“A única coisa que me angustia é o silêncio”

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Um velho romano confessa que sua maior angústia durante toda sua vivência de distanciamento social foi o silêncio e o medo de ser alvo do coronavírus.


Durante o confinamento dos italianos em suas casas, Roberto Fichera, 84 anos, cabelos brancos, só deixou sua casa para fazer o essencial: mercado e farmácia. O silêncio foi o que ele mais temeu, pois sendo a Itália um país de idosos, o mais velho da Europa segundo as estatísticas, a questão de seu isolamento o deixou apreensivo. Felizmente, para Roberto, que mora só e não pode dirigir, o bairro onde ele mora lhe ofereceu tudo o que precisava e tudo a pé.

Como todo mundo, ele enfrentou fila, respeitando a distância de segurança, mas muitas vezes teve permissão para passar na frente por sua velhice, aceitando de bom grado, “uma das únicas vezes que ser velho tem uma vantagem”, comentou rindo alto. Ele tolerou bem o confinamento forçado: “Sou caseiro e gosto de cuidar de casa, então comecei fazendo uma grande limpeza de primavera, o que me manteve ocupado por vários dias”.

Essa situação mudou sua vida diária. Teve muita angústia por causa do silêncio. Segundo ele as ruas ficaram silenciosas e vazias, sem carros, sem barulhos. Disse que até chegou a ouvir pássaros cantando bem no centro da cidade e confessou que todas as manhãs ele se “verificava”, afinal sabia que os mais velhos, mais frágeis, eram o alvo preferido do coronavírus.

Na Flórida, Estados Unidos, Anita Lammersdorf, 81 anos, americana-lituana, ex-agente imobiliária, declarou à imprensa que estamos em um período “onde tudo é incerto porque não sabemos como isso terminará ou o nível de gravidade que alcançará”. Ela usa um marcapasso, mas não é afetada por outras doenças que podem causar preocupação se infectada.

A Flórida tem a maior proporção de idosos nos Estados Unidos: 20,5% da população tem mais de 65 anos, de acordo com um estudo publicado em 2019 pelo Population Reference Bureau (PRB). A Flórida, o terceiro estado mais populoso do país, ainda tem 1,1 milhão de habitantes com mais de 80 anos.

Alguns estão em lares de idosos, mas a grande maioria vive independentemente em complexos residenciais reservados para idosos com campos de golfe, tênis e oficinas de bridge ou bingo. Por isso houve muitas mortes nessas moradias, o que não acontece tanto no país porque os idosos que vivem em moradias coletivas são muito poucos. A taxa de mortalidade entre pessoas acima de 80 anos é de 21,9%, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, realizado em parceria com as autoridades chinesas.

A epidemia do Covid-19, que causou o fechamento de fronteiras e milhões de pessoas em confinamento em todo o mundo, é particularmente letal para pessoas com problemas de saúde, incluindo problemas cardíacos e respiratórios, e para maiores de 60 anos.

Os Estados Unidos são hoje líderes absolutos nas estatísticas negativas da Covid-19 no mundo. O país é o único com mais de 100 mil óbitos e já beira os 2 milhões de casos confirmados pela doença. E o Brasil está em segundo lugar, e ao contrário do que aconteceu na Itália, aqui não há silêncio!

Solidariedade e fraternidade para com os idosos

Na França, a organização Petits Frères des Pauvres aponta que manter o vínculo social entre todos é uma prioridade e é possível para cada um agir. Propõe cinco maneiras de conciliar a preservação essencial dos vínculos, vital para os idosos e a necessária proteção da saúde:

1- Ligar para uma pessoa idosa – Se não é aconselhável visitar os idosos, a alternativa é ligar para eles.

2- Enviar um cartão postal ou uma pequena carta – Redescobrir o prazer de escrever algumas palavras no papel sempre é bom e, para os idosos, é muito prazeroso receber uma carta.

3- Comunicar-se através de ferramentas digitais – Para os mais conectados, também é possível enviar uma mensagem ou se comunicar via Facebook, WhatsApp, Messenger, Instagram, Twitter, etc.

4- Ajudar os idosos – Ir às compras, no correio, em busca de remédios … O confinamento e a falta de autonomia de alguns idosos podem complicar sua vida cotidiana. Pergunte a eles o que precisam e facilite suas vidas!

Foto destaque: visionpic.net/Pexels


Sofia Lucena

Sofia Lucena

Estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (SP). Colabora com o Portal do Envelhecimento fazendo traduções de temas relacionados à longevidade humana. E-mail: sofiacortel@hotmail.com

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