Comentários inadequados que começam no Japão e terminam no FMI

Parece que da noite para o dia nos tornamos culpados por viver “demais”. O que acontece? Será que caminhamos na contramão dos avanços da medicina e da ciência que nos possibilitam ser cada vez mais longevos? Será que ao envelhecer – sem saber – fincamos uma lança na nossa sobrevivência “financeira”? Ou numa linguagem um pouco mais popular “estamos dando um tiro no próprio pé?

 

Reconhecemos os desafios que acarretam o acelerado envelhecimento, mas diante da forma um tanto cruel, agressiva e “desajeitada” com que o Ministro das Finanças do Japão, Taro Aso (foto), o Responsável do Departamento de Mercado de Capitais, José Viñals, e a Diretora Gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde (foto), manifestaram, cada qual com sua peculiar “delicadeza”, suas “sinceras” declarações sobre o impacto da longevidade, tendemos a responder afirmativamente para todas as perguntas formuladas acima.

Pérolas impensadas

– “risco de se viver mais que o esperado”

– “viver mais é bom, mas leva a um risco financeiro inadequado”

– “o problema não será resolvido a não ser que eles [os idosos] possam se apressar e morrer”

Frases como essas nos levam a refletir sobre essa “novidade” que é o envelhecer – por um lado assustadora do ponto de vista não só financeiro como do próprio enfretamento da fragilidade decorrente dos aspectos biopsicossociais – e por outro o desejado “viver mais” e não “demais”. Quem não quer envelhecer bem: saudável, feliz e com dinheiro no bolso?

É pena que tanto Taro Aso como José Viñals e Christine Lagarde tenham, em importantes reportagens e ocasiões, usado expressões inadequadas e desrespeitosas não só para todos nós que envelhecemos, mas principalmente a um direito precioso de cada um que é viver a vida. Abaixo transcrevemos trechos das respectivas matérias citadas acima:

El FMI pide bajar pensiones por ‘el riesgo de que la gente viva más de lo esperado’

El Fondo reclama, entre otras medidas, que se recorten las prestaciones y se retrase la edad de jubilación ante “el riesgo de que la gente viva más de lo esperado”. Y también propone soluciones de mercado para mitigar ese “riesgo”.

Es lo que los economistas bajo la batuta del español José Viñals llaman “riesgo de longevidad”. (…) Eso su pone una amenaza para sostenibilidad de las finanzas públicas al disparar los niveles de endeudamiento público en una proporción similar. En paralelo, es un riesgo para la solvencia de las entidades privadas.

Según ha explicado el propio Viñals, responsable del departamento de Mercado de Capitales, “vivir más es bueno, pero conlleva un riesgo financiero importante”. “Nos va a costar más como individuos, a las corporaciones y a los Gobiernos. Por eso debemos preocuparnos ahora por los riesgos de la longevidad, para que los costes no nos atosiguen en el futuro”.

Al vivir más la población, tendrá que pagarse más en pensiones y prestaciones a la seguridad social. En este caso pone como ejemplo los planes de pensiones privados en EE UU. “La empresas tendrían que multiplicar varias veces sus contribuciones para poder afrontar esos pasivos adicionales”, apunta Viñals. “Reconocer y mitigar este riesgo es un proceso que debe ponerse en marcha ahora”, remacha.

Tanto el sector público como el privado llevan años preparándose para amortiguar el impacto financiero del envejecimiento. Pero el FMI cree que se subestimó la evolución demográfica de la población y eso pesará “más de lo esperado” en un balance que en ambos casos están ya de por si debilitados. Eso, por tanto, amenaza con exacerbar su vulnerabilidad frente a otras crisis.

Christine Lagarde, directora gerente de FMI, exige a los Gobiernos que reconozcan que el envejecimiento les puede crear un serio problema en el futuro y que es un riesgo. Para neutralizar sus efectos, recomienda combinar el aumento de la edad de la jubilación con otras medidas.

– Para el retraso de la edad de jubilación: propone que se ligue a la esperanza de vida, de modo que el número de años en que los jubilados cobran la pensión no aumente.

– El Fondo cree que hay que tomar más medidas y cita entre ellas el recorte de las pensiones, el aumento de las cotizaciones y la posibilidad de que los Estados contraten con aseguradoras privadas la cobertura de ese ‘riesgo de que la gente viva más de lo esperado’.

– Los economistas del organismo plantean también que los propios individuos aumenten su ahorro a través de planes de pensiones, recomienda que se facilite o incluso obligue a contratar rentas vitalicias y también apoya el uso de las hipotecas inversas, por las que la casa en propiedad se entrega en el momento de fallecimiento a cambio de recibir hasta ese momento una renta por ella.

– El Fondo también pide más transparencia a los países a la hora de informar sobre la tendencia del envejecimiento y como se están preparando para financiar la jubilación.

– El FMI concluye recordando que todas estas reformas “tardarán años en dar fruto” y cualquier retraso en el proceso dificultará hacer frente al reto como es debido.

“Prestar atención al envejecimiento de la población y al riesgo de la longevidad adicional forma parte del conjunto de reformas necesarias para restaurar la confianza en la viabilidad de los balances del sector público y privado”, remacha Lagarde.

Ministro japonês diz que idosos devem ‘se apressar e morrer’

O ministro das Finanças do Japão, aro Aso, 72, disse na última segunda-feira (21), que os idosos devem ser autorizados a “se apressar e morrer” para aliviar a pressão sobre o Estado, responsável pelo pagamento das despesas médicas.

“Deus o livre de ser forçado a viver quando se quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior sabendo que [o tratamento] estaria sendo integralmente pago pelo governo”.

As declarações de Aso foram feitas durante o encontro do conselho nacional de reformas do seguro social.

“O problema não será resolvido a não ser que eles [os idosos] possam se apressar e morrer”.

Quase um quarto dos 128 milhões de japoneses tem mais de 60 anos. A proporção deve aumentar para 40% nos próximos 50 anos.

O ministro disse também que pretende recusar os “cuidados no fim da vida”. “Eu não preciso desse tipo de atendimento”. Segundo a mídia local, Aso disse ainda que deixou recomendações à sua família para que negue prolongar sua vida por meio de tratamentos médicos.

Mais tarde, Aso falou sobre seus comentários e disse que sua linguagem havia sido “inapropriada” para um evento público e que ele estava falando apenas sobre sua preferência pessoal.

De acordo com um relatório divulgado nesta semana, 40% das famílias que recebem assistência social tem algum membro maior de 65 anos.

O governo japonês planeja reduzir gastos com assistência no próximo orçamento, que deve entrar em vigor em abril. Os detalhes sobre os cortes devem ser divulgados nos próximos dias.

Referências

POZZI, S. (2013). El FMI pide bajar pensiones por “el riesgo de que la gente viva más de lo esperado”. Disponível Aqui. Acesso em 24/01/2013.

UOL (2013). Ministro japonês diz que idosos devem ‘se apressar e morrer’. Disponível Aqui. Acesso 22/01/2013.

Portal do Envelhecimento

Portal do Envelhecimento

Redação Portal do Envelhecimento

portal-do-envelhecimento escreveu 363 postsVeja todos os posts de portal-do-envelhecimento