Alzheimer leva mais idosos às clínicas

É cada vez maior o número de idosos com Mal de Alzheimer em clínicas de repouso. As principais causas desse aumento são o envelhecimento da população, devido a uma maior expectativa de vida dos brasileiros, e a melhora no diagnóstico, apontam neurologistas.

Bruno Guedes

 

Na Clínica São Miguel Arcanjo, na Vila Nova, 60% dos 63 pacientes são portadores da doença. “Houve um aumento muito grande de 10 anos para cá. Eles chegam nos mais variados estágios do Alzheimer”, afirmou a psicóloga e administradora do estabelecimento, Rejane Correa.

A clínica atende ainda pacientes com problemas neurológicos como esclerose múltipla, Mal de Parkinson e vítimas de acidente vascular cerebral (AVC).

O Alzheimer também é predominante nos pacientes da clínica Amanhecer, na Vila Belmiro. Conforme Luciana Santos Veloso, assistente social da casa, 13 dos 18 atuais moradores têm a enfermidade, em alguns casos associada a outros problemas de saúde. A idade varia de 70 a 90 anos.

“Nossa preocupação é manter profissionais preparados para lidar com esse tipo de doença, porque a quantidade (de portadores) é cada vez maior”, ressaltou Cláudia Patrícia de Oliveira Moreira, sóciaproprietária da clínica São Judas Tadeu, no Campo Grande, onde um terço dos 36 pacientes apresenta o Alzheimer. Eles têm entre 77 e 96 anos.

“Não há nenhum dado comprovando que tem crescido a incidência da doença na terceira idade. Acontece que as pessoas estão vivendo mais”, afirmou o neurocirurgião Edson Amâncio.

A enfermidade é uma doença da terceira idade: são raros os casos de portadores da doença com menos de 60 anos. “Quanto maior a sobrevida da população, mais teremos casos de Alzheimer no Brasil porque mais pessoas estão na faixa de risco para desenvolvê-lo”, destacou Edson Amâncio.

Em Santos, o número de casos parece maior, afirmou o neurologista do Hospital Ana Costa Juarez Harding, pois a proporção de idosos é o dobro do índice brasileiro 16% da população tem mais de 60 anos, contra 8% no País.

Diagnóstico

Não há exames laboratoriais que acusem o Alzheimer no paciente. O diagnóstico é clínico. O primeiro sintoma é a perda de memória recente. “A pessoa almoça e daqui a meia hora esqueceu que almoçou. Toda experiência nova não fica consolidada”, afirmou Edson Amâncio. Já a memória de longo prazo não é comprometida.

Se não tratada no início, a enfermidade, que consiste na degeneração de células nervosas, começa a comprometer outras funções, como o raciocínio, a linguagem e até os movimentos.

Ainda não há cura para o Alzheimer.

Saiba mais

A Medicina ainda não descobriu as causas do Mal de Alzheimer, que resulta na degeneração dos neurônios, mas há um consenso de que quanto mais uma pessoa exercita o cérebro, menores as chances de desenvolver a doença. “O cérebro tem uma neuroplasticidade.

Qualquer estímulo faz com que sejam criadas novas conexões (de neurônios) no cérebro. Daí a ideia de que a doença acomete menos as pessoas com grande atividade mental. Mas é evidente que existem exceções”, afirmou Edson Amâncio. Por isso,a única forma de prevenção é manter o cérebro em atividade principalmente na terceira idade, ou após a aposentadoria,com tarefas manuais, leitura, palavras cruzadas, etc. Outra indicação é manter uma alimentação saudável, com baixo teor de gordura. Acredita-se que a genética também é um fator determinante para o desenvolvimento da doença. Recentemente, a clínica São Judas Tadeu recebeu um pedido de internação de um homem de 52 anos de idade, ou seja, fora do grupo considerado de risco e em plena atividade profissional, comprovando que outros fatores além do nível de atividade cerebral podem estar relacionados com a doença.

Fonte: A Tribuna. Publicado em 13/12/2008. Acesso em 16/04/2009. Acesse Aqui

 

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Redação Portal do Envelhecimento

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