Se adaptando a um mundo cada vez mais envelhecido. O que devemos aprender?

se-adaptando-a-um-mundo-cada-vez-mais-envelhecido-o-que-devemos-aprenderNinguém nega que com o passar dos anos há modificações biológicas das capacidades sensoriais; visão, audição, percepção do mundo, de si mesmo com efeitos sobre a interpretação da realidade. Assim é o envelhecimento, esse misto de modificações e de potência. Nos tornaremos velhos um dia, mas antes disso, modificaremos o pensar sobre “as velhices”.

Gislaine Gil *

 

O envelhecimento não pode ser visto em uma única perspectiva; “a decadência final” dos nossos últimos anos de vida. Os estudos científicos apontam cada vez mais que grande parte dos idosos percebem a vida como agradável e são capazes de responder as exigências de seu ambiente.

Ninguém nega que com o passar dos anos há modificações biológicas das capacidades sensoriais; visão, audição, percepção do mundo, de si mesmo com efeitos sobre a interpretação da realidade.

Há modificações motoras, aumento da fatigabilidade, atenuação do reflexo e, consequentemente, alteração na autonomia funcional, mas se lhe derem a chance de atravessar a rua com mais tempo e calçadas niveladas; “ufa” tudo se torna menos custoso! O reflexo, o equilíbrio, o conhecimento do corpo se altera, mas ambientes adaptados; com corrimão, sem tapetes, boa iluminação e sinalização tornam as quedas menos frequentes e aumentam as chances dos idosos quererem sair e ver os amigos.

O cérebro está em média 10% mais leve, pela diminuição do córtex, atrofia dos hemisférios; impactando em alterações no funcionamento cognitivo, mas que não é nada uniforme entre as funções e se dermos a chance de estimulação postergamos esse impacto.

Idosos necessitam parar e pensar o dia em que se encontram do ano; suprem a data que foge da mente relacionando com algum acontecimento especial – data de aniversário da neta, comemoração do Natal; utilizam da motivação para a memorização.
O processamento da informação se torna mais lento, mas para que a pressa? Idosos podem ler novamente as notícias do jornal e jovens podem repetir a informação para seus queridos avôs, não é verdade?

A atenção dividida que é a capacidade de realizar mais de uma atividade simultaneamente pode estar mais difícil se uma das tarefas é mais complexa, mas por que não realizar uma de cada vez. No restaurante podem se distrair com os diversos barulhos à sua volta, mas o garçom lhe dará uma mesa num local de menor passagem de clientes e protegido de interferências.

A linguagem se incrementa com o tempo, visto o vocabulário mais rico com a intensificação da leitura e os sinônimos adquiridos nas palavras cruzadas. Palavras ficam “na ponta da língua”, mas se lhe jogarmos uma pista; como a sílaba inicial, o discurso volta a ser fluente e prazeroso.

Tomar decisões, solucionar problemas, ser flexível poderá ser mais difícil, para alguns idosos, aos 85 anos, mas se tivermos paciência em explicar melhor os diversos pontos de vistas, com carinho e atenção eles se dobram ao novo. Olha só, já estão se apossando do Facebook e das redes sociais.

E a memória?
Ah, a memória … lhes ensinaremos estratégias de memorização, como repetir, associar e quando a memória de trabalho falhar lhe daremos uma calculadora para saberem quanto estão gastando na despesa do supermercado. Não precisam reter os valores e fazerem os cálculos dos produtos tudo na mente, nem os mais jovens fazem isso!
Tudo pode estar mudado; o “ninho vazio” agora parece mais um ninho cheio. Os filhos, em sua maioria, saíam de casa quando ficavam independentes ou atingiam a maior idade. Mas, com a “geração canguru” se dá menos foco às relações conjugais e voltam-se os papéis parentais. Quando o filho atinge o sucesso profissional, vem logo a sensação de vitória e dever cumprido; Figueiredo que o diga.
E assim é o envelhecimento, esse misto de modificações e de potência. Nos tornaremos velhos um dia, mas antes disso, modificaremos o pensar sobre “as velhices”.

Referências
Gil, Gislaine e Busse, Alexandre Leopold. Ensinar A Lembrar: guia prático para ajudar a reconhecer e melhorar problemas de memória. 2a. ed., Casa Leitura Médica, 2016.
Gil, Gislaine. Vigilantes da Memória: programa intergeracional multidisciplinar de estimulação cognitiva. 2014. 109 f. Dissertação (Mestrado em Gerontologia) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014.
Figueiredo, Mariana Grasel de. Ninho cheio, geração canguru: a permanência do filho adulto em casa segundo a perspectiva dos pais. 2008. 193 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

* Gislaine Gil – Psicóloga e mestre em Gerontologia. É Coordenadora do Programa Cérebro Ativo; Coordenadora do Curso de Estimulação Cognitiva Intergeracional teoria e prática
Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa – IEP – Hospital Sírio Libanês. Site: Acesse aqui e Aqui

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