Após 100 anos de sua descoberta, a insulina não chega a milhões de pessoas

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Cientistas que descobriram a insulina há 100 anos se recusaram a lucrar com a descoberta e venderam a patente por apenas um dólar. Infelizmente, esse gesto de solidariedade foi suplantado por um negócio multimilionário que criou enormes lacunas de acesso.


Dados do IDF Diabetes Atlas 10ª edição relatam um aumento global contínuo na prevalência de diabetes, confirmando o diabetes como um desafio global significativo para a saúde e o bem-estar de indivíduos, famílias e sociedades. 537 milhões de adultos (20-79 anos) vivem com diabetes – 1 em cada 10. Prevê-se que esse número aumente para 643 milhões em 2030 e 784 milhões em 2045. Mais de 4 em 5 (81%) adultos com diabetes vivem em países de baixa e média renda. O diabetes é responsável por 6,7 milhões de mortes em 2021 – 1 a cada 5 segundos. O diabetes causou pelo menos US $ 966 bilhões em gastos com saúde – um aumento de 316% nos últimos 15 anos. 541 milhões de adultos têm tolerância diminuída à glicose (IGT), o que os coloca em alto risco de diabetes tipo 2.

Após os 65 anos a prevalência está em torno de 19%, devido a várias situações que envolvem os efeitos do processo de envelhecimento, entre eles a diminuição da sensibilidade à insulina, isso quando conseguem ter acesso à mesma. Por falar em insulina, Notícias ONU publicou recentemente uma matéria que reproduzimos aqui, falando que um século após a descoberta da insulina como tratamento para diabetes, ela permanece fora do alcance de muitas pessoas que vivem com a doença.

De acordo com um novo relatório recém divulgado pela agência de saúde da ONU,  “Cumprindo a promessa de 100 anos: tornando o acesso à insulina universal” os principais obstáculos ao acesso a esse medicamento vital para muitas pessoas; entre outros, estão preços altos, baixa disponibilidade de insulina humana, um mercado dominado por poucos produtores e sistemas de saúde fracos.

Lucro sobre a solidariedade

A diabetes é caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue que, com o tempo, podem danificar gravemente muitos órgãos e sistemas, incluindo o coração, vasos sanguíneos, olhos, rins e sistema nervoso. A insulina é a “pedra angular” do tratamento do diabetes, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha com países e fabricantes para expandir o acesso a todos os que dela precisam.

“Os cientistas que descobriram a insulina há 100 anos se recusaram a lucrar com a descoberta e venderam a patente por um único dólar”, explicou o CEO da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Infelizmente, esse gesto de solidariedade foi suplantado por um negócio multibilionário que criou enormes lacunas de acesso”, acrescentou.

A insulina não chega a milhões de pessoas

Existem dois tipos de diabetes. O tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil, é uma doença crônica na qual o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Para nove milhões de pessoas em todo o mundo com diabetes tipo 1, ter acesso à insulina torna a doença controlável.

A forma mais comum de diabetes é o tipo 2, que é comumente sentida por adultos e pessoas idosas. Ocorre quando o corpo se torna resistente à insulina ou não produz insulina suficiente.

A OMS afirma que para mais de 60 milhões de pessoas que vivem com diabetes tipo 2, a insulina é essencial para reduzir o risco de insuficiência renal, cegueira ou amputação. No entanto, uma em cada duas pessoas que precisam deste medicamento não o recebe.

Embora o número de pessoas com diabetes esteja aumentando em países de baixa e média renda, o uso de insulina não aumentou.

Além disso, apesar do fato de três em cada quatro pessoas com diabetes tipo 2 viverem fora da América do Norte e da Europa, elas representam menos de 40% da receita das vendas de insulina.

Fechando a lacuna de insulina

O relatório oferece medidas para melhorar o acesso à insulina e produtos relacionados. As ações incluem o aumento da produção e fornecimento de insulina humana e a diversificação da fabricação de biossimilares para criar concorrência e preços mais baixos.

A OMS explicou que os mercados mundiais mudaram da insulina humana, que pode ser produzida a um custo relativamente baixo, para insulinas sintéticas mais caras, que podem ser até três vezes mais onerosas.

A agência da ONU pediu uma melhor acessibilidade, regulando os preços e as margens de lucro por meio de compras conjuntas e maior transparência de preços, e fomentando a capacidade de manufatura local em regiões carentes.

Diálogo funciona

Ao mesmo tempo, a pesquisa e o desenvolvimento devem se concentrar nas necessidades dos países de baixa e média renda, enquanto o aumento do acesso à insulina deve ser acompanhado por um diagnóstico rápido, juntamente com o acesso a dispositivos acessíveis para injetar a droga e controlar a glicose no sangue.

A OMS tem trabalhado com a indústria farmacêutica para abordar algumas das barreiras à disponibilidade de insulina, medicamentos e tecnologias relacionadas, por meio de diálogos com associações comerciais e fabricantes.

Isso levou a vários compromissos da indústria, que vão desde o desenvolvimento de um plano de política para melhorar o acesso aos biossimilares de insulina até a participação no programa de triagem da OMS para insulina, medidores de glicose, tiras de teste e ferramentas de diagnóstico.

Diabetes e envelhecimento

Em 2017, a Federação Internacional do Diabetes publicou um relatório assinalando que a doença afeta mais de 420 milhões de pessoas em todo o mundo e que, em 2045, a tendência é desse número ser quase 50% maior. Em relação ao Brasil, o relatório aponta que aproximadamente 8% da população têm diabetes, proporção que varia de acordo a faixa etária.

Estima-se que após os 65 anos, por exemplo, essa prevalência seja em torno de 19%, devido a várias situações que envolvem os efeitos do processo de envelhecimento, entre elas a diminuição da sensibilidade à insulina. Idosos diabéticos chegam a perder três vezes mais massa muscular do que idosos não diabéticos.

Foto destaque de Nataliya Vaitkevich/Pexels


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Redação Portal do Envelhecimento

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