USP oferece cursos gratuitos para idosos

Segunda-feira, 24 de julho, a UnATI (Universidade Aberta da Terceira Idade) do campi Butantã da Universidade de São Paulo (USP) abre inscrições para diversos cursos regulares e especiais.

 

Não deixe para a última hora. Dia dez de julho passado, quando abriram as inscrições no campi da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), conhecida também como USP Leste, quase todas as vagas foram preenchidas no primeiro dia.

Além da USP Butantã e da EACH, os campi da universidade no interior (Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos), também estarão recebendo inscrições de pessoas acima de 60 anos interessadas em se aperfeiçoar em várias áreas. Em média, nove mil alunos por semestre têm aproveitado a oportunidade para adquirir conhecimento e acabam por ampliar seu horizontes em outras direções. A proposta da UnATI é revolucionária, pois coloca o idoso, sem prestar vestibular, lado a lado com alunos de graduação. Uma experiência enriquecedora para todos, idosos, alunos de graduação e professores. Foi com este objetivo que a professora Ecléa Bosi (falecida recentemente)  idealizou a Universidade Aberta da Terceira Idade, mas é bom o idoso ficar atento e participar mais para não deixar o projeto se distanciar do seu objetivo inicial.

Criada em 1994, dez anos antes do Estatuto do Idoso sugerir a criação de cursos para a Terceira Idade, a UnATI é um exemplo para o Brasil e o mundo, mas está perdendo o foco no social e se inclinando para a área da saúde. Seu coordenador atual, dr. Egídio Lima Dórea, em entrevista recente para a Rádio USP chamou os candidatos aos cursos da UnATI de “pacientes”. Este “ato falho” diz muito sobre como os profissionais da saúde enxergam a pessoa acima de 60 anos.

Para atender a demanda crescente de idosos interessados nos cursos, a cada ano surgem mais disciplinas fora do projeto proposto pela fundadora (que seria a troca de experiência entre gerações). São cursos voltados exclusivamente para a Terceira Idade que segregam os velhos. Nada contra as disciplinas que são todas interessantes. A questão é que as vagas nos cursos regulares vão se tornando escassas, uma, duas, três, e isso frustra quem busca adquirir conhecimento e não apenas praticar atividades físicas. É importante que haja um equilíbrio na oferta.

O Portal do Envelhecimento esteve presente no primeiro dia de matrícula da EACH e conversou com alguns idosos. Muitos são veteranos, o que torna o ambiente caloroso. Uma espécie de encontro. Uma confraternização entre aqueles que se conhecem pelo nome e que acaba por envolver os novos candidatos, os calouros.

Os veteranos passam dicas sobre os cursos que já frequentaram, falam dos professores, das salas de aula, preparam o calouro. Alunos de graduação, voluntários, orientam os idosos quanto a burocracia. Todos solícitos e bem intencionados. O tratamento é respeitoso e o clima oscila entre tensão e euforia.

– Será que ainda tem vagas para o curso que escolhi?

– Gente, consegui!

Existem queixas. Nada muito sério, tanto que os queixosos deixam passar na hora de avaliar o curso para não prejudicar ninguém.

– Qual seria a queixa?

– Os jovens acham que estamos aqui para passar o tempo, porque não temos o que fazer, não percebem que queremos estudar, aprender.

– Por que não colocam isso na avaliação?

– Porque no semestre que vem já são outros voluntários e…

O problema é que esse outro voluntário acaba por reproduzir o mesmo comportamento. E tem aqueles que, na ânsia de ajudar, infantilizam o idoso.

Bom, nem tudo é perfeito, mas a UnATI procura fazer o melhor possível e é uma ótima alternativa para quem quer ampliar seus conhecimentos.

Foto: Natália Dourado/EACH

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Redação Portal do Envelhecimento

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