Todos temos direito a uma velhice saudável

É importante diferenciarmos o processo natural de envelhecimento do patológico, ou seja, senescência de senilidade.*

Simone de Cássia Freitas Manzaro

 

Existem algumas características descritas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que definem o envelhecimento natural, a senescência. Trata-se de um processo que compromete progressivamente aspectos físicos e cognitivos. Observa-se a diminuição do fluxo sanguíneo para os rins, fígado e cérebro, lentidão, diminuição das capacidades cardíacas, motoras, pulmonares, dentre outras, mas que não interferem na capacidade de sobrevivência do indivíduo.

No processo normal de envelhecimento ocorrem mudanças físicas, orgânicas e psicológicas inerentes ao ciclo natural da vida, tornando o idoso mais lento e sensível. Isto repercute na capacidade de defesa do organismo que fica mais suscetível a doenças, inclusive as crônicas, muito presentes nesta faixa etária, como pressão alta, diabetes, artrite, doenças pulmonares etc. Enquanto no processo patológico o envelhecimento acaba debilitando as funções estruturais e funcionais do sujeito, acelerando seu ciclo de vida.

A senilidade, o processo de envelhecimento patológico, é caracterizado por uma diminuição drástica das funções físicas e cognitivas, levando o sujeito a um quadro de demência.

Podemos considerar que o envelhecimento depende significativamente da genética e do estilo de vida assumido desde cedo por cada indivíduo. Ao longo da vida o organismo envelhece, é fato, mas é curioso observar que órgãos, tecidos, células e estruturas sub-celulares apresentam envelhecimento diferenciados.

Vimos que o processo de envelhecimento é um fenômeno biológico e universal para todos os seres vivos e não pode ser considerado doença, embora, em alguns casos, doenças consideradas crônico-degenerativas possam ocorrer ao longo da vida. Neste período, o sistema biológico mais comprometido é o sistema nervoso, responsável pelo processamento de informações e por manter a interatividade entre o indivíduo e o ambiente. Qualquer alteração em sua estrutura pode produzir diminuição de força e marcha, reflexos hiporresponsivos e alterações de sensibilidade.

Diante dessas condições, é necessário entender que junto com o aumento da estimativa de vida podem surgir algumas patologias muito frequentes na fase do envelhecimento e que devem receber uma atenção especial dos nossos governantes, pois, em médio prazo, podem se tornar uma questão de saúde pública.

Com base nas estatísticas de mortalidade, doenças do aparelho circulatório correspondem a 30% dos óbitos na população idosa, na sequência aparecem neoplasias, doenças do aparelho respiratório, doenças endócrinas e doenças do aparelho digestivo. Por fim, causas indeterminadas como quadros demenciais, principalmente a Doença de Alzheimer.

Estudos apontam que três em cada quatro idosos possuem doenças crônicas. É função das políticas de saúde contribuir para que mais pessoas atinjam idades mais avançadas com o melhor estado de saúde possível, ou seja, o envelhecimento saudável deve ser nosso objetivo. Se considerarmos a saúde de forma ampliada, tornam-se necessárias algumas mudanças no contexto atual em direção à produção de um ambiente social e cultural mais favorável à população idosa. Algo que devemos reivindicar desde já, pois é nosso futuro que está em jogo.

*Texto extraído do meu livro Alzheimer: identificar, cuidar, estimular: Práticas e atividades para se aplicar no dia a dia. Maiores informações sobre ele, veja abaixo.

Alzheimer: identificar, cuidar, estimular
Práticas e atividades para se aplicar no dia a dia

Formato: 14 x 21
Tamanho: 262 páginas
Papel/miolo: pólen 80gr
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Nota do Editor: Simone Manzaro corajosa e generosamente oferece neste livro ferramentas valiosas apreendidas no seu trabalho com idosos demenciados e que muitos profissionais da saúde cobram valores vultosos para revelá-las. Uma consulta com um especialista não orienta nem oferece tanto quanto este livro. Ele é importante para todos, jovens e velhos, profissionais da saúde, famílias e público em geral, pois não foca só a doença; sua maior preocupação é indicar caminhos para se ter qualidade de vida em qualquer situação.

 

Simone de Cássia Freitas Manzaro

Simone de Cássia Freitas Manzaro

Psicóloga, realiza atendimento psicológico de adultos e idosos. Voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz. Experiência em estimulação cognitiva para pacientes com demências; atua com estimulação cognitiva preventiva e consultoria gerontológica, orientando familiares e cuidadores, criando estratégias e atividades para lidar com o paciente no dia a dia, supervisionando treinamento prático. E-mail: simonemanzaro@gmail.com

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