Entraves no progressivo envelhecimento populacional

A agência de notícias EFE (Madri, Espanha) anunciou recentemente que “já somos sete bilhões de habitantes na Terra e em cinco anos haverá mais sexagenários que crianças, situação sem precedentes na história da humanidade. Os alarmes dispararam e a população se pergunta se haverá comida para todos. Mas existem outras formas mais otimistas de entender este fenômeno demográfico”.

 

Estamos preparados para um cenário futuro fortemente longevo? Pelos estudos e pesquisas que vem circulando pela web parece que não. O pior é que ignoramos que tal fenômeno afetará a todos nós, mais cedo ou mais tarde. Uma realidade bem mais séria do que parece.

Julio Pérez, pesquisador e cientista demógrafo do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, confirma: “O planeta não está preparado, somos nós que temos que prepará-lo para as circunstâncias para enfrentar o futuro. E os meios são muitos, nunca houve tantos como agora”.

É fato, temos recursos tecnológicos, expertise necessária para promover mudanças e desenvolver projetos criativos e inovadores. Mas a questão é: temos inteligência emocional para tudo isso?

Não basta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) proclame aos quatro cantos do mundo a relevância do envelhecimento da população. Nem dedicar o Dia Mundial da Saúde ao envelhecimento. As ações precisam sair do papel e ganhar espaço, ou seja, atenderem a uma demanda que, hoje pede ajuda, mas amanhã provavelmente gritará por medidas efetivas, reais e de fácil alcance para a população. Mas também não adianta restringir as políticas a apenas saúde e aposentadoria.

Neilson Meneses, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe, em seu artigo “Impactos do envelhecimento populacional sobre o território”, discute os aspectos críticos do fenômeno: “ Sabe-se que a população está vinculada a um espaço em que vive e desse modo são perfeitamente observáveis os efeitos das transformações demográficas sobre o território, seja através da pressão demográfica sobre o território (superpopulação), seja pela escassez de população (o déficit populacional) ou já seja pelos deslocamentos de população (as migrações) que ocasionam varias consequências territoriais, já que a população é ao mesmo tempo um recurso e um sujeito na gestão do território”.

Seguindo esta linha de raciocínio, Meneses analisa os impactos das transformações do sistema demográfico, particularmente do envelhecimento populacional.

Principais impactos

Meneses afirma que “entre os principais impactos do envelhecimento da população sobre o território estão o desequilíbrio do sistema demo-territorial e a conservação do meio ambiente. Uma das características mais significativa da dinâmica do envelhecimento populacional é o aumento da população inativa. Posteriormente ocorre a escassez de população, a medida que a população não se renova. As baixas taxas de fecundidade e a migração de saída, o que caracteriza repulsão populacional, associada à ausência de migração de retorno, impedem a renovação da população provocando um crescimento negativo e podem provocar a falência do sistema demográfico, uma pirâmide ao inverso é insustentável”.

A depender da formação do estudioso que analisa o fenômeno do envelhecimento acelerado percebemos questões importantes e não discutidas até então, como o desequilíbrio do sistema demo-territorial e a conservação do meio ambiente. São temas e saberes que podem abrir caminho para novos projetos, novas pesquisas que entendam o problema e promovam ações criativas e efetivas.

Ainda na visão do professor: “A gestão do território e o desenvolvimento socioeconômico e sustentado implicam na necessidade de um mínimo de população, sem o qual é difícil encarar o futuro. Uma sociedade envelhecida resulta em geral em certa gerontocracia, em uma desestruturação social, em uma queda nas taxas de produtividade e em taxas de crescimento econômico mais baixas, o que suscita dúvidas em termos da sustentabilidade do desenvolvimento”.

É exatamente pelos pontos acima mencionados (exemplo: baixa produtividade) que se faz necessário e urgente o desenvolvimento de projetos que estudem mudanças nas leis, nos sistemas de aposentadoria, saúde, educação e bem estar.

Visão crítica

Seguindo uma linha de análise profundamente crítica, Meneses alerta que “o aumento do número de idosos e as dificuldades funcionais para se manter ativo, contribuem também para dificultar, a uma população envelhecida, o cuidado com o meio ambiente, o que em tese desemboca em uma deterioração do patrimônio cultural e natural. Em realidade, o progressivo envelhecimento populacional de determinados territórios acaba dificultando o uso sustentável dos recursos naturais e a proteção ao meio ambiente, entre outras coisas, na medida em que promove um desequilíbrio na utilização dos recursos do território, sejam humanos, econômicos ou naturais”.

Vale pensar se as afirmações do professor não assumem, algumas vezes, um certo tom pessimista e “cortante” ao associar uma “população envelhecida” a “deterioração do patrimônio cultural e natural”. Se assim for, se devemos considerar essa questão como uma possibilidade futura, então, talvez devêssemos propor alternativas, caminhos que permitam um envelhecer saudável tanto para nós como para o meio ambiente.

Referências

MENESES, N. (2012). Impactos do Envelhecimento Populacional sobre o Território, artigo de Neilson Meneses. Disponível Aqui. Acesso em 19/05/2012.

24HORAS NEWS (2012). População mundial mais velha gera novos desafios para humanidade. Disponível Aqui. Acesso em 22/05/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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