Nora Rónai, 93 anos, nadadora, homenageada pela BBC

A BBC acaba de divulgar a lista inicial com as mulheres que integram a BBC 100 Women 2017, iniciativa criada pela rede britânica, em 2013, para homenagear mulheres inspiradoras de todo mundo.  Faz parte desta lista a nadadora brasileira Nora Rónai, 93 anos.

 

Nora Rónai nasceu em Fiume, na época este território pertencia a Itália, hoje é Croácia. Ela frequentou uma escola na Hungria até os 11 anos. Sua família, judia, para escapar do nazismo, fugiu para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro a bordo do navio espanhol Cabo de Hornos. Arquiteta e escritora, Nora conta que sempre gostou do contato com a água. Praticou saltos ornamentais, mas só se tornou nadadora aos 69 anos de idade.

Casou-se com o filólogo, tradutor e escritor Paulo Rónai, com quem teve duas filhas, Cora Rónai, jornalista, e Laura Rónai, musicista e crítica.

Em 2014, Nora surpreendeu o mundo dos esportes ao conquistar seis medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Masters em Montreal, Canadá. Desde que começou a levar a natação a sério, Nora treinava diariamente 2 mil metros. Hoje ela pega leve, faz 1.600. Só de imaginar já cansa, não?

Pouco antes do mundial, em 2014, Nora começou a sentir fortes dores nas costas e pensou em desistir. Como não é de tomar remédios, demorou para consultar um médico que a recomendou um relaxante muscular. Foi tiro e queda. Um relaxante antes de cair na água e Nora tirava tudo de braçada. Seu estilo é o mais completo, o medley, inclui borboleta, costas, peito e livre.

Na carreira, Nora tem dois recordes mundiais, borboleta e revezamento 4 x 100, sempre como competidora máster. A piscina é seu refúgio. É onde encontra força e paz para se superar.

Em 2014 ela também assumiu seu lado escritora. Lançou logo dois livros. Um de contos infantis – O Roubo da Varinha de Condão e outras Histórias – que contava para suas filhas. São duas, fruto do seu casamento com o filósofo Paulo Rónai. O outro livro é de memórias. Surgiu quando a escola pediu para uma de suas netas contar a história de uma avó. O trabalho recebeu 10 e Nora recebeu incentivo suficiente para resgatar sua história e transformá-la em livro – Memórias de Um Lugar Chamado Onde – uma autobiografia, onde narra parte de sua infância na Europa e a vinda de sua família ao Brasil.

Medo de altura, Nora nunca teve. Quando criança, praticava slalom, um tipo de esqui na neve muito rápido. Tinha que vencer uma altura de 25 metros superando alguns desafios pelo caminho. Depois de encarar salto de dez metros em piscinas, queria sentir algo mais emocionante. Ao completar 80 anos, seu presente foi um salto de paraquedas.

– Cheguei a ficar sem ar porque a queda é muito rápida. Depois que o paraquedas abriu foi uma delícia, é a sensação mais próxima de voar. Quando contei o que fiz para uma amiga cardiologista, passou-me um pito, disse que eu não devia ter feito o que fiz, mas já estava feito.

Por isso a BBC a escolheu, para que sua vida inspire muitas vidas. A emissora irá registrar a vida de 100 mulheres, esportistas de todas as idades, e este material será exibido para o mundo todo. A audiência global da BBC atinge semanalmente mais de 300 milhões de pessoas. Fora isso, muitos debates serão promovidos como o que acontece durante o mês de outubro no Rio de Janeiro abordando o sexismo no esporte.

Nora é intensa, cheia de força e alegria, um exemplo a ser seguido.

Veja entrevista de Nora com Jô Soares: https://globoplay.globo.com/v/3306373/

Foto de destaque: Foto publicada na contra capa de seu livro O Roubo da Varinha de Condão

Mário Lucena

Mário Lucena

Psicólogo e jornalista, faz parte da Equipe do Portal do Envelhecimento.

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