Problemas de saúde bucal têm consequências para todo o corpo

Fernando Luiz Brunetti Montenegro, odontogeriatra e doutor pela Faculdade de Odontologia da USP, explica porque se deve inserir a saúde bucal na receita para viver bem o longeviver. Afinal, problemas como abcessos, inflamações de gengiva e cáries têm consequências para todo o corpo.  Eles estão ligados, inclusive, a doenças cardiovasculares, diabetes, pneumonia e problemas estomacais. 

Leticia Orlandi *

 

Embora pareça lógico, muita gente se esquece de que todos os sistemas do corpo são interdependentes. Logo, problemas de saúde bucal, como abcessos, inflamações de gengiva  e cáries, têm consequências para todo o corpo. Eles estão ligados, inclusive, a doenças cardiovasculares, diabetes, pneumonia e problemas estomacais. Incluir um check-up de saúde bucal nas consultas periódicas é fundamental, pelo menos uma vez a cada seis meses.

Usar a escova de dentes corretamente, depois de cada alimento ingerido; passar o fio dental com calma, pelo menos uma vez por dia; pedir indicação ao dentista de escova interdental e limpador de língua são cuidados que mantêm o mau hálito bem longe e ajudam a evitar várias doenças, inclusive a depressão! Próteses ou aparelhos devem receber limpeza a cada refeição  e controle periódico por um dentista.

A boa alimentação é a chave não apenas para manter o peso ideal e garantir os nutrientes necessários para o organismo. A dieta equilibrada, com baixo índice de açúcares e evitar alimentos ultraprocessados, ajuda a reduzir as chances de perder um ou mais dentes e de precisar de uma prótese parcial ou total – a famosa dentadura. A perda de dentes não é característica da idade ou azar, e sim consequência da falta de cuidado adequado durante sua vida.

Fluxo salivar e mastigação

O uso de alguns medicamentos e os maus hábitos podem provocar a redução do fluxo salivar. Essa condição, chamada xerostomia ou boca seca, prejudica a mastigação e aumenta incidência  de  cáries, de inflamações oportunistas e aumenta muito o mau hálito. O desconforto na alimentação estimula o consumo de doces e a redução de fibras na dieta, afetando a absorção de bons nutrientes e o trânsito digestivo. A consequência é a constipação intestinal e a proliferação bacteriana, em um ciclo propício a doenças que podem levar até à morte. Conversar com o médico e o dentista para ajustar a dose dos medicamentos e nunca praticar a automedicação são dicas importantes!

As desculpas como “correria” e “pressa” na hora de cuidar da boca devem ser evitadas. Assim como evitar mastigar poucas vezes os alimentos e engolir grandes pedaços. Agindo assim, de forma errada, não há tempo para que a saliva inicie uma pré-digestão dos alimentos e o caminho fica aberto para úlceras, gastrites e outros problemas digestivos.

A falta de tempo é sempre justificativa para um lanche na frente do computador ou da televisão, sem a devida higiene bucal posterior. Se comeu, tem que limpar os dentes rápido e bem feito com a escova de dentes e o fio dental, ou escova interdental caso um dentista tenha feito esta indicação.

 

*Escrito por Leticia Orlandi, jornalista e formadora de conteúdo em Minas Gerais. Fernando L.B. Montenegro é mestre e doutor pela Faculdade de Odontologia da USP, coordenador de Cursos de Especialização em Odontogeriatria na ABO-SP e coautor de dois livros pioneiros sobre Odontogeriatria no Brasil (2002 e 2013). Artigo publicado em 1/08/2016 em link: http://publieditorial.uol.com.br/2014/colgate/cinco-motivos-para-incluir-a-saude-bucal-na-formula-da-vida-saudavel/. 

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