China apoia chineses residentes no exterior para viver a velhice em lares vazios no país?

Duas recentes matérias, opostas entre si, divulgadas recentemente na imprensa brasileira chamam a atenção para a situação dos idosos na China. A primeira delas tem como título uma frase pronunciada pelo vice-ministro dos Assuntos Civis, Dou Yupei, durante uma coletiva de imprensa realizada durante a sessão anual da 12ª Assembleia Popular Nacional: “China apoia chineses residentes no exterior que queiram regressar para viver velhice na pátria”.

 

Dou Yupei destacou que “não haverá nenhum problema” quando os chineses residentes em outros países regressarem à China para viver a sua velhice. Ele declarou ainda que o governo apoia entidades de Taiwan, cuja população entrou numa situação de envelhecimento antes da parte continental, que invistam na construção de instituições dedicadas à saúde e lazer dos idosos na parte continental chinesa. Segundo ele, Taiwan “tem já acumuladas muitas experiências na área”.

A matéria cita também que a China vai alterar os regulamentos sobre a administração de organizações sociais para vigiar seus capitais e atividades.

A segunda matéria, intitulada “Lares vazios trazem sofrimento para um crescente número de idosos na China”, e divulgada um dia depois, descreve justamente o que a China está vivenciando hoje: os idosos em algumas áreas rurais mantém uma garrafa de pesticida pronta para o caso de ficarem doentes e não haver quem cuide deles.

Há décadas quem cuida dos idosos não são as gerações mais novas, porque estas, cada vez mais reduzidas pela política do filho-único, e em busca de trabalho na cidade, vão cada vez para mais longe. O resultado disso é uma velhice sem renda e uma frágil estrutura social para atender a quantidade de idosos. Muitos que têm que sobreviver por conta própria têm sido chamados de “os dos ninhos vazios”.

O artigo cita uma matéria publicada em uma mídia estatal a qual assinala que o crescimento do segmento populacional sênior da China é o dobro dos países desenvolvidos. A matéria registra que em 2004, havia 23,4 milhões de idosos solitários, e que em janeiro de 2013, havia 178 milhões de chineses com mais de 60 anos, cerca da metade vivendo sozinho.

Há quem acredite que o número de idosos em lares vazios nas áreas rurais poderia ser de 100 milhões, como Jason Ma, um comentarista de assuntos sociais chineses. Ele representa o que muitos falam: este problema é consequência da política do filho-único do Partido Comunista Chinês (PCC), implementada em 1980. Jason Ma alerta: nos próximos cinco a dez anos os pais desses filhos-únicos entrarão na velhice. “Neste período, a taxa de ninhos vazios na China rural será superior a 70%, o que terá enormes consequências sociais”.

Segundo Jason Ma, os planos de aposentadoria e pensão são apenas para moradores da cidade, embora 70-80% dos idosos vivam nas áreas rurais do país. Estes não estão integrados no sistema de bem-estar social existente, o que faz com que Jason Ma comente: “Seus sofrimentos são invisíveis para a sociedade. Eles não têm voz ou perspectiva”.

A opção é morrer nas casas de suicídio

Sem o apoio social do governo e sem querer ser um fardo para seus filhos a única opção que esses idosos encontram é a morte quando são atingidos por problemas de saúde. Jason Ma cita que na província de Hunan, relativamente rica, muitos idosos nas áreas rurais têm uma garrafa de pesticida ao lado para beberem no caso de não poderem pagar por tratamento médico.

Nessa localidade, diz a matéria, a taxa de suicídio entre idosos rurais chineses é cinco vezes maior do que suas contrapartes urbanas. Aliás, a taxa de suicídio entre idosos rurais é quatro a cinco vezes maior do que a média mundial. Na região de Jingshan, na província de Hubei, há casas de suicídio ou cavernas preparadas para quem deseja se matar.

Política do filho-único

A matéria termina em números, assinalando que entre 1975 e 2010 havia 218 milhões de famílias de filho-único, e que o censo de 2000 mostrou que de cada 10 mil recém-nascidos 463 morrem antes dos 25 anos, como consequência, mais de 10 milhões de filhos-únicos morrerão antes de completarem 25 anos. Resultado: num futuro próximo, haverá mais de 10 milhões de famílias sem filho ou filha adulto para cuidar dos pais idosos.

Para Jason Ma, o rápido envelhecimento da sociedade chinesa é o resultado da política do filho-único do Partido Comunista, em vigor há mais de 30 anos, cujo número de recém-nascidos na China já não pode substituir aqueles que morrem – algo que os planejadores centrais do PCC não previram, explica o comentarista. Aliás, a matéria termina assinalando que muitos economistas acreditam que a China deveria ter posto fim à política do filho-único uma década atrás.

Ante uma situação dessas como a China pode apoiar a volta de seus chineses para viver a velhice nesse estado alarmante em que os idosos vivem no país?

Referências

Crie Online. China apoia chineses residentes no exterior que queiram regressar para viver velhice na pátria. Disponível Aqui . Acesso em 13 de março de 2013.

Lin, J. & Zhen, L. Lares vazios trazem sofrimento para um crescente número de idosos na China. Disponível Aqui . Acesso em 14 de março de 2013. Foto de destaque: Mark Ralston/AFP/Getty Images.

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Redação Portal do Envelhecimento

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