Os desafios do envelhecimento com qualidade de vida

É imprescindível reconhecer que o envelhecimento não é igual para todos, e as diferenças existentes se referem a fatores como condições de vida, acesso aos bens e serviços, cobertura da rede de proteção e as condições de atendimento social. Portanto, a longevidade, com qualidade de vida, apresenta-se como um fenômeno desafiador. 

 

A importância de estudos sobre o envelhecimento com qualidade de vida na atualidade surge do fato de que a sociedade na qual vivemos não assegura os direitos da maioria dos idosos, apesar da existência de leis destinadas a esse fim como o Estatuto do Idoso e a Política Nacional do Idoso.

O segmento idoso da população brasileira é formado por uma parcela significativa de pessoas em situação de vulnerabilidade social que têm inúmeros problemas relacionados à falta de apoio familiar e social, além de vínculos afetivos fragilizados e muitas vezes inexistentes.

Soma-se a essa realidade a carência de oportunidades, sejam elas providas pelas políticas públicas ou pela sociedade civil, de programas destinados a propiciar momentos de convivência comunitária. A concretização de iniciativas dessa natureza constitui-se como fator favorecedor para que pessoas idosas possam ter uma vida mais saudável ao superar estigmas e preconceitos que afetam as relações humanas.

O aumento demográfico da população idosa gera desafios para a sociedade que precisa desenvolver meios para enfrentar as demandas específicas decorrentes dessa nova realidade etária. Nesse sentido, torna-se imprescindível ressaltar a importância de estudos e pesquisas para um melhor entendimento do processo de envelhecimento tendo em vista garantir um melhor envelhcer.

O envelhecimento populacional é uma realidade mundial, e o aumento do número de pessoas idosas é certamente consequência do prolongamento da vida que se apresenta como fato inquestionável há mais de uma década. Esse fenômeno resultou em diversas mudanças sociais, estruturais e, principalmente, culturais, gerando demandas específicas do segmento idoso. Para atendê-las, são necessárias ações e projetos inovadores, a fim de aprimorar o atendimento dispensado a essas pessoas. Todavia, a sociedade civil e os órgãos públicos não se encontram devidamente preparados para atender essa faixa etária, levando-se em conta que a realidade do envelhecimento é muito complexa e ainda pouco conhecida.

Dentre as questões que se colocam, é imprescindível reconhecer que o envelhecimento não é igual para todos, e as diferenças existentes se referem a fatores como condições de vida, acesso aos bens e serviços, cobertura da rede de proteção e as condições de atendimento social.

Admitir a heterogeneidade como característica do processo de envelhecimento é relevar a importância das diferentes formas de ser que marcam diversos momentos da trajetória de vida das pessoas, incluindo a velhice.

A contextualização da realidade da velhice apresenta também a sua concepção como uma fase de decadência, de inutilidade, de isolamento e de incapacidade para a aprendizagem. Trata-se de preconceitos que rotulam e dificultam o investimento em ações que podem beneficiar o segmento idoso e sua inclusão na sociedade atual.

A velhice vista como doença, perda, exclusão, morte, contrapõe-se ao modelo saúde-beleza, força física e mental, vigor sexual, capacidade produtiva. O idoso que não se encaixa neste modelo é visto como “culpado”, como se apenas por sua vontade pudesse corresponder ao modelo proposto. Assim, o lugar do velho “comum” é o não lugar, tanto no aspecto econômico como na perspectiva social.

As perspectivas de um envelhecimento digno ainda são limitadas diante da predominância de uma insistente abordagem de infantilização e tratamento do idoso como carente e frágil. Esse sentido de vitimização enfraquece sua autonomia e as possibilidades do idoso se assumir como sujeito de seus atos.

A longevidade, com qualidade de vida, apresenta-se como um fenômeno desafiador nos dias de hoje. Esses desafios são amplos e diversos, exigindo uma atualização da compreensão sobre o processo de envelhecer.

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Este texto faz parte de um dos artigos do livro Envelhecimento Ativo e seus Fundamentos. São 19 artigos produzidas por pesquisadores do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC-SP, tem 572 páginas e está dividido em quatro sessões: Vida Saudável, Vida Ativa, Seguridade Social e Educação Permanente.

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Envelhecimento Ativo e seus Fundamentos
Formato: 16 x 23
Tamanho: 572 páginas
Papel: pólen 80g

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Redação Portal do Envelhecimento

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