A Táboa de vida e as escolhas sociais

A Táboa de Vida, além de permitir os cálculos para nossa aposentadoria, revela que a expectativa de vida depende das condições sanitárias, de saúde e de segurança.


Passaram-se três meses desde que me aposentei por idade pelo INSS, mas continuo trabalhando e contribuindo, afinal não dá para parar, muito menos nestes tempos tenebrosos do Brasil. Criei este blog para falar, desde o lugar de fala, de minha velhice entre tantas existentes por aí e do longeviver.

Andei comentando em alguns lugares do impacto que tive ao receber a carta de concessão de minha aposentadoria pelo INSS. Após todos os cálculos realizados para definir qual seria “meu benefício”, após tantos anos de trabalho, vem a mensagem: Es – Expectativa de Sobrevida = 22,4 ano(s)

Fui atrás então dessa informação e descubro as Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil ou Táboa de Vida, que fornecem estimativas da expectativa de vida às idades exatas até os 80 anos, pois fazem uma breve análise da evolução da mortalidade no país.

As Táboas de vida são realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e são provenientes da projeção oficial da população do Brasil para o período 2010-2060. Portanto, elas, além de permitir que se conheçam os níveis e padrões de mortalidade da população brasileira, são utilizadas como um dos parâmetros necessários na determinação do chamado fator previdenciário para o cálculo dos valores relativos às aposentadorias dos trabalhadores que estão sob o Regime Geral de Previdência Social, como foi o meu caso.

No relatório de 2017, a última que está disponível, está assinalado que a Táboa Completa de Mortalidade é divulgada anualmente desde 1999 pelo IBGE, com data de referência em 1º de julho do ano anterior, de acordo ao Artigo 2º do Decreto Presidencial nº 3.266, de 29 de novembro de 1999, que aponta o seguinte: “É necessário, porém, salientar que a tábua de mortalidade, ou tábua de vida elaborada pelo IBGE constitui um modelo demográfico que descreve a incidência da mortalidade ao longo do ciclo vital das pessoas”.

Entre os principais indicadores extraídos da Táboa de vida estão:

1. As probabilidades de morte entre duas idades exatas, em particular, a probabilidade de um recém-nascido falecer antes de completar o primeiro ano de vida, também conhecida como a taxa de mortalidade infantil;

2. As expectativas de vida a cada idade, em especial, a expectativa de vida ao nascimento.

E o mais importante, diz ainda que tais indicadores “guardam associação direta com as condições sanitárias, de saúde e de segurança da população em estudo, constituindo um modelo de grande valor para avaliar e introduzir os ajustes necessários nas políticas sociais voltadas para a sociedade como um todo”.

Esta última frase reforça o que venho falando ultimamente, que envelhecer bem não é uma escolha individual, mas sim uma escolha social, pois depende das “condições sanitárias, de saúde e de segurança”. Mais claro que isso impossível!

Nascer no Maranhão já por si só é uma condição que faz a pessoa viver menos 8 anos de quem nasce em Santa Catarina, por exemplo. Deem uma olhada no gráfico e verão a influência do local de nascimento na expectativa de vida. E isso que não estamos falando de sexo, que é outra grande diferença.

Ante isso e o impacto que tive ao saber da Táboa de vida os anos que eu de fato tenho – é claro que posso viver mais ou menos do que 22 anos e quatro meses, mas também posso morrer atropelada na esquina ou por uma bala perdida – me colocou ante minha condição finita que sou. Somos finitos. E falar sobre ela, a morte, é importante, pois afasta muitos fantasmas e torna a vida mais leve e bela. Também me faz lutar para que o envelhecer bem seja de fato uma escolha social e não individual.

E eu gostaria de viver bem os anos que eu tenho para viver!

Para que possam brincar com a Táboa de vida, finalizo este texto reproduzindo a Táboa a partir dos 40 anos. Para saber quantos anos em média você terá, basta a partir dos anos que você tem olhar na coluna à esquerda e depois a última à direita, ambas estão em azul.

Depois me conte qual foi seu impacto!


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Beltrina Côrte

Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Iberoamericana de Psicogerontologia (Redip) e a Red Iberoamericana Interdisciplinar de Investigación en Envejecimiento y Sociedad (RIIIES). E-mail: beltrinac@gmail.com

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