reduzir a utilização desnecessária de serviços de saúde. Afinal, dos 160 milhões de brasileiros, 120 não têm convênios para assistência à saúde”.

Isto nos faz pensar na necessidade urgente de ser rever, repensar e reestruturar o sistema de saúde no país. Mas para isso, verbas direcionadas para outros fins, poderiam ser utilizadas num plano de reforma da saúde da população brasileira. Quem sabe, menos estádios, mais hospitais e planos de saúde acessíveis a população de baixa renda.

Assim, sem recursos, nós brasileiros, acabamos tendo um “remedinho” para tudo, para qualquer tipo de dor, até para os sofrimentos inexplicáveis da alma. Quer uma dica? Então vamos lá, conforme brinca a reportagem: para febre, um antitérmico, para dor, um analgésico, se o problema for má digestão, tem os antiácidos, sem falar no modismo dos remédios para emagrecer. Realmente, a automedicação é um hábito comum, principalmente entre os idosos, mas que esconde sérios riscos à saúde, pois pode mascarar sintomas de doenças mais graves.

“Todo ano aproximadamente 20 mil pessoas morrem no país vítimas da automedicação”, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). A maior incidência são os casos relacionados à intoxicação e reações de hipersensibilidade ou alergia, sem falar nos casos mais sérios em que o indivíduo não sabendo o que tem, dobra, por conta própria a medicação prescrita pelo médico.

Para Vanda Viana, chefe da divisão de Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), além da maioria das pessoas não gostar de ir ao médico a propaganda desenfreada de medicamentos também influencia muito para a automedicação.

É o que vemos, diariamente, nos programas ditos “femininos” passados em muitos canais de televisão: medicação e tratamentos de todos os tipos, inclusive com profissionais da área da saúde vendendo os produtos e sugerindo, com enorme poder de sedução, a compra de quatro, seis, até vinte e quatro caixas dos chamados fitoterápicos. Como se não bastasse isso, trazem pessoas que já passaram pelo “suposto tratamento” para dar seus comoventes testemunhos.

Realmente, a mídia televisiva e vários outros meios de comunicação e propaganda como o rádio ou outdoors tem forte apelo sobre a população, favorecendo a automedicação e suas implicações.

Viana chama a atenção: “Existem alguns medicamentos que dispensam a apresentação de receita para serem adquiridos, mas isso não significa que devam ser tomados de forma aleatória”.

De acordo com a farmacêutica, entre os principais problemas de saúde ocasionados pelo uso de medicamentos estão as doenças do fígado e do rim, como a hepatite medicamentosa e a cirrose.

Segundo a reportagem, a má administração dos remédios pode causar ainda gastrites, úlceras, câncer de estômago, queda da pressão arterial, problemas cardiovasculares, além de tornar o organismo mais resistente ao efeito das drogas.

A exploração da medicina alternativa
Receitas caseiras ao alcance de todos: Quem não conhece a babosa, o chá de quebra-pedra, a unha de gato, o chá de crajirú e outros inúmeros remédios caseiros que prometem a cura milagrosa? É lamentável saber que o efeito da maioria dessas plantas medicinais, muitas das vezes, não apresenta fundamentação científica e sua manipulação é realizada por leigos, comprometendo seriamente a qualidade do produto.

A Associação Médica Brasileira alerta: “O problema é universal, antigo e de grandes proporções. A automedicação pode ser considerada uma forma de não adesão às orientações médicas e de saúde. Nesse sentido, Hipócrates já sentenciou: ‘Toda vez que um indivíduo diz que segue exatamente o que eu peço, está mentindo'”.

“Não há como acabar com a automedicação, talvez pela própria condição humana de testar e arriscar decisões. Há, contudo, meios para minimizá-la. Programas de orientação para profissionais de saúde, farmacêuticos, balconistas e população em geral, além do estímulo a fiscalização apropriada, são fundamentais nessa situação”, é o que aconselha a Associação.

Referências
MENEZES, A. (2011). Automedicação: Hábito comum principalmente entre idosos. Disponível Aqui. Acesso em 20/11/2011.

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Redação Portal do Envelhecimento

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