Envelhecimento em Portugal: a opção é medicar e não criar ofertas ajustadas e mais confortáveis aos idosos

O Envelhecimento anda a atacar: cada vez se torna maior preocupação dos media e de muitas entidades. A questão é percebermos se essa preocupação é pela qualidade do envelhecimento, se é apenas pelos aspectos de sustentabilidade econômica e pelo desequilíbrio para onde estamos a caminhar.

Rui Fontes (*)

 

Infelizmente talvez ainda não se tenha percebido bem a questão: só é possível garantir a sustentabilidade social com o fenômeno do envelhecimento se conseguirmos garantir a qualidade do mesmo, trabalhando na prevenção e na funcionalidade.

Envelhecer saudável é muito barato, não causa qualquer problema de sustentabilidade. Podemos viver mais dezenas de anos. Se tivermos saúde não há qualquer problema. O verdadeiro e dramático problema é que vivemos obrigatoriamente mais anos e cada vez vivemos uma maior parte desses anos, doentes.

É a doença o principal fator de desequilíbrio. Em relação à Europa do Norte já se nota uma grande diferença: vivemos praticamente os mesmos anos, depois dos 65 anos, mas nesse período vivemos metade dos anos com saúde em relação aos cidadãos do norte da Europa.

Gastamos pois mais dinheiro não existindo receitas que alguma vez suportem este modelo.

Mas continuamos a caminhar de costas voltadas para a realidade: investimos numa rede social que disfuncionaliza as pessoas idosas, não temos qualquer preocupação com a prevenção da funcionalidade com as pessoas com mais de 65 anos, preferindo administrar medicação do que criar ofertas ajustadas e mais confortáveis.

É ridículo que quase todos os líderes concordem com a necessidade de mudarmos de modelos, de atitude e comportamento, mas ninguém tenha a coragem suficiente para alterar a situação. Porque a atual situação só tem uma solução que passa por decisões políticas de quem nos governa.

Não são os técnicos, nem as Instituições que podem alterar o panorama negro do envelhecimento em Portugal. Precisamos de políticos que comecem a perceber que, eles próprios, vão envelhecer mal.

Infelizmente não temos a capacidade de encher a avenida da liberdade, e uma greve de idosos também não teria muito impacto, para já.

(*) Rui Fontes, Presidente da Associação Amigos da Grande Idade: associacaoamigosdagrandeidade@gmail.com

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