Teste dirá como será nossa velhice

Não se trata de filme de ficção, mas da realidade mesma. A imprensa internacional anunciou recentemente que nos próximos meses estará disponível no mercado europeu um simples exame de sangue que pode determinar quão rápido a pessoa está envelhecendo e se vai viver muito ou pouco tempo.

 

A análise mede os telômeros, as regiões de DNA localizadas nas extremidades dos cromossomos, responsáveis pela divisão celular e na vida de uma célula. Os telômeres também estão envolvidos em doenças como o câncer.

Como eles marcam o número de divisões celulares, os cientistas acreditam que estas estruturas são um dos indicadores mais precisos e importantes da velocidade com que uma pessoa envelhece biologicamente.

O teste, criado pela doutora Maria Blasco, Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas da Espanha e a empresa Life Length, consiste no primeiro passo para a fase de comercialização.

Segundo a pesquisadora, “não se trata de determinar quando uma pessoa pode morrer, mas sim informar o comprimento dos telômeres e a qual faixa etária eles correspondem, ou se eles são mais curtos ou mais longos que o normal”.

Portanto, em breve, os interessados terão a oportunidade de enviar uma amostra de sangue para o laboratório para saber o comprimento de seus telômeros. O teste indicará a sua “idade biológica”, que pode ser maior ou menor do que sua idade cronológica. “E o mais importante, podemos determinar a presença de telômeros perigosos: aqueles que são extremamente curto”, acrescenta a pesquisadora.

Para alguns cientistas, os testes de telômeros devem ser realizados rotineiramente na próxima década, no entanto nem todos concordam com a utilidade que este teste terá na vida das pessoas. Saber o “quão velho” se é biologicamente trará algum benefício? Por que não se investe então em saber a idade Kairós, ou seja, a idade percebida do tempo vivido?

Pelo contrário, o teste pode ser utilizado para outro uso, não ético, por exemplo, como por empresas de seguro de vida e outras com o objetivo de determinar o risco de uma pessoa morrer prematuramente ou sofrer uma doença fatal.

Segundo a pesquisadora, já se sabe que “as pessoas que nascem com telômeros mais curtos correm o risco de apresentarem determinadas doenças associadas com o envelhecimento, como as cardiovasculares, a susceptibilidade a certas infecções ou distúrbios neurológicos.”

Para a doutora Blasco, “o comprimento dos telômeros não determina uma maior longevidade, nem necessariamente indica que aquela que tem telômeros curtos vai desenvolver de fato essas doenças.

Colegas da pesquisadora dizem que muitos preferirão não conhecer sua “idade biológica”, especialmente porque até o momento ainda não há opção para “inverter” o comprimento dos telômeros. O que é rebatido pela mesma, ao assinalar que esta situação é semelhante ao teste que determina o nível de colesterol em um indivíduo. Segundo ela, “quando os cientistas começaram a encontrar uma associação entre níveis elevados de colesterol e risco de doença cardiovascular, não havia na época tratamento para reduzir o problema do colesterol.”

Em declaração à imprensa, a cientista comenta que “o teste está sendo realizado para fornecer mais informações sobre a pessoa que poderia mudar seu estilo de vida, assim como ocorreu com o teste do colesterol”. Ela continua, “se eles são mais curtos que o normal, esta informação pode ser útil para a pessoa mudar seu estilo de vida”.

De acordo com informações da empresa, o custo do teste será em torno de 700 dólares.

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Redação Portal do Envelhecimento

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