Criatividade na busca pela vida dos 150 anos

Existem pessoas que padecem de muitas coisas, menos de criatividade. Nós agradecemos já que somos, na maior parte das vezes, brindados com um tipo de genialidade que se produz na simplicidade das coisas e como não poderia deixar de ser, o resultado acaba sensível, delicado e ao mesmo tempo perturbador e reflexivo.

 

O cineasta holandês Jeroen Wolf e seu vídeo de apenas três minutos pode ser citado como exemplo. Em míseros minutos ele consegue obter 5.050 anos de vida. Como realizar tal façanha? O cineasta descobriu uma maneira simples: ele gravou uma pequena imagem de cem pessoas com idades entre 1 e 100 anos de idade. Cada um dos participantes aparece por apenas breves segundos e diz sua idade para a câmera.

Para isso, Wolf iniciou suas buscas em outubro de 2011, procurando nas ruas de Amsterdã pessoas que estivessem dispostas a participar da empreitada. Segundo declarações de Wolf ao site PetaPixel, “no início das buscas o número de participantes cresceu rapidamente. No entanto, a sorte mudou quando foi preciso encontrar as pessoas que iriam compor as idades nas duas extremidades da tabela”.

“Foi difícil encontrar jovens muito novos por causa da sensibilidade de filmar ou fotografar crianças, e os mais velhos (foi difícil) porque eles quase não saem de suas casas”, explica o produtor do trabalho. “Eu encontrei meus modelos mais velhos em casas de repouso para idosos e foi um privilégio poder retratar essas pessoas”, fala Wolf.

Talvez o fato mais curioso de todo o trabalho foi a dificuldade em encontrar uma pessoa que tivesse 99 anos completos. Jeroen diz que quem tem 98 ou 100 anos adora exibir suas idades. No entanto, a idade entre essas duas é um caso raro de encontrar. “E quando eu finalmente encontrei uma senhora com essa idade, ela simplesmente se recusava a dizer a sua idade para a câmera!”, comenta Wolf.

O resultado está no vídeo Aqui. As imagens iniciam com um bebê que mal pode pronunciar sua idade e prossegue até uma mulher, com exatos 100 anos de idade.

Realmente um trabalho como esse de Wolf parece ter na sua raiz uma tremenda preocupação relacionada ao envelhecimento e a essa estranha velhice que nos faz velhos, humanos, falíveis e objetos da ciência. E tudo isso com um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida e envelhecer com mais saúde.

Um homem preocupado com essas questões da existência é Bill Andrews, biólogo molecular e dono da empresa Sierra Sciences, que agora pretende expandir o tempo de vida do ser humano para 150 anos. É o que conta a matéria “Bill Andrews: o homem que quer fazer você viver 150 anos” do site tecmundo.

É importante lembrar que Andrews ganhou, em 1977, o prêmio de segundo lugar como “Inventor Nacional do Ano”, tendo 35 patentes registradas nos Estados Unidos e relacionadas com a “telomerase”.

Entendendo os telômeros

Esses pedaços de DNA não codificantes foram encarados como lixo genético durante muito tempo, mas eles possuem uma função muito importante: proteger o DNA a cada multiplicação. Quando um cromossomo se divide ou se multiplica, nós perdemos telômeros em vez de pedaços importantes do nosso DNA.

O problema é que, a cada multiplicação, a sequência de telômeros fica menor e, por isso, cientistas hoje medem a idade de uma célula com base no comprimento dos telômeros: quanto mais velha é a pessoa, menor é esse trecho do cromossomo. Quando essas estruturas se tornam pequenas demais, as células se tornam incapazes de se reproduzir, entrando em um estado de paralização conhecido como senescência, ou então acabam morrendo.

Isso faz com que os telômeros sejam uma espécie de cronômetro reverso do envelhecimento humano e estipulem um limite teórico de cerca de 125 anos de vida para a espécie humana. É praticamente impossível passar dessa idade, não importa o quão saudável você seja.

O outro lado

William Andrews tem outra opinião. Segundo o pesquisador outros profissionais, nossas células reprodutivas não perdem partes do telômero, pois, se o fizessem, eles gerariam embriões tão velhos quanto os das pessoas envolvidas na geração deles, ou seja, os fetos teriam idade avançada.

Se comparadas com as outras células do corpo, as células reprodutivas são imortais, ou seja, não gastam telômeros. A razão pela qual isso acontece se deve à produção de uma enzima conhecida como telomerase, responsável por aumentar novamente os telômeros assim que eles são reduzidos.

E o que torna esse conhecimento interessante é o fato de que todas as nossas células possuem a capacidade de produzir telomerase, mas o gene responsável por essa função está desabilitado. Dessa forma, se pudéssemos ativar esse gene novamente, as células de um adulto teriam seus telômeros restaurados e, com isso, se tornariam biologicamente jovens de novo, podendo ultrapassar os 125 anos de vida.

A busca continua

Agora, a principal missão da empresa de Andrews, a Sierra Sciences, é encontrar o que eles chamam de “indutores de telomerase”, ou seja, medicamentos ou substâncias químicas capazes de ativar o gene da telomerase nas células em que ele está desativado. E os cientistas já obtiveram sucesso: encontraram mais de 800 indutores depois de analisar cerca de 240 mil compostos.

Infelizmente, nenhum dos indutores encontrados é forte o suficiente para fazer com que os telômeros cresçam rápido o suficiente para reverter a idade de uma célula. Mas a busca continua e cerca de 4 mil análises são realizadas semanalmente.

Em entrevista para o empresário David Bunell, Andrews contou que, se tudo correr bem, eles serão capazes de registrar medicamentos, submetê-los a testes e, depois de aprovados pela Food & Drugs Administration, colocá-los finalmente à venda. Entretanto, esse é um processo demorado, que deve durar cerca de 12 anos.

Telomerase no combate à AIDS

Outro caso em que os indutores poderiam ser aplicados diz respeito ao sistema imunológico de pacientes com AIDS. As células de imunidade de uma pessoa com essa doença acabam tendo o telômero rapidamente reduzido, já que tentam acabar com o vírus que está dentro delas mesmas, fazendo com que a defesa do organismo envelheça mais rapidamente. Um indutor de telomerase poderia também manter esse sistema imunológico vivo por mais tempo.

Andrews garante que a sua busca não é apenas pela longevidade, mas também para aumentar a saúde humana. Segundo o pesquisador, são mais de 100 doenças que poderiam ser controladas caso fosse possível manipular a produção de telômeros, incluindo problemas cardiovasculares, osteoporose e até mesmo o câncer.

Controlar o envelhecimento pela telomerase, nos permite viver mais, considerando o número de doenças que poderiam ser combatidas com a técnica.

A matéria do site tecmundo termina com a frase: “Por enquanto, só nos resta torcer para que Andrews tenha uma vida bastante longa e leve a pesquisa adiante até alcançar seus objetivos”.

Como o ser humano luta com os ponteiros do relógio! O tempo passa a ser seu principal desafio. Quem poderia imaginar que um dia torceríamos para que um cientista vivesse muitos e muitos anos em prol do combate ao envelhecimento?

Telômeros curtos, telômeros longos: agora até viramos especialistas no assunto: pesquisadores na luta pela vida.

Referências

VÍDEO (2012). Veja pessoas envelhecendo de 1 até 100 anos de idade. Disponível Aqui . Acesso em 01/12/2012.

ARRUDA, F. (2012). Bill Andrews: o homem que quer fazer você viver 150 anos. Disponível  Aqui . Acesso em 01/12/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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