Mais educação pode aumentar a reserva cognitiva de uma pessoa

As estratégias de saúde pública poderiam ajudar a diminuir o número global de casos de demência, pois quando se trata do vínculo entre educação e demência, pesquisas sugerem que mais educação pode aumentar a reserva cognitiva de uma pessoa – ou seja, a resiliência da mente ao dano cerebral que os efeitos do envelhecimento pode infligir.

Por Agata Blaszczak (*)

 

Um terço dos casos de demência poderia ser evitado se mais pessoas tivessem acesso a informações que melhorassem a saúde cerebral, de acordo com um novo relatório recém publicado. Algumas estratégias de saúde pública destinadas a ajudar as pessoas a serem saudáveis – por exemplo, permanecendo na escola após os 15 anos de idade, protegendo sua audição na meia idade, fazendo exercícios regularmente e tendo hobbies na velhice – poderiam ajudar a diminuir o número global de casos de demência, assinalaram os pesquisadores em seu relatório, publicado em 19 de julho no jornal científico The Lancet.

“A sociedade deve se engajar em formas de reduzir o risco de demência ao longo da vida e melhorar o atendimento e tratamento para aqueles com a doença”, disse o co-autor da pesquisa, Dr. Lon Schneider, professor de psiquiatria, neurologia e gerontologia da Universidade do Sul da Califórnia. “Isso inclui o fornecimento de intervenções sociais e de cuidados de saúde seguros e eficazes para integrar pessoas com demência dentro de suas comunidades. Esperemos que isso também assegure que as pessoas com demência, suas famílias e cuidadores, encontrem uma sociedade que os aceita e os apoie”, concluiu.

No estudo, os pesquisadores analisaram pesquisas anteriores que examinaram fatores de risco para a demência pela vida toda. Por exemplo, eles analisaram pesquisas que examinaram o vínculo entre a educação das pessoas, a saúde, os níveis de atividade física e o risco de demência. Os pesquisadores então calcularam e modelaram o impacto potencial que a redução de muitos fatores de risco diferentes teria sobre a prevalência global de demência.

Os pesquisadores descobriram que focar em nove fatores de risco poderia reduzir o número mundial de casos de demência em 35%. Por exemplo, se todos os jovens continuassem sua educação após os 15 anos, o número de casos de demência seria reduzido em 8%. Se todas as pessoas de meia-idade com perda auditiva fossem tratadas, o número de casos de demência seria reduzido em 9%. E se todos os fumantes com mais de 65 anos deixassem de fumar, o número de casos de demência seria reduzido em 5%.

Os outros seis fatores ligados ao risco de demência foram pressão alta e obesidade na meia idade e a combinação de depressão, inatividade física, isolamento social e diabetes em pessoas com mais de 65 anos.

Mais pesquisas são necessárias para esclarecer exatamente porque e como cada um desses fatores afeta o risco de demência de uma pessoa, disseram os pesquisadores. No entanto, quando se trata do vínculo entre educação e demência, pesquisas anteriores sugeriram que mais educação pode aumentar a reserva cognitiva de uma pessoa – ou seja, a resiliência da mente ao dano cerebral que os efeitos do envelhecimento pode infligir – disseram os pesquisadores.

Os pesquisadores disseram que o tabagismo tem um impacto negativo no sistema cardiovascular e pesquisas anteriores relacionaram problemas cardiovasculares com demência. Também assinalaram que o isolamento social pode levar a um declínio na atividade cognitiva, e que pesquisas anteriores relacionaram ao declínio cognitivo acelerado.

A ligação entre a depressão e a demência permanece bastante incerta, mas um mecanismo possível é que a depressão pode afetar o crescimento das células cerebrais e o volume do hipocampo – um importante componente cerebral – aumentando o risco de demência, constataram os pesquisadores. De acordo com eles, estudos adicionais são necessários para entender o vínculo entre perda auditiva e demência e para determinar se os aparelhos auditivos podem ajudar a aliviar o impacto da perda auditiva sobre o risco de demência.

O relatório teve certas limitações, disseram os autores. Por exemplo, eles não consideraram dieta e álcool em suas estimativas, e esses fatores também podem ser fatores no risco de demência, de acordo com o relatório.

(*) Este texto, escrito por Agata Blaszczak, com tradução livre de Sofia Lucena, foi originalmente publicado na Live Science.

 

 

Sofia Lucena

Sofia Lucena

Estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (SP). Colabora com o Portal do Envelhecimento fazendo traduções de temas relacionados à longevidade humana. E-mail: sofiacortel@hotmail.com

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