Pegar ou largar: oportunidade para quem tem 30 anos

Me refiro a oportunidade de nos relacionarmos com o envelhecimento de forma positiva desde jovens. Saber que ele vem, que ele muda nosso corpo, muda nossas agilidades e muda o nosso relacionamento com o mundo.

 

Oportunidade! Estamos diante de uma oportunidade e talvez não saibamos ao certo como aproveitá-la. Mas agora é o momento! Você que quem tem 30 e poucos anos, ou talvez, um pouco mais ou um pouco menos. As oportunidades são para aqueles que as reconhecem, então, como reconheço esta, vou dividir com vocês.

Quem tinha 30 e poucos anos na década de 80 com certeza não pensava muito no envelhecimento. Os “velhos” daquela época já eram as pessoas de 50 e poucos, que já eram avós, certo? Alguns trintões daquela época conheciam algumas pessoas de 80, que eram os “bem velhinhos”. Já não se tinha mais muito o que fazer. Era aposentadoria, cuidar dos netos, programa Silvio Santos e consultas no INPS. Para que pensar a respeito? Não se falava muito em longevidade. As informações eram restritas e os principais problemas do país eram outros. Me lembro da desnutrição infantil ser matéria corriqueira dos jornais.

Mas e agora? Estamos em uma era completamente diferente e somos uma geração que está tendo a oportunidade de pensar com antecedência a respeito do nosso futuro.

p.s. Pensar e não “antecipá-lo”. Refletir e não sofrer por ele. Somos a geração da ansiedade e não quero que este artigo aumente a sua, vamos viver o presente, cuidando para um futuro com bom longeviver, ok?”

O Momento certo da vida para começar a se preparar para um bom envelhecimento é na verdade… quando nascemos. Claro. A forma como levamos a nossa vida influencia em todas as nossas fases e não seria diferente na velhice. O que temos certeza é que se preparar para envelhecer quando atingirmos a marca dos 70, parece não ser uma boa ideia.

O mais legal de tudo isso, a boa notícia é que nós, a geração dos 30 e poucos, está tendo a oportunidade de Reconhecer a velhice (com R maiúsculo). Sim, porque estamos acompanhando a velhice dos nossos avós, que frequentemente comemoram seus 85 anos e podemos compará-los à velhice dos nossos pais, que aos 65 estão completamente diferentes do que estavam nossos avós com essa mesma idade. Então, está passando um filme bem na frente da gente. Podemos observar a diferença das “velhices”. O quanto o estilo de vida, a modernidade, a tecnologia, a saúde e a informação moldam velhices diferentes. A resistência ao envelhecimento de pessoas que nunca pararam para pensar e se preparar talvez seja um dos fatores mais negativos do envelhecimento. Resistir com toda força a ser velho, não aceitar as mudanças, se comparar o tempo todo com “o que fui mais jovem” parece tornar o envelhecimento algo quase insuportável.

Não estou me referindo apenas a atividade física moderada, alimentação saudável e estimulação intelectual. Me refiro a oportunidade de nos relacionarmos com o envelhecimento de forma positiva desde jovens. Saber que ele vem, que ele muda nosso corpo, muda nossas agilidades e muda o nosso relacionamento com o mundo. Se preparar para envelhecer bem é a oportunidade de olhar para o envelhecimento de forma natural e deixá-lo vir. Eu sei que não é fácil, mas se estivermos dentro de uma sociedade que nos ajude, se não estivermos sozinhos nesta caminhada, podemos aceitar essa “oportunidade do século” e agradecer por poder experimentar todas as fases da vida com vitalidade e consciência.

Aproveite a oportunidade. Vamos deixar a Janela aberta.

Gabriela C. de A. Goldstein

Gabriela C. de A. Goldstein

Fisioterapeuta da Unidade de Referência em Saúde do Idoso PMSP - OS ACSC. Mestre em Ciências pela USP, especialista em Fisiologia e Biomecânica do Aparelho Locomotor pelo IOT- FMUSP e especialista em Gerontologia Social pela PUC-SP.

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