Da Paraíba ao Japão, a vida está cada vez mais longa

Diante de pesquisas, estudos e levantamentos de todos os tipos e formatos, chegamos a um fato indiscutível, não só no Brasil como no mundo: Vivemos mais e, se assim a tecnologia e nossos corações “emocionais” o quiserem, viveremos muitos e muitos anos nesta, agora, longa vida.

 

O vídeo “Em 2025, o Brasil terá mais de 40 mi de idosos” (ver o blog de Josias de Souza Aqui – em matéria transcrita abaixo, comenta o fenômeno do envelhecimento demográfico da população brasileira e mundial:

“O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro hoje já passa dos 73 anos. Apenas nas três últimas décadas a população passou a viver em média 10 anos e 7 meses mais. O envelhecimento já modifica a pirâmide etária no país. Para se ter uma ideia a parcela da população com mais de 65 anos passou de 4,8% na década de 90 para 5,9% em 2000 e chegou aos 7,4% em 2010. Mas este fenômeno demográfico sentido hoje no Brasil e nos países em desenvolvimento em geral é antigo na Ásia e em grande parte da Europa. Somente no Japão o número de pessoas com mais de 100 anos já passa dos 44 mil. Especialistas estimam que haverá mais de 1 milhão de pessoas centenárias no planeta até 2030. No Brasil o número de idosos deve passar dos 40 milhões em 2025 e chegar aos 60 milhões em 2050. Mas qual o segredo da longevidade? Se alimentar melhor? Praticar esporte? Os avanços da medicina certamente contribuem para este fenômeno. O crescimento econômico do pais também. Mas se o envelhecimento é hoje uma conquista, é também um desfio. O país está preparado para essa nova realidade? Como chegar a idade avançada com a saúde em dia e qualidade de vida?”

Se estamos preparados para isso, é a pergunta que todos fazem e cuja resposta não é e nem pode ser única, já que cada indivíduo enfrenta sua própria longevidade de forma particular e, de certa forma, controversa.

Longevidade na Paraíba

Um estudo feito pelo Governo do Estado da Paraíba, por meio do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme), divulgado em 6 de junho/2012, confirma o fenômeno da longevidade no estado: “O levantamento indica, principalmente, o crescimento da população paraibana acima de 60 anos – que, em 2000, correspondia a 10,17% do total de habitantes do Estado e, em 2010, já era 11,98% – e a redução da população jovem”.

Com foco na definição e implementação de políticas públicas, o superintendente do Ideme, Mauro Nunes, explica: “O estudo foi realizado levando em consideração toda a população da Paraíba e tem fundamental importância para traçar políticas com o intuito de promover o bem estar dos paraibanos. Os resultados, inclusive, já foram repassados para todas as secretarias de Estado, para que possam ser trabalhados e basear futuras ações do Governo”.

Já nas faixas etárias formadas por pessoas com idade entre 10 a 24 anos, o efeito é inversamente proporcional ao do envelhecimento. Em 2000, a população jovem representava 32,01% da população total do Estado, enquanto em 2010 essa participação caiu para 27,83%. O superintendente esclarece a questão: “Basicamente, a queda é justificada pela redução nas taxas de fecundidade e de natalidade na década. Antigamente, era comum encontrarmos famílias com grandes quantidades de filhos. Hoje, geralmente elas não passam de três crianças”.

Segundo os dados publicados, “o estudo revelou ainda que o encolhimento na base da pirâmide populacional do Estado da Paraíba, ao longo das duas últimas décadas – de 1991 a 2010 -, em que configura a redução dos segmentos populacionais mais jovens – 0 a 9 anos –, é um fenômeno que vem contribuindo, de forma acentuada, para o intenso processo de envelhecimento da população paraibana”.

Mauro alerta para outro ponto preocupante que desposta dia a dia que é o crescimento da população adulta que “pode impactar em ações diversas, como previdência e assistência à saúde”.

Com base no estudo, o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Gustavo Nogueira, chama atenção para o lado positivo do fenômeno do envelhecimento acelerado. Ele lembra do potencial de aproveitamento dos idosos no setor econômico: “Os dados nos mostram que a população economicamente ativa cresce com um número maior de idosos. É preciso aproveitar essa população no auge de sua fase produtiva, de se preocupar com a absorção dessa mão de obra”.

Muito bem aplicada a observação do secretário, por que só lembrar dos aspectos negativos? Por que não reverter conflitos e preocupações, de todas as ordens, em caminhos, possibilidades e oportunidades nesta inovadora forma de “olhar” o envelhecimento? É claro que para isso, projetos criativos precisam ser pensados, analisados para viabilidade a curto, médio e longo prazo.

A matéria anuncia que no “final do próximo mês de julho, o Ideme deve divulgar uma nova série do estudo, com foco no processo de envelhecimento da população paraibana. Já em setembro, deve ser apresentado um balanço populacional do Estado. O Ideme está integrado a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. As pesquisas realizadas tomam como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”.

Longevidade no Japão

Saindo da Paraíba e viajando, sem escalas, para Japão, o tão comentado país da longevidade, encontramos, através da matéria de Tobace – BBC Brasil (2012), o professor do departamento de política global de saúde da Universidade de Tóquio, Kenji Shibuya, que explica: “as razões da longevidade japonesa têm tanto a ver com o acesso a medidas de saúde pública quanto a uma dieta equilibrada, educação, cultura e também atitudes de higiene no dia-a-dia”.

Como vemos, não é possível analisar apenas um ponto. A tudo mencionado até agora, talvez, possamos acrescentar a história de vida e a forma como foi vivida por cada um. Apenas nisso já teríamos uma grande pesquisa, fonte para múltiplos estudos paralelos e intersecções com o apresentado pelo professor Shibuya.

O professor Shibuya explicou a BBC Brasil: “A expectativa de vida do japonês aumentou rapidamente entre os anos 50 e 60, primeiramente, por causa da queda da taxa de mortalidade infantil. Depois, as autoridades concentraram esforços para combater a mortalidade adulta. O resultado positivo foi, em grande parte, consequência dessa política de saúde adotada pelo país”.

Evolução na linha do tempo

Segundo o estudo conduzido pelo professor, “os japoneses nem sempre tiveram a perspectiva de viver por tanto tempo. Em comparação com dados de 1947, houve um salto de mais de 30 anos na expectativa de vida de uma pessoa. Esse crescimento começou no final da década de 50, quando o país passou a experimentar um desenvolvimento econômico acelerado”.

Nada se faz sem investimentos bem aplicados, como esclarece o professor: “No pós-guerra, o governo começou a investir em ações de saúde pública, introduzindo o seguro nacional de saúde em 1961, tratamento grátis para tuberculose e infecções intestinais e respiratórias, além de campanhas de vacinação”.

Outro exemplo foram as ações para a redução das mortes por acidente vascular cerebral (AVC): “Isso foi um dos principais impulsionadores do aumento sustentado da longevidade japonesa depois de meados dos anos 1960. O controle da pressão arterial melhorou através de campanhas, como a de redução do consumo de sal, e uma maior utilização de tecnologias de custo-benefício para a saúde, como medicamentos anti-hipertensivos com cobertura universal do seguro de saúde”.

Herança Cultural

Shibuya lembra que todas essas conquistas estão também relacionadas com o nível de conscientização da população: “Em 1975, muitas doenças não transmissíveis já estavam em níveis extremamente baixos em comparação com outras nações de alta renda, devido em grande parte a uma herança cultural de cuidados com a alimentação e prática de atividades físicas”.

O estudo ainda aponta fatores cruciais e determinantes para a longevidade no Japão, como:

a) Higiene em vários aspectos da vida diária: “Essa atitude pode, em parte, ser atribuída a uma complexa interação de cultura, educação, clima (por exemplo, temperatura e umidade), ambiente (por exemplo, ter água em abundância e ser um país consumidor de arroz) e a velha tradição xintoísta de purificar o corpo e a mente antes de se encontrar com outras pessoas”.

b) Conscientização em relação à saúde: “No Japão, check-ups regulares são normais e oferecidos em larga escala em escolas e no trabalho, a todos, pelo governo.

c) Cuidados alimentares: “A comida japonesa tem benefícios nutricionais balanceados e a dieta da população tem melhorado de acordo com o desenvolvimento econômico ao longo das décadas”.

E para quem perguntou qual o segredo da longevidade, o cantor de rua japonês Yu Rikiya, de 68 anos, responde: “O segredo é o fato de haver muitas atividades voltadas para pessoas de idade mais avançada. Essas pessoas têm um motivo toda semana para continuar vivendo. Fazem o que gostam, se divertem e não se estressam”.

Yu Rikiya produz e vende os próprios CDs, canta na noite e diz que nunca se preocupou com o avanço da idade: “Temos acesso a médicos, tratamentos e remédios. Ganho o suficiente para comer e sustentar a família. Saio com amigos para beber e curtir a vida. Então, para que se preocupar”?

Parece simples quando vemos casos como o de Rikiya e tantos outros exemplos que circulam pela internet. Mas a realidade se mostra bem diferente e complexa, como observa o professor Shibuya: “Simplesmente aumentar a expectativa de vida não faz mais sentido. Devemos focar mais em maximizar de forma saudável essa expectativa de vida”.

Referências

SECOM PB (2012). Paraíba tem crescimento de idosos e redução da população jovem. Disponível Aqui. Acesso em 11/06/2012.

TOBACE, E. (2012). Pesquisa revela segredo da longevidade no Japão. Disponível Aqui. Acesso em 19/06/2012.

VÍDEO (2012). Em 2025, o Brasil terá mais de 40 mi de idosos. Disponível Aqui. Acesso em 12/06/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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