Pessoas com Alzheimer podem ter mais bactérias em seus cérebros

Pessoas com Alzheimer podem ter níveis mais elevados de bactérias em seus cérebros em comparação com pessoas sem a condição, sugere um novo pequeno estudo.

Por Rachael Rettner (*)

 

Embora se reconheça a necessidade de mais pesquisa para confirmar os achados, o estudo recém publicado na revista Frontiers in Aging Neuroscience pode fornecer evidências para apoiar a hipótese de que inflamação – incluindo a inflamação de infecções bacterianas – contribui para a doença de Alzheimer, disseram os pesquisadores do estudo.

A doença de Alzheimer é uma doença cerebral progressiva em que células cerebrais se danificam e morrem, levando ao encolhimento do cérebro, de acordo com a Clínica Mayo. Não se sabe exatamente o que causa essa morte celular cerebral, mas pensa-se que o acúmulo anormal de uma proteína chamada beta-amilóide desempenha um papel importante.

Ainda assim, alguns pesquisadores agora pensam que inflamação no cérebro também pode contribuir para a doença de Alzheimer.

“Os cérebros com Alzheimer geralmente contêm evidências de neuroinflamação, e os pesquisadores pensam cada vez mais que isso poderia ser uma possível causa da doença, causando a degeneração de neurônios no cérebro”, declarou o o co-autor da pesquisa David Emery, pesquisador da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Essa inflamação pode ser uma reação às bactérias no cérebro, disseram os pesquisadores. Embora a barreira hematoencefálica do corpo geralmente impede que os microrganismos e certos produtos químicos entrem no cérebro, esta barreira pode não funcionar perfeitamente em pessoas em risco de doença de Alzheimer, e as bactérias podem de fato entrar no cérebro, disseram os pesquisadores.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram amostras de tecido cerebral pós-morte de oito pessoas que tinham doença de Alzheimer e seis pessoas que não tinham a condição (Todos os participantes declararam que seu tecido cerebral deveria ser doado para pesquisa médica após a morte). Os pesquisadores usaram sequências de DNA para detectar genes bacterianos.

Os cientistas descobriram que os cérebros dos pacientes de Alzheimer tinham sete vezes mais sequências genéticas bacterianas do que os cérebros das pessoas que não tinham a doença.

Grande parte dessa diferença foi devido aos níveis mais altos de bactérias pertencentes a uma família chamada Actinobacteria nos pacientes com Alzheimer. Mais especificamente, os pesquisadores encontraram níveis mais altos de uma bactéria chamada Propionibacterium acnes, que está ligada à acne, mas também cresce no cérebro e pode causar inflamação no corpo.

De acordo com os pesquisadores, as características de P. acnes fazem com que seja “uma boa candidata para uma fonte bacteriana de neuroinflamação” no cérebro de pacientes com Alzheimer.

No entanto, segundo os cientistas, o novo estudo não prova que as bactérias desempenham um papel no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Para eles, mais estudos são necessários para determinar melhor a quantidade de bactérias presentes no cérebro quando uma pessoa tem e quando não tem a doença de Alzheimer, e se essas bactérias estão envolvidas em doenças cerebrais.

(*)Rachael Rettner, escritora sênior. Artigo original em Live Science. Tradução livre por Sofia Lucena, colaboradora do Portal do Envelhecimento.

Sofia Lucena

Sofia Lucena

Estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (SP). Colabora com o Portal do Envelhecimento fazendo traduções de temas relacionados à longevidade humana. E-mail: sofiacortel@hotmail.com

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