Doença de Parkinson e Alzheimer: a triste origem do “Mal”

Em março de 2017, ao apresentarmos no Portal do Envelhecimento o livro “Tentativas de Fazer Algo da Vida”, criticamos duramente a tradução brasileira por usar e abusar do termo Mal de Alzheimer.

 

A palavra “Mal” em substituição a Doença, surgiu no Brasil associada a Parkinson. No livro Alzheimer, Identificar, Cuidar, Estimular, Práticas e Atividades para se Aplicar no Dia a Dia, temos um capítulo dedicado a Doença de Parkinson que esclarece a origem do Mal:

“O carinho e respeito na minha prática profissional com idosos vieram de uma dor pessoal, meu avô teve a Doença de Parkinson. No mundo, a estimativa é que exista seis milhões de pessoas com Parkinson. No Brasil, a prevalência é de 100/200 casos para cada 100 mil habitantes. A Doença de Parkinson foi descrita em 1817 pelo médico inglês James Parkinson que publicou um artigo sobre uma doença batizada por ele de “paralisia agitante”. Outro médico, o francês Charcot, desempenhou um papel importante na descrição desta doença, inutilizando o termo “paralisia” e descrevendo sintomas de rigidez, lentidão de movimentos (bradicinesia), distúrbios da fala, entre outros e, também, foi quem introduziu a primeira droga para amenizar os efeitos da doença.

A Doença de Parkinson leva à demência, pois é considerada uma doença degenerativa do sistema nervoso central. Ocorre perda da substância negra do cérebro no local onde existem neurônios responsáveis pelos movimentos do nosso corpo. Sua progressão é lenta e, até hoje, não possui uma causa conhecida. Acomete ambos os sexos, geralmente pessoas acima dos 60 anos. Em alguns casos, antes dos 60/50 anos.

A doença tem como sintomas característicos a presença de tremores, rigidez, instabilidade postural, alteração no equilíbrio e na voz, distúrbios do sono e, com o seu avanço, podem aparecer dificuldades na deglutição e déficits de memória, quando não outra demência associada. O diagnóstico da Doença de Parkinson é feito por exclusão, ou seja, através de exames descarta-se a possibilidade de doenças orgânicas e cerebrais que podem produzir sintomas parecidos.

A denominação “Mal de Parkinson” não é adequada. Existe um equívoco na origem do termo “Mal”. O neurologista francês Jean Martin Charcot, a princípio, manteve o nome de “Paralisia Agitante”. Mais tarde, em homenagem ao Dr. James Parkinson, passou a chamá-la de “Doença de Parkinson”. Em francês, “Maladie de Parkinson”.

A palavra francesa “Maladie” significa doença e não Mal. Incorretamente foi adaptada para o português como “Mal de Parkinson”. O uso da palavra “Mal” faz alusões errôneas acerca da doença, acentua aspectos inexistentes, confunde os leigos e rotula as pessoas que são acometidas pelo problema. O que devemos compreender é que não existe um “Mal”, e sim uma doença a ser tratada.”

A palavra “Mal” ainda não foi cortada pela raiz, mas está praticamente abolida do dicionário médico e científico, mas parte da grande imprensa e profissionais da saúde que vive no atraso insiste em utilizá-la. A culpa, muitas vezes, é dos rígidos manuais de redação desatualizados que continuam reproduzindo. Foi assim com “mongolismo” que rotulava os portadores da Síndrome de Down.

No mesmo livro, Alzheimer, Identificar, Cuidar, Estimular, Práticas e Atividades para se Aplicar no Dia a Dia,, a autora conta um pouco sobre a origem da Doença de Alzheimer. O médico alemão fez suas pesquisas em Frankfurt. Descobriu uma doença que se diferenciava de todas as demais estudadas por seus colegas. Alzheimer morreu prematuramente e, em Munique, Kraepelin retomou os trabalhos. Convencido que lidava com uma doença inédito, homenageou o colega alemão denominando-a de Doença de Alzheimer.

No Brasil, esse trabalho chegou via França com o nome de Maladie d’Alzheimer. A classe médica, quase um século depois de nomear a Doença de Parkinson como Mal de Parkinson, manteve o mesmo raciocínio e adaptou o termo para Mal de Alzheimer. Um erro não justifica o outro, mas no Brasil os médicos abusam da ideia que “errar é humano”, o que causa grande preocupação. Hoje se debate seriamente como humanizar os membros dessa categoria que tratam Mal os pacientes. Como humanizar a relação médico paciente, o vocabulário, as palavras.

E o ótimo livro “Tentativas de Fazer Algo da Vida” que só pecava por usar Mal de Alzheimer no lugar de Doença de Alzheimer? A tradutora, Mariângela Guimarães, tomou um susto quando leu a crítica no Portal.

Mal de Alzheimer só existe no Brasil, na boca de profissionais desatualizados. No mundo todo é Doença de Alzheimer. A tradutora viu e reviu o PDF enviado para a editora e em nenhum lugar aparecia a palavra Mal. A besteira foi feita na revisão por profissionais desatentos. Pedimos mil desculpas a Mariângela Guimarães e aproveitamos para indicar o livro Alzheimer, identificar, cuidar, estimular, atividades e práticas para se aplicar no dia a dia para quem quer se atualizar sobre o tema, aprender com a velhice e valorizar a vida.

Alzheimer: identificar, cuidar, estimular
Práticas e atividades para se aplicar no dia a dia

Formato: 14 x 21
Tamanho: 262 páginas
Papel/miolo: pólen 80gr
Preço: 39,90

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Nota do Editor: Simone Manzaro corajosa e generosamente oferece neste livro ferramentas valiosas apreendidas no seu trabalho com idosos demenciados e que muitos profissionais da saúde cobram valores vultosos para revelá-las. Uma consulta com um especialista não orienta nem oferece tanto quanto este livro. Ele é importante para todos, jovens e velhos, profissionais da saúde, famílias e público em geral, pois não foca só a doença; sua maior preocupação é indicar caminhos para se ter qualidade de vida em qualquer situação.

 

Foto da imagem em destaque por Lucas Kao

 

Mário Lucena

Mário Lucena

Psicólogo e jornalista, faz parte da Equipe do Portal do Envelhecimento.

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