A fotografia como ferramenta de trabalho no SUS

A fotografia, como ferramenta de trabalho, serve para gerar diálogos, discutir temas e potencializar o olhar dos idosos sobre o seu processo de envelhecimento.

 

Retratar o público da Terceira Idade participantes dos programas de promoção da saúde do município de Ribeirão Bonito e do asilo, promovendo-o a partir de encontros temáticos com a exposição de fotos atuais e antigas e apresentação oral da história contida naquele registro fotográfico, foram os principais objetivos de um projeto desenvolvido no município de Ribeirão Bonito, pelo Departamento Municipal de Saúde e coordenado por um grupo de articuladoras da Saúde da pessoa idosa composto por fisioterapeuta, enfermeira e terapeuta ocupacional.

É muito bom vermos projetos como esse ser reconhecido. Acreditamos que a fotografia como ferramenta de trabalho no SUS constrói saúde e cria maior imunidade ao oportunizar a partilha de experiências e memórias, permitindo a reflexão e o diálogo entre os participantes, especialmente um maior entendimento e aceitação do processo do envelhecimento.

Parabenizamos o município por esta iniciativa que culmina com exposições fotográficas e ações educativas para toda a população, ajudando-os a reconhecer a beleza no envelhecer, quando o que se propaga por este país afora é apenas doenças, tristezas, perdas e feiuras.

Este projeto mostrou que a fotografia pode ser uma ferramenta de trabalho, servindo de diálogo e discussão de temas importantes, além de potencializar o olhar dos idosos sobre o seu processo de envelhecimento.

O Projeto

A justificativa do projeto é categórica:Os idosos estão, cada vez mais, ocupando espaços em nossa sociedade. A expectativa de vida vem aumentando consideravelmente no mundo todo e também no Brasil. Mas é interessante observar que a nossa sociedade cultua o novo, o jovem, o magro e ‘sarado’. Existe uma rejeição ao velho, tornando difícil para a terceira Idade aceitar o processo de envelhecimento.”

Ante essa situação, e reconhecendo que o conceito de saúde não se restringe a doença, mas é muito mais, e portanto todos os profissionais da saúde deveriam se preocupar com a ‘saúde física, mental, social e cultural do idoso’; reconhecendo ainda que “muitas avaliações e expectativas estão centradas no declínio e nas perdas do envelhecimento, bem como a aceitação de uma visão deturpada da velhice”, que influencia negativamente o engajamento em comportamentos positivos de saúde, provocando efeitos sobre o tratamento oferecido pelos profissionais, o projeto das fotografias foi elaborado a fim de dar a “reconhecer que envelhecer bem não significa ausência de limitações e de desgastes, pois é preciso colocar em foco as potencialidades adaptativas e as competências que podem emergir com o envelhecimento, valorizando-o, afinal, as fotografias podem ajudar a observar isso.

Participaram do projeto mulheres acima de 60 anos, independentes, participantes de grupos, além de idosos dependentes moradores do asilo municipal, totalizando 100 pessoas idosas. Dos idosos retratados, foram selecionadas 60 fotos antigas. Aconteceram seis encontros temáticos e três exposições.

Como foi realizado?

As pessoas idosas foram convidadas a participar e as fotos eram realizadas apenas após assinatura de um termo de consentimento e uso de imagem. As pessoas idosas que queriam participar posavam para o retrato em frente ao fundo preto e eram clicados através de uma lente 50 mm. A imagem era transferida para um banco de dados no computador e usada posteriormente para revelação ou palestras, folders.

Já os seis encontros temáticos aconteceram com a duração aproximada de 2 horas e 30 minutos, tendo individualmente o espaço de 10 minutos para exposição de fotos e apresentação oral da história contida naquele registro fotográfico.

Para cada encontro, a pessoa idosa trazia uma foto vinculada ao tema definido: primeira infância e juventude, escola e trabalho, viagens e amigos, casamento e família, espaços urbanos e rurais, e o envelhecimento/ conclusão. Estas hoje constituem um acervo. Na conclusão desta atividade lúdica o registro fotográfico foi comparado com o registro trazido, o da criança, jovem ou trabalhador que este idoso foi um dia, permitindo um entendimento deste processo do envelhecimento, auxiliando aos participantes aceitarem esta etapa, seus significados, as marcas deixadas pelo tempo.

As fotos foram analisadas e comparadas e um material didático foi construído para exemplificar esta beleza do envelhecimento. Junto com estas fotos foram utilizados poemas que tratam sobre o envelhecimento, de escritores consagrados como Pablo Neruda, Rubem Alves, Cora Coralina, Mário Quintana, Olavo Bilac, entre outros. Este material foi divulgado nas palestras, blogs locais, redes sociais.

Serviço
Projeto: A fotografia como ferramenta de trabalho no SUS
Município: Ribeirão Bonito
Instituição Responsável: Departamento Municipal de Saúde
Coordenação da experiência: Articuladoras da Saúde da pessoa Idosa
Email da coordenação: saude@ribeiraobonito.sp.gov.br
Telefone institucional: (16) 3344-1488
Categoria da experiência: Atividades do setor Saúde indutoras da participação social da pessoa idosa (grupos de convivência; atividades culturais, artísticas, de recreação e lazer; ações intergeracionais; atividades que estimulem a participação na vida comunitária e cidadã; contro
Parceiros: Asilo Municipal, blog de notícias da cidade

 

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