Cuidados Paliativos na Gerontologia

Os Cuidados Paliativos são uma necessidade humana e podem ser aplicados em qualquer indivíduo, não necessariamente a um paciente em fase terminal, a fim de proporcionar uma melhor atenção e conforto às pessoas enfermas, seus familiares e cuidadores, além de contribuir para a garantia de todos os direitos estabelecidos no Estatuto do Idoso. 

 

De acordo com a (Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), “o significado de paliar é proteger. Paliar, derivado do latim pallium, termo que nomeia o manto que os cavaleiros usavam para se proteger das tempestades pelos caminhos que percorriam. Proteger alguém é uma forma de cuidado, tendo como objetivo amenizar a dor e o sofrimento sejam eles de origem física, psicológica, social ou espiritual. Por esse motivo, quando ouvir que você ou alguém que conhece é elegível a cuidados paliativos, não há o que temer.”

De acordo com a SBGG, “originalmente, a atenção dos Cuidados Paliativos centrava-se em pacientes na fase final da vida. Hoje, se considera que eles vão além dessa prática: devem estar disponíveis para pacientes e seus familiares durante todo o processo de doença ameaçadora à continuidade da vida e também no transcurso do luto… Os Cuidados Paliativos são prestados mais efetivamente por uma equipe interdisciplinar, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, capelães e voluntários que sejam competentes e habilidosos em todos os aspectos do processo de cuidar relacionados à sua área de atuação.”

Segundo Gutierrez, infelizmente no Brasil, ainda existe uma carência de conhecimentos teóricos muito significativa quando o assunto envolve cuidados paliativos. Isso ocorre devido à insuficiência de incentivos relacionados à educação paliativa, que é fator influenciador da atitude profissional, em conjunto com as experiências decorrentes da formação

Devemos, porém, refletir que diante do aumento da expectativa de vida, com o consequente envelhecimento da população, temos também uma maior prevalência de doenças crônicas, o que traz uma nova demanda, uma vez que a cura, em alguns casos, deixa de ser prioridade em caso de doentes crônicos, necessitando proporcionar qualidade de vida a esses indivíduos e assim temos como opção o uso dos Cuidados Paliativos.

Pensando na população idosa, torna-se indispensável a atuação dos profissionais especializados em gerontologia junto com toda a equipe multidisciplinar em cuidados paliativos, pois em muitos quadros como câncer, hipertensão arterial, cardiopatias, diabetes, doença pulmonar crônica, Acidente Vascular Encefálico (AVE), entre outras doenças, é indispensável um tratamento medicamentoso para amenizar os sintomas, contudo proporcionar qualidade de vida à pessoa torna-se tarefa imprescindível.

Como Terapeuta Ocupacional posso afirmar que uma das maiores conquistas como profissional é conseguir proporcionar um sorriso de um paciente que está acamado e totalmente acometido por alguma patologia, e melhor ainda é ouvir dos familiares, cuidadores e enfermeiros que fazia dias que ele chorava ou apenas reclamava de dores e então com alguma atividade simples ou apenas uma boa conversa você consegue fazer aquele paciente esquecer de sua doença e muitas vezes das dores em 1 hora de atendimento.

Dessa forma é de responsabilidade de todos os profissionais envolvidos em um caso clínico, atingir os principais objetivos dos cuidados paliativos que proporcionam, juntamente com a qualidade de vida, controle de dor, melhora de sintomas físicos, emocionais, problemas sociais e até mesmo espirituais.

Vale lembrar que o cuidado paliativo também é indispensável não apenas para o idoso, mas também para sua família, devido à sobrecarga física e emocional que surge diante do quadro clínico, necessitando da orientação e apoio dos profissionais de saúde junto aos familiares e também cuidadores.

De acordo com a SBGG, “o cuidador pode apresentar sintomas de sobrecarga, como dor lombar, irritabilidade, humor deprimido, insônia, dentre outros. A equipe envolvida no cuidado precisa ficar atenta a esses sinais de alarme. Um cuidador em sobrecarga precisa de atenção imediata para si mesmo e também para que não perca o alcance máximo do seu potencial de cuidar, correndo o risco de não suprir as necessidades da pessoa doente. Por vezes, basta uma ajuda de outros cuidadores ou então um afastamento, ainda que temporário. Alguns cuidadores desenvolvem estratégias de enfrentamento que reduzem o risco de sobrecarga. Frequentar grupos de apoio oferecidos pela comunidade pode ser útil, assim como ter uma rotina de lazer e a possibilidade de férias programadas.”

Cuidados Paliativos, portanto, possuem uma abordagem muito ampla, uma vez que pode ser aplicada em qualquer indivíduo, não necessariamente a um paciente em fase terminal. Entretanto, no Brasil ainda, infelizmente, são necessárias especializações e maiores conhecimentos por parte dos profissionais de saúde, pois somente dessa forma poderemos proporcionar uma melhor atenção e conforto aos pacientes, seus familiares e cuidadores, além de contribuir para a garantia de todos os direitos estabelecidos no Estatuto do Idoso. Afinal, é muito mais do que uma simples abordagem, trata-se de uma necessidade humanitária.

Referências

Gutierrez, B.A.O. & Barros, T.C.de. O despertar das competências profissionais de acompanhantes de idosos em cuidados paliativos. Revista Kairós Gerontologia,v. 15n.4, p.239-258, Agosto 2012.

http://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2015/05/vamos-falar-de-cuidados-paliativos-vers–o-online.pdf

http://paliativo.org.br/cuidados-paliativos/o-que-sao/

 

 

 

Ana Beatriz Almeida

Ana Beatriz Almeida

Graduada em Terapia Ocupacional pela Universidade Estadual Paulista – UNESP. Participou do grupo de estudos e supervisão durante a graduação em Neurologia. Atualmente é mestranda em Gerontologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). E-mail: graduou-se em Terapia Ocupacional pela Universidade Estadual Paulista – UNESP. Participou do grupo de estudos e supervisão durante a graduação em Neurologia. Atualmente é mestranda em Gerontologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

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