Acessibilidade ajuda terceira idade em casa

As mudanças e adaptações em imóveis para aumentar a acessibilidade de pessoas idosas têm crescido no mercado. Isso acontece porque construtoras e arquitetos passaram a dar atenção para a necessidade de modificações voltadas para melhorar as condições de acesso de pessoas com mobilidade reduzida.

Amanda Sartori, do Rudge Ramos

 

Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, que passou de 66 anos em 1990 para 72 anos no ano passado, a preocupação em adaptar ambientes atraiu investidores.

Um estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que até 2025 o Brasil terá uma população de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos, colocando o país na 6ª posição em número de idosos. Atualmente, há 18 milhões de pessoas na terceira idade e um idoso em cada grupo de dez brasileiros.

Já dados de uma pesquisa da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da USP, mostram que cada vez mais pessoas acima de 60 anos optam por morar sozinhas, pelo baixo custo e maior acesso a hospitais e serviços gerais.

Segundo o arquiteto e urbanista Flavio Anauate, a preocupação com a acessibilidade vem crescendo com maior ênfase nos últimos dez anos. “Esta é uma demanda que sempre existiu, porém vem ganhando mais visibilidade e, consequentemente, pode ser considerado um nicho de mercado emergente”.

Anauate, profissional com especialização em acessibilidade, trabalha na Prefeitura de São Paulo, onde desenvolve e implementa projetos com este enfoque, em especial para espaços urbanos.
Com o crescimento significativo no número de idosos no país, o mercado imobiliário identificou uma necessidade nesse perfil de clientes que buscam empreendimentos adequados.

A Construtora Tecnisa foi uma das primeiras a construir empreendimentos voltados para esse campo, segundo divulgado no site da empresa e de sites que tratam de acessibilidade.

Com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), desenvolveu o projeto Construindo com Consciência Gerontológica, que identificou as principais carências, como barra de apoio em banheiros, piso antiderrapante, iluminação adequada, colocação de corrimões, substituição de rampas no lugar de escadas, fechaduras invertidas, eliminação de quinas e portas largas. E até detalhes que podem ser considerados insignificantes, mas que podem facilitar a vida de muita gente.

A Sudeste Engenharia, com sede em São Paulo, também passou a se preocupar com essa questão na hora de projetar seus empreendimentos. Segundo o engenheiro civil Antônio Carlos Martins David, a empresa também atende a essa demanda, já com projetos para construção ou com adaptações em ambientes abertos ou fechados.

David afirma que o custo de instalar um piso antiderrapante ou barras no banheiro costuma ser o mesmo de uma obra comum. “É preciso destacar que o custo dessas mudanças é menor se for pensar no quanto pode ser gasto no caso de algum acidente”, disse o engenheiro.

Ele acrescenta que “apesar do esforço, a movimentação das pessoas com mobilidade reduzida, como é o caso dos idosos, ainda é dificultada, já que apesar de haver leis que garantem esse direito, a fiscalização não é suficiente”.

A Lei n° 10.098, de 19/12/2000, estabelece normas e critérios básicos para promoção de acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Ela estipula a eliminação de barreiras e obstáculos em espaços e mobiliário urbanos, construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e comunicação. É uma lei obrigatória, por exemplo, em escolas, hospitais, clubes, cinemas, teatros, museus e edifícios públicos.

“A adaptação desses ambientes faz com que o idoso tenha mais segurança e, consequentemente uma melhor qualidade de vida”, afirmou o engenheiro civil.

A aposentada Irene Meneguet, 77, concorda com essa afirmação. Os filhos dela reformaram o banheiro para dar mais segurança a ela e ao marido, colocando barras laterais de apoio no vaso sanitário e no box. “A gente que é de idade precisa se segurar na hora de tomar banho ou na hora de ir ao banheiro.”

Mesmo com essas mudanças no imóvel, Irene explica que é importante saber dos limites do corpo na hora de realizar as atividades cotidianas. “Para gente todo lugar é perigoso. Se der uma tropeçadinha, você não se segura. Se eu me agachar eu não me levanto. Preciso por a mão em alguma coisa firme.”

Ainda de acordo com o IBGE, aproximadamente 15% da população do Brasil, cerca de 30 milhões de pessoas, sofre com algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida, seja ela temporária ou permanente.

Secretaria lança projeto preventivo
O SUS (Sistema Único de Saúde) apontou que 75% das lesões sofridas por pessoas com mais de 60 anos são causadas por acidentes domésticos. O levantamento também mostra que os gastos com o tratamento de fraturas aumentaram. O Ministério da Saúde alertou as secretarias estaduais e municipais sobre a necessidade de promover ações de conscientização para reduzir os índices.

Por isso a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo divulgou neste ano uma cartilha de Políticas de Vigilância e Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas. O projeto visa orientar a população e os profissionais da área da saúde sobre o problema. Também tem a finalidade de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce da osteoporose, que, segundo dados da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, atinge mais de 10 milhões de pessoas, em sua maioria mulheres e idosos.

A campanha, feita por meio da confecção de cartazes, folders e implantação de programas específicos de prevenção, visam uma alimentação saudável e atividades físicas que aumentem a resistência da população idosa. O SUS também deve fazer parte dessa iniciativa, com o aumento na oferta de exames, como o de densitometria óssea, os laboratoriais e os de imagem (radiografia, ultrassonografia de calcâneo).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, 20% das pessoas com mais de 60 anos que sofrem fratura no fêmur morrem após um ano, em decorrência do agravamento de doenças preexistentes no coração, no pulmão e nos rins. Dos que conseguem se recuperar, cerca de 30 a 40%, perdem a independência.

A fisioterapeuta Raquel Britto afirmou que o perigo de queda é um fator crucial na vida dos idosos, pois está associado a riscos permanentes como déficit visual, falta de equilíbrio e fraqueza muscular.
Para ela, a fisioterapia deveria ser estimulada, pois ajuda a melhorar a qualidade de vida. “Os idosos fazem as sessões somente quando estão realmente precisando, mas deveria existir um trabalho preventivo no início da terceira idade a fim de evitar quedas e suas complicações futuras.”

Existem diversos tratamentos disponíveis para cada tipo de lesão. Raquel explicou que “a fisioterapia auxilia na reabilitação e diminuição de dor”, com aparelhos de eletro-estimulação, infravermelho, hidroterapia, exercícios para ganho de amplitude de movimento das articulações e outros.

A fisioterapeuta reforça a importância de modificações na rotina para facilitar o dia a dia da terceira idade. “Mudanças de pisos na prevenção de escorregões, sapatos adequados, roupas com botões maiores ou velcros, colocar barra de apoio dentro do box e próximo ao assento sanitário, iluminação adequada em todos os cômodos da casa e principalmente perto da cama.” Para finalizar, ela acrescenta que, dependendo do caso, é importante a presença de um cuidador, com experiência, em tempo integral.

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Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

Fonte: Acesse Aqui. Publicado em: 22/06/2011 08:35

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