Velhice e alcoolismo

Como o uso abusivo do álcool na terceira idade pode contribuir na maior debilidade e agravamento nas questões clínicas, bem como de comorbidades e demências comuns nesta idade.

Kátia Melissa Meirelles (*)

 

O interesse por este tema surge a partir da minha atuação como Psicóloga em um CAPS na cidade de São Paulo. Por meio dos atendimentos diários pude observar um aumento da população idosa que tem procurado o Serviço por uso e/ou abuso do álcool, apresentando maior debilidade e agravamento nas questões clínicas, bem como agravamento de comorbidades e demências comuns nesta idade. Os fatores que podem estar contribuindo para o aumento do consumo de álcool na velhice pode estar relacionado ao abandono, aposentadoria ou por vezes questões financeiras.

O envelhecimento é um processo universal, evolutivo e gradual, que envolve uma somatória de fatores, tais como sociais, psíquicos, ambientais e biológicos, que estão intrinsecamente relacionados e podem acelerar ou retardar esse processo. Existem, hoje, subgrupos de idosos, classificando-os em jovem idoso e idoso velho: o idoso jovem situa-se entre 60 e 75 anos, ao passo que idosos mais velhos teriam mais de 75 anos.

Nos termos da linguagem atual, os adultos em seus 50 e início dos 60 anos, ainda, são considerados como de meia-idade. Com o envelhecimento, ocorrem mudanças também no cérebro, principalmente, com uma alteração nas ramificações dos neurônios, que acarreta o efeito de retardar o tempo de reação em quase todas as tarefas, e como consequência pode ocorrer alterações na audição, no olfato e na gustação. Existe, também, uma grande proporção de incapacidades físicas causadas por doenças, como artrite, hipertensão arterial e doenças cardíacas, diabetes e alguns transtornos mentais; entre estes o alcoolismo, mesmo que existam controvérsias quanto à existência ou não de quadro clínico causado e/ou agravado pelo alcoolismo, com isso o diagnóstico e tratamento deste transtorno neste grupo se tornam cada vez mais importantes.

Algumas pessoas começam a fazer uso e/ou abuso do álcool precocemente, o que aumenta a prevalência da dependência. Estudos realizados evidenciam um aumento significativo na população idosa: 6 a 11% dos pacientes idosos admitidos em hospitais gerais apresentaram dependência alcoólica.

O uso e/ou abuso prolongado do álcool produz déficits no funcionamento intelectual e comportamental, sendo que seu abuso pode acelerar o envelhecimento normal ou levar ao envelhecimento prematuro do cérebro. Além disso, velhos alcoolistas se recuperam menos dos déficits cognitivos do que as pessoas mais jovens.

O consumo de álcool parece ser o hábito social mais antigo e disseminado entre as populações, pois ele está associado a ritos religiosos e lhe é atribuída uma variedade de efeitos, tais como calmante, afrodisíaco, estimulante do apetite, desinibidor e outros. Seu uso vem desde a Pré-História, porém, somente a partir do século XX, foram realizados estudos mais sistematizados, voltando para os problemas que o consumo abusivo de álcool vem ocasionando às populações, principalmente na população mais velha.

O alcoolismo é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, e não apresenta um padrão homogêneo no seu quadro clínico, evolução e fatores etiológicos. É sabido das consequências do uso agudo e crônico de álcool na estrutura cerebral, podendo causar grave síndrome neuropsiquiátrica associada à carência de vitamina   B1 (Wernicke-Korsakoff), frequentemente associada   a alcoolismo e desnutrição. Vários   autores   discutem   sobre   uma   possível   síndrome   determinada   pelas alterações corticais cerebrais atribuídas aos efeitos tóxicos do álcool, na ausência de déficits vitamínicos e subnutrição, chamada de “Demência alcoólica”.

 

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(*) Kátia Melissa Meirelles – Psicóloga. Trabalho   apresentado no Curso de Extensão chamado Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento, da Pontifícia  Universidade Católica de São Paulo, no primeiro semestre de 2017. E-mail: katiamelissameirelles@hotmail.com

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