Superpopulação preocupa, o que será dos nossos jovens e velhos?

Será que a realidade que vivemos hoje poderia ser diferente do preocupante relatório da ONU anunciado nesta última quarta-feira? Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) através do relatório ‘Situação da População Mundial 2011’, a resposta seria não, vivemos e ainda enfrentaremos desníveis sociais assustadores: “Em alguns países pobres, as altas taxas de fertilidade minam o desenvolvimento e acentuam a pobreza, enquanto nas nações mais ricas, a preocupação é com a baixa fertilidade e o número reduzido de pessoas que entram no mercado de trabalho”.

 

Segundo a reportagem, “o estudo mostra que, tanto em nações ricas como pobres, o padrão de vida dos idosos está totalmente ligado às tendências observadas entre a população jovem. Em países pobres, por exemplo, jovens desempregados migram das zonas rurais para as cidades ou para outros países onde as opções de emprego são melhores. E acabem deixando para trás familiares idosos que muitas vezes ficam sem o apoio que necessitam. Já em nações mais ricas, o número baixo de jovens implica em incertezas sobre quem irá cuidar dos idosos no futuro e pagar benefícios como a aposentadoria.”

Outras soluções precisam, urgentemente, serem pensadas. Velhos pobres morrem completamente abandonados já que seus filhos rumam para as capitais em busca de oportunidade de trabalho. Não há recursos na região onde vivem, obrigando os jovens a saírem de seus lares em busca de sustento e auxílio para a família que fica. A questão é triste e complexa, a carência impera dos dois lados. Solidão e privação para quem espera por ajuda e risco e incerteza para quem se aventura em novas paragens.

A população mundial, segundo a ONU, está crescendo a uma velocidade jamais vista e vai chegar a 7 bilhões no dia 31 de outubro. Jovens e crianças enfrentam e enfrentarão situações jamais vistas:

“Atualmente, as pessoas de 24 anos ou menos formam metade dos 7 bilhões de habitantes (sendo que 1,2 bilhão tem entre 10 e 19 anos) do mundo”, constituindo o elevado nível de desemprego, um dos grandes desafios apontados pelo relatório.

“No auge da crise econômica, a taxa de desemprego global nessa faixa etária chegou aos níveis mais altos já registrados: de 11,9% para 13% entre 2007 e 2009. Em particular as mulheres jovens são as que encontram maior dificuldade em encontrar emprego.”

Como já foi dito, as implicações sociais em decorrência do desemprego, tomam proporções preocupantes em algumas regiões. “Como exemplo, o relatório lembra que o alto índice de desemprego entre jovens árabes – que chegou a 23,4% – teria agido com uma espécie de fenômeno catalisador nas revoluções da chamada Primavera Árabe.” Se pensarmos um pouco mais, este crescente da população jovem pode estar influenciando, também, o milagre econômico da China – e, talvez até, o declínio do Ocidente.

De acordo com o relatório da ONU, as altas taxas de gravidez entre adolescentes, em determinadas regiões da África Subsaariana, na América Latina e Caribe, exigem atenção das autoridades e população. E ainda nos países pobres ou em desenvolvimento, deficiências no setor da educação, mediante o atual ritmo do crescimento populacional, podem criar mais distorções sociais.

O relatório ainda aponta como exemplo a carência da Índia em relação as exigências de uma educação cada vez mais exigente versus uma pobreza galopante: “Geógrafos e cientistas sociais estão céticos e questionam como tantos jovens vão estar prontos para terem vidas produtivas em uma economia cada vez mais sofisticada e complexa, quando mais de 48% das crianças indianas estão mal nutridas e apenas 66% completam o ensino primário”.

Vivemos situações opostas e descontroladas, cada qual com sua realidade. Se pensarmos nos países ricos, a grande preocupação vem no sentido contrário; o encolhimento da população pode trazer sérias consequências para a economia e para a sustentação da Previdência Social.

A reportagem coloca como exemplos dessa situação a Finlândia, assim como outras nações europeias, o Japão e a Coreia do Sul. “Lá, as mulheres ficam no mercado de trabalho por muito mais tempo, adiando o casamento e a gravidez – ou mesmo decidindo por não ter filhos. Para lidar com essa situação – que, segundo o relatório, talvez seja o mais grave dos problemas sócio-econômico da Finlândia – o governo vem investindo fortemente em programas para incentivar o aumento da natalidade.”

A questão torna-se grave, na medida que, com o tempo e o passar dos anos, o casal acaba não vendo sentido em ter filhos, pois já adotaram um estilo de vida adequado as necessidades que se impõem com a realidade. A afirmação é delicada, difícil; mas filho custa caro, muda o ritmo de vida do casal, muitas vezes até limitando, restringindo uma liberdade desfrutada até então. Isto sem falar das questões profissionais (impedimento das prováveis promoções de carreira) que uma gestação acarretaria.

Falando em envelhecimento, o documento da agência da ONU, afirma que “atualmente há 893 milhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo. Até a metade deste século, este número vai praticamente triplicar, chegando a 2,4 bilhões. A expectativa de vida média atual é de 68 anos, quando era de apenas 48 anos em 1950. O envelhecimento populacional está ocorrendo inclusive em países onde a renda da população é considerada baixa ou média.”

O documento ainda afirma que “todos os países – ricos ou pobres, industrializados ou ainda em desenvolvimento – estão vendo suas populações envelhecer em um grau ou em outro. O crescimento populacional entre idosos será mais rápido que em outros setores da população pelo menos até 2050.”

Fread Pearce, autor de ‘Peoplequake: Mass migration, ageing nations and the coming population crash’, ironiza: “Desconfio que a orgia econômica global do século 20 tenha sido produto de uma população jovem e em franco crescimento. Ela vai morrer à medida que envelhecermos. A década perdida do Japão, e sua provável reprodução no mundo ocidental, talvez constituam o primeiro sinal disso. E já não era sem tempo. Todos sabemos que não podemos continuar como estamos. O planeta não o suportaria. A festa acabou.”

Referências

LOPES JUNIOR, M. (2011). Número recorde de jovens e idosos é desafio para países, diz ONU. Disponível Aqui. Acesso em 30/10/2011.

PEARCE, F. (2011). O crash demográfico vai matar nossa economia. Disponível Aqui. Acesso em 30/10/2011.

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Redação Portal do Envelhecimento

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