A Universidade Aberta em Caraguatatuba

No município de Caraguatatuba, litoral norte do estado de São Paulo, a Universidade Aberta chegou no dia 24 de Agosto de 1994, com o objetivo de refletir sobre os benefícios causados por esse trabalho pedagógico e social.

Lucia Helena da Silva Ayres, Divina de Fátima dos Santos e Zally P. V. Queiroz (*)

 

As universidades abertas são espaços de formação que se colocam à disposição da população idosa para oferecer conhecimentos capazes de promover melhor qualidade de vida, participação social, cultural e educacional dos seus alunos. Apresenta-se como uma ótima ferramenta para incluir o idoso em diversas atividades que compõem nossa atualidade, cabendo à universidade garantir uma formação emancipadora.

Trata-se de uma atividade pedagógica que visa à promoção da autonomia, e como tal precisa de ação e reflexão sobre o mundo, de modo a transformá-lo (FREIRE, 1987). Este entendimento exige dos idosos o desenvolvimento do pensamento crítico para a transformação que pode contribuir para o enfrentamento de novos desafios e a compreensão dessa nova realidade formada por um processo intenso de mudanças de valores e de modos de viver.

Embora a Constituição Federal e o Estatuto do Idoso determinem os direitos e o acesso do idoso à educação, apenas as universidades abertas à terceira idade são específicas para os idosos. A existência desses espaços direcionados aos idosos promove maior qualidade de vida e participação social desse público no Brasil.

A Universidade Aberta foi criada na cidade de Toulose, na França, por Pierre Vellas em 1960, após muitos estudos. Visava tirar os idosos de uma situação de isolamento, modificando sua imagem na sociedade, proporcionando-lhes vigor e energia. A primeira universidade aberta surgiu no Brasil em 1977. Promovendo o necessário convívio com outras pessoas, a universidade aberta surge com o propósito de criar, oportunizar, ampliar e atualizar os conhecimentos dos idosos, por meio de palestras, cursos e debates de fatos atuais e desenvolvimento de habilidades como artes plásticas, música, dança, artesanato, entre outras, visando à integração social (SALGADO, 1997).

No município de Caraguatatuba, litoral norte do estado de São Paulo, a Universidade Aberta chegou no dia 24 de Agosto de 1994, com o objetivo de refletir sobre os benefícios causados por esse trabalho pedagógico e social. Sua implantação se deu graças à Sociedade Grupos da Mulher, através da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) por iniciativa do Serviço Social do Comércio (SESC). O curso iniciou-se no salão Paroquial da Catedral do Divino Espírito Santo, então conhecida como Curso de Extensão para a Terceira Idade; cuja organização se dava em módulos com duração de quatro semestres.

O grande marco para o curso da Universidade Aberta foi no ano de 1997, quando a Faculdade Integrada Módulo interessou-se pelo curso, oferecendo seu prédio para sua realização. A partir daí, o curso passou por uma remodelação no seu conteúdo e forma. Durante esse período a Universidade Aberta passou por adequações, aumentando o número de alunos, mantendo o modelo de projeto do SESC, organizado por módulos.

No ano de 2000, por questões estruturais, ocorreram novas mudanças tanto de conteúdo quanto de localização e, mais uma vez, a universidade aberta muda de endereço, passando pelo salão Paroquial da Igreja Santo Antônio, onde ficou durante dois anos. Em 2003, mudou-se para a FUNDAC (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba) onde obteve um expressivo aumento no número de alunos, passando a ter duas classes. No ano seguinte o curso foi transferido para o Centro de Educação Profissional do Litoral Norte (CEPROLIM). Após cinco anos, em 2009, finalmente a Universidade Aberta retornou para o Centro Universitário Módulo, dando continuidade ao curso até o presente momento.

A universidade Aberta na cidade de Caraguatatuba, portanto, continua se organizando por módulos onde são abordados vários temas, entre eles: Arte e Artesanato, Biologia, Direito Básico, História, Meio Ambiente e Ecologia, Pedagogia, Psicologia, Saúde, sempre pautando temas da atualidade e políticas públicas e outros temas considerados relevantes pelas alunas que frequentam este espaço, respeitando as suas histórias e seus contextos sociais. As aulas são realizadas duas vezes por semana, às terças e quintas feiras, das 14h30 às 16h30 horas.

Em meio à complexidade do mundo atual e a forma de vida contemporânea, torna-se necessário promover a liberdade para a descoberta de novos conceitos e critérios para que o processo de envelhecimento ocorra de maneira tranquila, respeitando o idoso como sujeito de mudanças pronto a se posicionar, a responder a estímulos e a rever sua própria existência.

Desta forma, é nos espaços como a Universidade Aberta, que o idoso passa a encontrar meios de se capacitar para combater a indiferença, exclusão e a apatia, reivindicar mudanças, na construção de um mundo mais humano para um envelhecimento digno e viver uma velhice como cidadãos ativos. Estas posturas, porém, exigem muitas habilidades que devem ser assimiladas durante o envelhecimento, levando em conta suas especificidades.

Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
SALGADO, M, A. Os grupos e a ação pedagógica do trabalho social com idosos. A terceira idade, v.18,39, 2007.

 

(*) Lucia Helena da Silva Ayres – Graduação em Pedagogia no Centro Universitário Módulo de Caraguatatuba – SP; Divina de Fátima dos Santos  – Doutora em Psicologia pela PUC-SP. Docente da Faculdade São Sebastião e do Centro Universitário Módulo onde também é Coordenadora da Universidade Aberta a Maturidade. E-mail: divina.multiply@gmail.com; e 
Zally P. V. Queiroz – Assistente Social. Especialista em Gerontologia pela SBGG, Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP.  Atualmente é Presidente do Conselho do Idoso de Caraguatatuba.

 

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