Atualizações sobre o Alzheimer

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Mais ativa do que nunca, a ciência ainda não encontrou a droga que cura a doença de Alzheimer. Mas a esperança não está perdida. Os mecanismos desse distúrbio neurocognitivo são cada vez mais compreendidos. E se a prevenção fosse a arma definitiva?

Por Michèle Sirois (*)


À medida que envelhecemos, a saúde do cérebro se torna uma grande preocupação para nós. E por uma boa razão. Mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de um tipo de demência, incluindo a doença de Alzheimer, que é a mais comum. Se a ciência falhar em descobrir todos os mecanismos da doença e não encontrar uma cura, esse número preocupante pode dobrar a cada 20 anos. E quem fala isso é Fadi Massoud, médico geriatra no Instituto Universitário de Geriatria de Montreal (IUGM) e no Hospital Charles-Lemoyne, além de professor das Universidades de Montreal e Sherbrooke, que em uma conferência aberta ao público apresentou recentemente uma atualização sobre a doença de Alzheimer, a convite das Les belles soirées da Universidade de Montreal em conjunto com o Centre AvantÂge.

Qual é a diferença entre demência e Alzheimer?

Demência é um termo genérico que abrange todos os tipos de demência. Como na pneumonia, há pneumonia causada por bactérias, vírus e fungos. Da mesma forma, existem demências do tipo Alzheimer, vasculares, com corpos de Lewy, mistas ou mesmo frontotemporais. Além disso, o termo demência é obsoleto. Carrega uma conotação pejorativa, muitas vezes relacionada à loucura. Há vários anos, os mundos científico e médico usam o termo distúrbios neurocognitivos.

Entendendo a doença

Para um dia conseguir tratar ou prevenir melhor a doença de Alzheimer, você ainda precisa entender como ela se desenvolve. Nesse sentido, a ciência deu grandes saltos nas últimas três décadas. Agora sabemos que o acúmulo de proteína beta-amilóide no cérebro e a modificação da proteína tau levam à inflamação. Posteriormente, aparece um déficit em neurotransmissores. Estes garantem a transmissão de mensagens de um neurônio para outro. Uma deficiência de neurotransmissor interrompe a comunicação entre os neurônios. Danos cerebrais graves ocorrem.

Os cientistas também sabem que os sintomas de perda de memória, julgamento, linguagem, para citar alguns, aparecem vários anos após o início da doença. De fato, graças a, entre outras coisas, a plasticidade do nosso cérebro e nossa reserva cognitiva, a doença pode permanecer silenciosa por 15 ou até 20 anos.

O que é plasticidade cerebral?

A plasticidade cerebral é a capacidade do cérebro de modificar a organização de suas redes neurais com base na experiência vivida. Portanto, se parte do cérebro ficar incapacitada devido ao aparecimento da doença de Alzheimer, a plasticidade (ou maleabilidade) do cérebro criará outras rotas neurais. A comunicação entre os neurônios será assim mantida.

O que é reserva cognitiva?

Quanto mais o cérebro estiver acostumado a trabalhar durante sua vida, mais terá desenvolvido a reserva cognitiva. Este será um ótimo recurso durante o envelhecimento normal ou no caso da doença de Alzheimer.

A descoberta de uma droga “milagrosa”?

Um obstáculo para a descoberta do medicamento “milagroso” vem do fato de queo diagnóstico é feito quando a doença está bem avançada. É sempre mais difícil tratar um problema de saúde quando é tratado tardiamente.

Com base nessas descobertas, centenas de pesquisadores estão trabalhando para encontrar a droga que poderia curar a doença de Alzheimer. E isso é estudado de acordo com várias hipóteses. Assim, enquanto alguns pesquisadores estão tentando dissolver o acúmulo de proteínas no cérebro, outros estão procurando interromper o desenvolvimento dessas proteínas.

No entanto, embora algumas opções exploradas pareçam promissoras, até o momento não existe molécula, dieta ou vacina que cure a doença de Alzheimer. Embora vários medicamentos tenham atingido a fase 3 (ensaios clínicos) e tenham sido amplamente divulgados, nenhum foi aprovado e autorizado desde 2003.

No momento, pessoas com distúrbios neurocognitivos podem contar apenas com duas classes de medicamentos. O objetivo desses medicamentos é retardar a progressão dos sintomas por um período de tempo.

No entanto, toda essa pesquisa ainda permite que a ciência avance. À medida que você explora, você está aprendendo cada vez mais sobre os fatores que predispõem à doença de Alzheimer, bem como sobre os que podem ajudar na prevenção.

Além disso, o cuidado da pessoa afetada e de seu cuidador mobiliza diversos pesquisadores e profissionais. Enquanto aguardam a medicação que salva vidas, as equipes estão adotando abordagens criativas e humanas para cuidar das pessoas afetadas e das pessoas que as cercam.

Fatores de risco

Atualmente, nós sabemos os fatores que nos colocam em risco de desenvolver a doença de Alzheimer. E uma boa notícia é que entre estes fatores, uma grande porcentagem pode ser modificada. De fato, Dr. Massoud disse que 35% dos fatores de risco poderiam ser evitados. Alguns pesquisadores até sugerem que quase 50% dos casos da doença de Alzheimer poderiam ser evitados!

Fatores de risco não modificáveis

a) A idade: quanto mais você envelhece, maior a probabilidade de desenvolver um distúrbio neurocognitivo.

b) Histórico familiar: número de casos na família.

c) Sexo feminino: a ciência ainda não explica isso, mas as mulheres correm mais riscos do que os homens de desenvolver Alzheimer e não é porque geralmente vivem mais.

Fatores de risco modificáveis
Estilo de vida sedentário
Pressão alta
Diabetes tipo 2
Obesidade
Tabagismo
Depressão
Isolamento social
Problemas de audição

E se a prevenção fosse a nossa melhor arma até hoje?

Mais uma vez, o Dr. Massoud lembrou-nos as estratégias disponíveis para nos protegermos contra o Alzheimer. Então, vamos agir onde temos poder: prevenção!

a) Exercite-se regularmente. Segundo o médico, não é a intensidade nem a duração que é mais importante, mas a regularidade da prática. Assim, ele recomendou caminhar pelo menos 15 minutos TODOS os dias.

b) Permaneça curioso, continue aprendendo (especialmente um novo idioma ou um instrumento musical).

c) Desfrute de atividades de lazer estimulantes (mas assistir televisão não entra em lazer estimulante).

d) Cuide da sua rede social (dê notícias, troque informações, peça ajuda, se necessário).

e) Ouça bem (dificuldades na audição tendem a te isolar…).

f) Evite pílulas para dormir, certos analgésicos e antidepressivos e descongestionantes

g) Não fume

h) Consuma pouco ou nada de álcool. A Coalizão Canadense de Saúde Mental para Idosos faz recomendações mais rigorosas do que as do Educ’Alcool: a) Para as mulheres: 0 a 1 copo/dia. Não mais que 5/semana; b) Para os homens: 0 a 2 copos/dia.  Não mais que 7/semana.

Concluindo, o Dr. Massoud lembrou que o cérebro envelhece como qualquer outro órgão. É normal experimentar algumas alterações após os 60 anos, como:

a) Tempo de reação mais lento.

b) Diminuição da memória de trabalho, como perder a noção de onde paramos na leitura. (A memória de trabalho corresponde à capacidade de reter informações temporariamente para realizar a tarefa em andamento).

c) Dificuldade em executar duas tarefas ao mesmo tempo.

(*) Michèle Sirois – colaboradora do Instituto Universitário de Geriatria de Montreal. Texto publicado no LeGroupe Maurice em 17 de fevereiro de 2020. Tradução livre de Sofia Lucena.

Foto destaque: Meo


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