Atividades com Grupos de Idosos – um guia de trabalho

Compartilhamos neste primeiro texto – de uma série que se seguirá – atividades realizadas no CAISM – Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com grupos de idosos atendidos na comunidade, sob supervisão da Profa. Dra. Ruth Gelehrter da Costa Lopes, da PUC-SP.

Ruth Gelehrter da Costa Lopes *

 

Compartilhamos neste primeiro texto – de uma série que se seguirá – atividades realizadas com grupos de idosos que atendemos na comunidade, sob supervisão da Profa. Dra. Ruth Gelehrter da Costa Lopes (PUC/SP).

Estas atividades, descritas abaixo, foram realizadas no CAISM – Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Setor: UNID (Unidade de Idosos)/Psicogeriatria.

Público alvo: Pessoas com depressão: dificuldade de expressarem seus sentimentos e resistências na realização de atividades artísticas.

ATIVIDADE 1 – “REVENDO OS PAPÉIS”

Objetivo: Conhecer de modo mais aprofundado os integrantes e suas expectativas em relação ao grupo.

Atividade: Atividade inicial (“quebra gelo”)

Aquecimento: O participante deve apresentar-se aos integrantes do grupo mencionando o que considerar relevante.

Atividade principal:

– Bexigas cheias de diferentes cores são colocadas à disposição dos participantes.

– Solicita-se a eles que escolham uma delas pelo critério da cor.

– Pede-se que expliquem a escolha.

– Solicita-se que desenhem na bexiga um rosto expressando o que estão sentindo naquele momento.

– Pede-se que expliquem sua representação associada a sua vida atualmente.

ATIVIDADE 2 – “QUEIXA: MEUS FILHOS NÃO ME AMAM”

Objetivo: Dar condições para a criação de um ambiente de interação entre os participantes do grupo.

Atividade: Atividade inicial (“quebra gelo”)

Atividade principal:

– Figuras humanas retiradas de revistas são colocadas à disposição dos participantes.

– Solicita-se a eles que escolham aquela que contenha algo que lhes chame a atenção ou que apresente alguma semelhança com eles mesmos.

– Pede-se que expliquem, relacionando com suas experiências e gostos, porque escolheram determinada figura.

ATIVIDADE 3 – “UM VÍNCULO FRÁGIL”

Objetivo: Levantar aspectos individuais dos participantes que possam ser abordados nas atividades seguintes com o grupo.

Atividade: Levantamento de temas.

Aquecimento:

– Doze cores de massinhas de modelas são colocadas sobre uma mesa à disposição dos participantes.

– Solicita-se a eles que utilizem as massinhas, na quantidade desejada, para modelar uma chave.

– Pede-se que respondam que chave é essa e expliquem seu significado.

– Solicita-se que desmanchem a chave e respondam o que é mais difícil: desmanchá-la ou construí-la.

– Pede-se que deixem as massinhas na mesa, sem pegá-las.

Relaxamento:

– Solicita-se que fechem os olhos e não mais falem.

– Ao som de uma música pede-se que relaxem.

– Solicita-se que se imaginem em um lugar tranquilo, explorem e observem a sua volta. Durante todo tempo devem carregar um objeto nas mãos.

– Pede-se que se sentem em um lugar e repousem o objeto onde quiserem prestando muita atenção a ele.

– Finaliza-se o relaxamento.

Atividade principal:

– Pede-se que permaneçam sem falar e construam, com a massinha de modelar, o objeto imaginado da forma como for possível.

– Solicita-se que cada integrante explique seu objeto.

– Pede-se que juntos utilizem todos os objetos para criar uma estória.

Fechamento

– O coordenador faz uma fala final abordando as semelhanças e diferenças entre os objetos a fim de integrar os participantes na forma de grupo.

ATIVIDADE 4 – “FLORES E CHAVES”

Objetivo: Proporcionar uma atividade de interação ativa grupal que faça os participantes relacionarem aquilo que foi construído com as características do grupo.

Induzir a percepção dos participantes com relação ao fato de que tudo aquilo que escolhem possui um sentido em suas vidas.

Aquecimento:

– Diferentes tipos de flores são espalhadas pelo chão antes da entrada dos participantes na sala de encontros.

– Convidam-se os participantes a entrarem e deixa-se que explorem o ambiente sem orientações prévias.

Atividade principal:

– Solicita-se que cada participante escolha uma flor de sua preferência e descreva sua escolha.

– Pede-se que escolham uma segunda flor que complemente a primeira.

– O coordenador auxilia os participantes a relacionarem as flores escolhidas com fatos de suas vidas e a pensarem sobre possibilidades de destinos que essas flores poderiam ter.

– Pede-se que, em grupo e ao redor de uma mesa, confeccionem do modo como quiserem, um arranjo com quaisquer flores disponíveis na sala.

Fechamento:

– Solicita-se que discutam a relação do grupo a partir da atividade de confecção e do arranjo de flores em si. Questiona-se sobre o “destino” do produto.

ATIVIDADE 5 – “COMO FALAR SOBRE ALGO QUE EU NÃO VIVI”?

Objetivo: Proporcionar uma atividade de interação ativa grupal.

Possibilitar uma experiência de colocar-se no lugar do outro.

Possibilitar reflexões sobre fatos importantes acontecidos em sua vida e deferentes formas de lidar com ele.

Aquecimento:

– Entrega-se a cada participante um pedaço de papel e pede-se que escrevam algo importante que tenha acontecido em suas vidas, sendo o fato positivo ou negativo.

– Entrega-se uma bexiga vazia de diferentes cores para cada um e pede-se que, virados de costas, coloquem o pedaço de papel escrito em sem interior e a encha de ar com a boca. É importante que os participantes não vejam as cores das bexigas dos demais.

– Pede-se que, em pé, misturem as bexigas jogando-as sem deixa-las cair no chão.

– Pede-se que cada participante escolha alguma bexiga diferente da sua, estoure-a e leia o papel sem falar aos demais.

*Em ambientes amplos e com pacientes fisicamente ativos essa etapa pode ser feita ao som de uma música indicando que ninguém pode tocar na bexiga que encheu. Ao ouvir a música parar o participante deve estourar a bexiga que estiver em suas mãos.

Atividade principal:

– Pede-se que um participante se voluntarie a iniciar a atividade. Ele deve basear-se no fato descrito no papel que leu e iniciar uma estória em terceira pessoa.

– Pede-se aos demais participantes que continuem a estória, acrescentando trechos baseados nos fatos que leram nos papéis que tiraram. Quando o fato for citado o participante deverá fazer algum pequeno gesto com o papel para indicar a origem de sua inspiração.

– Incentiva-se que os participantes continuem construindo a estória até que ela chegue ao final.

– Pergunta-se se alguém gostaria de modificar alguma parte da estória e permite-se que a pessoa o faça.

* Em casos de finais negativos na estória incentiva-se que os participantes criem uma opção de final positivo.

Fechamento:

– Pede-se que cada participante leia o papel que tirou e tente adivinhar quem o teria escrito.

– Solicita-se que o escritor do papel explique (se e do modo como quiser) o fato importante que aconteceu em sua vida comparando-o com o modo como ele aconteceu na história criada pelo grupo.

ATIVIDADE 6 – “LUA FRIA”!

Objetivo: De forma indireta induzir a sentimentos e pensamentos sobre pessoas importantes na vida dos participantes.

Relaxamento:

– Toca-se uma música de relaxamento.

– Solicita-se aos participantes que fechem os olhos e imaginem-se viajando pela Lua. Pede-se que passeiem; sintam o ar, o clima, o lugar… Pede-se que levem uma única pessoa ou coisa da Terra para lá.

– Solicita-se que abram os olhos e expliquem o que viram.

Atividade principal:

– Distribui-se um cartão de papel a cada participante.

– Pede-se que façam um cartão postal para uma pessoa da Terra como se ainda estivem em viagem a Lua; de um lado do papel escrevam uma mensagem e do outro façam um desenho.

ATIVIDADE 7 – “DE FRENTE PARA O ESPELHO”

Objetivo: Induzir a reflexão dos participantes com relação aos papéis sociais que assumem.

Aquecimento:

Os estagiários descreveram dificuldades dos participantes em se envolverem com a atividade. Devemos refletir sobre alguma atividade de aquecimento que possa diminuir essa dificuldade em falar sobre si mesmo.

Atividade principal:

– Expõem-se em uma mesa cartões de papéis coloridos em branco. Deixa-se a disposição lápis grafite, lápis de cor e canetas.

– De forma sequencial solicita-se que escolham uma cor de cartão e representem na forma de textos, desenhos ou dobraduras, as respostas as seguintes perguntas. A orientação para a escolha de uma nova cor e a pergunta correspondente somente são feitas após os participantes finalizarem suas representações.

 Como sou / me vejo em minha família? Quais são meus papéis nela?

 Como sou / me vejo com meus amigos? Quais são meus papéis com eles?

 Como sou em minha própria companhia? Quem sou eu?

– Pede-se que os participantes falem sobre suas representações induzindo que foquem em comentários sobre si mesmos.

– De forma sequencial, novamente solicita-se que escolham uma cor de cartão e representem na forma de textos, desenhos ou dobraduras, as respostas as seguintes perguntas. A orientação para a escolha de uma nova cor e a pergunta correspondente somente são feitas após os participantes finalizarem suas representações.

 Como gostaria de ser com minha família?

 Como gostaria de ser com meus amigos?

 Como gostaria de ser?

– Pede-se que os participantes falem sobre suas representações induzindo que foquem em comentários sobre si mesmos.

ATIVIDADE 8 – “NA MINHA FAMÍLIA ESTÁ TUDO BEM, MAS…”.

Objetivo: Induzir a reflexão dos participantes com relação à própria família.

Aquecimento:

– Entrega-se a todos os participantes uma cópia impressa da letra da música “Família” do grupo Titãs.

– Toca-se a música e solicita-se que todos acompanhem com a letra impressa.

– Solicita-se a todos que permaneçam em silencio por alguns segundos refletindo sobre a letra da música.

Atividade principal:

– Expõem-se em uma mesa materiais como canetinhas, isopor, papéis, colas, tesouras, alfinetes coloridos, tachinhas coloridas, lã, lantejoulas, palitos de churrasco e etc.

– Solicita-se que utilizem os materiais para confeccionarem algo que represente a família descrita na música do modo como a entenderam.

– Pede-se que cada um descreva o que confeccionou.

– Solicita-se que utilizem os materiais para confeccionarem algo que represente sua família.

– Pede-se que cada um descreva o que confeccionou sobre sua família comparando com o item confeccionado sobre a família descrita na música.

– Induz-se a uma discussão sobre os aspectos mencionados pelos participantes sobre suas famílias.

– Solicita-se que cada participante decore um boneco feito de bola de isopor espetada em um palito de churrasco a fim de representar um membro de sua família.

– Pede-se que todos os “bonecos” sejam espetados em uma base de isopor explicando que eles compõem uma única família.

– Solicita-se que discutam sobre as características dessa família: completa ou incompleta; harmoniosa ou desarmoniosa; ideal ou não…

– Sugere-se que os participantes possam completar a família com “membros” ou itens que desejarem explicando suas intervenções.

ATIVIDADE 9 – “O TIGRE E O LEÃO”.

Objetivo: Proporcionar uma atividade de interação ativa grupal que faça os participantes relacionarem aquilo que foi construído com as características do grupo.

Aquecimento:

Os estagiários descreveram dificuldades dos participantes em se envolverem com a atividade. Devemos refletir sobre alguma atividade de aquecimento que possa diminuir essa dificuldade de utilizar a imaginação e de trabalhar em grupo.

Atividade principal:

– Antes da chegada dos participantes, expõem-se em uma mesa objetos de plástico como bonecas, carrinhos e animais.

– Pede-se aos participantes que, em conjunto, representem um “mundo ideal” utilizando os objetos da mesa.

– Solicita-se que descrevam o “mundo ideal” e o comparem com o mundo real.

ATIVIDADE 10 – “ODEIO GANHAR MEIAS”.

Objetivo: Induzir reflexões sobre o tema envelhecimento.

Proporcionar uma atividade de interação ativa grupal.

Aquecimento:

– Entrega-se uma cópia para cada participante do texto “Presente” de Luís Fernando Veríssimo.

– Pede-se que dois participantes se voluntariem a ler o texto. Cada um assume as falas de um personagem.

– Induzem-se os participantes a discutirem sobre o conteúdo do texto.

Atividade principal:

– Prepara-se um pote ou saco com pequenos papéis dobrados contendo, em cada um, os nomes dos participantes presentes.

– Pede-se que retirem um papel, leiam e não contem a ninguém. Explica-se tratar de uma brincadeira fictícia de amigo secreto na qual será possível presentear o sorteado com qualquer coisa, sem limites materiais ou financeiros.

– Solicita-se que descrevam o sorteado sem mencionar seu nome a fim de que o grupo possa adivinhá-lo.

– Pede-se que descrevam o presente fictício que será entregue e a motivação de sua escolha.

ATIVIDADE 11 – “VIDA X MORTE”.

Objetivo: Induzir reflexões a cerca do tema da morte.

Proporcionar uma atividade de interação ativa grupal.

Atividade principal:

– Folhas de papel coloridas e tintas plásticas são expostas em uma mesa.

– Pede-se aos participantes que cada um escolha uma folha de papel de sua cor preferida.

– Explica-se que cada participante deverá utilizar as tintas plásticas para representar em sua folha de papel algo sobre o tema ‘vida’.

– Pede-se, após um tempo determinado, que os participantes passem seu desenho para o participante ao lado que deverá completa-lo. A atividade segue até que cada um receba novamente seu próprio desenho.

– Solicita-se que expliquem as representações que fizeram.

– Os mesmos procedimentos são descritos, dessa vez sobre o tema ‘morte’.

Fechamento:

Os estagiários descreveram a dificuldade dos participantes em falar sobre o tema ‘morte’ que fechou o encontro. Acredito que uma atividade de fechamento pudesse ajudar a diminuir o clima ‘pesado’ que foi descrito no relato da atividade.

ATIVIDADE 11 – “UMA FRIA: LEMBRANÇAS SEM MEMÓRIA”.

Objetivo: Proporcionar uma retrospectiva sobre o trabalho grupal realizado.

Atividade principal:

– Expõem-se em uma mesa pastas com o nome de cada participante contendo suas produções realizadas durante todo o trabalho grupal, além de materiais de papelaria que foram usados em atividades anteriores: lápis, papéis, tintas…

– Relembram-se, com ajuda dos participantes, as atividades realizadas em cada encontro com o grupo e sugere-se que os participantes completem suas produções caso sintam vontade.

* Ruth Gelehrter da Costa Lopes – Possui graduação em Psicologia, mestrado em Psicologia Social e doutorado em Saúde Pública. Atualmente é professora da PUC-SP. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Gerontologia e Psicogerontologia, atuando nos temas: processo de envelhecimento, psicoterapia em grupo para idosos, velhice e família. Através do Portal os alunos das disciplinas que ministra no curso de Psicologia e no PPGG, na PUCSP, tem a oportunidade de compartilhar reflexões, pesquisas, estudos, bibliografias. Email: ruthgclopes@gmail.com. Currículo Lattes Aqui

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