Polifarmácia e seus perigos

A polifarmácia, representada pelo uso de cinco ou mais medicamentos por uma única pessoa, cresce cada vez mais na população idosa e traz graves riscos a essa parcela etária.

 

Vivemos em um mundo repleto de avanços tecnológicos e, seguindo essa evolução, a área da saúde também caminha a passos largos. Dessa forma, podemos observar importantes conquistas para os que precisam de cuidados médicos, incluindo o aparecimento de novas medicações. Nesse sentido, temos um aumento relevante do número de remédios disponíveis no mercado e, somado a isso, vivemos em uma sociedade (de certa forma) medicalizada. Para terem ideia, no Brasil houve o aumento de 500% no aparecimento de medicações disponíveis no mercado.

O uso de medicamentos, incluindo os que surgem na atualidade, representam de forma generalizada um melhor controle das doenças e males que enfrentamos. As intervenções medicamentosas são, inclusive, a forma de cuidado mais utilizada para o tratamento de doenças. Entretanto, o constante uso de medicamentos também trouxe problemas relacionados a efeitos adversos relacionados a sua utilização.

Sabemos também que, com o avanço da idade, mudanças orgânicas ocorrem no corpo humano e a proporção de doenças crônicas aumentam significativamente, tendo como consequência o aumento do consumo de remédios pela população idosa.

O problema que quero evidenciar está justamente nessa junção perigosa: idosos e o consumo de muitos remédios simultaneamente.

A polifarmácia, representada pelo uso de cinco ou mais medicamentos por uma única pessoa, cresce cada vez mais na população idosa e traz graves riscos a essa parcela etária. Muitas vezes, por possuir mais de um problema de saúde, o idoso é submetido ao uso de drogas que podem ser mais maléficas do que benéficas à sua saúde.

O consumo de múltiplos remédios aumenta consideravelmente os riscos como toxidade cumulativas, erros, menor adesão ao tratamento das doenças e morbimortalidade. Também representa um aumento nos custos assistenciais com a saúde, incluindo o próprio custo para tratamento das repercussões advindas desse consumo. Além de efeitos adversos que aparecem apenas nos idosos (devido alterações fisiológicas do envelhecimento) a interação entre os remédios são os principais responsáveis pelos malefícios dessa prática.

O uso racional de agentes farmacológicos deve ser estimulado, principalmente aos idosos. Sabemos que o consumo desses remédios são essenciais para uma melhora qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças, entretanto, a vulnerabilidade biológica dos idosos é conhecida, estudada e divulgada, e o consumo de medicamentos realizados por eles devem ser utilizados de maneira segura e consciente.

 

Nélio Borrozino

Nélio Borrozino

Enfermeiro, especialista em Informática em Saúde pela UNIFESP e graduando em Direito pela Faculdade Municipal de São Bernardo do Campo (FDSBC). É Supervisor de Pesquisa e Educação Continuada em uma empresa de gerenciamento de riscos. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Prevenção de Doenças, Promoção da Saúde e Gerontologia. Foi membro do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da Faculdade de Medicina da USP. Atua com Informática em Saúde com foco em Gerenciamento de Doenças Crônicas, Prontuário Eletrônico e Tele-Enfermagem.

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