Solidão em idosos: dificuldades na vida moderna

Atualmente estou com 89 anos, sou viúva há 15 anos, tenho cinco filhos, 8 netos. Moro sozinha num pequeno apartamento, mas sinto muita solidão e falta de carinho de minha família. Nos fins de semana fico sem receber nenhuma ligação ou visita. Sinto tristeza e inutilidade existencial!!!

 

A solidão é uma sensação subjetiva, influenciada por determinantes sociais, pessoais e situacionais. Como pode-se compreender, a solidão tem muitos significados que derivam da forma como cada pessoa diante de cada situação avalia essa sensação e de que modo lida com a mesma, como assinala Fernandes (2007).

A velhice, que é uma etapa de nossa existência, caracteriza-se pela mudança de papéis e pela alteração de alguns deles, tais como a falta do estatuto profissional, alteração nas relações familiares e nas redes sociais (Figueiredo, 2007).

Essas mudanças são inevitáveis pois a velhice é uma etapa especialmente intensa de perdas afetivas. Assim, segundo Oliveira (2008), o desafio principal do envelhecimento é o confronto com essas perdas, o que vai exigir um esforço por parte do idoso para adaptar-se a essas situações e se reorganizar para manter a qualidade de vida desejada.

No atendimento em instituição de longa permanência onde atuei por 16 anos, percebi a importância das relações sociais pois oferecem suporte afetivo e sentimento de pertencimento. As atividades grupais influenciam o bem-estar psicológico e a satisfação com a vida, pois amenizam a sensação de estar sozinho.

Já em consultório, utilizo uma intervenção terapêutica baseada na memória autobiográfica que possibilita a pessoa reviver sua trajetória de vida, vivenciando momentos bons e também mais dificultosos, mas que possibilitam uma integração pessoal e reorganização afetiva, adquirindo um novo controle pessoal para lidar melhor com a solidão.

Atualmente, na vida moderna cuja impessoalidade, indiferença e competividade contribuem para falta de importância e de utilidade ao idoso, o contato com outras pessoas e adoção de novos sentidos de vida promovem um novo bem-estar no entardecer da vida.

Vamos lidar com a solidão de vida moderna!!!

Referências

Fernandes, H. J. (2007). Solidão em idosos do meio rural do Concelho de Bragança. Lisboa: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (Dissertação de Mestrado).

Figueiredo, D. (2007). Cuidados familiares ao idoso dependente. Lisboa: Climepsi Editores.

Oliveira, J. B. (2008). Psicologia do idoso: Temas complementares. Porto: Livpsic-Psicologia.

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP, especialista em Gerontologia pela SBGG e doutoranda em Ciências da Saúde na Faculdade de Saúde Pública da USP. E-mail: eliananovaespa@hotmail.com

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