Cenários de uma sociedade em envelhecimento

“O mundo terá um bilhão de idosos dentro de dez anos e os países devem adotar estratégias próprias, em especial na área de saúde, para assegurar o bem-estar presente e futuro desse segmento da população”. Esse foi o alerta de um relatório divulgado no início de outubro em Genebra, pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), e repetido por quase todos os veículos de comunicação do país.

 

Vocês já perceberam que quando se fala em envelhecimento, quase sempre é na atenção à saúde, e não em atenção à educação, à cultura, ao lazer… Até quando nossos gestores olharão para uma massa cada vez mais crescente de pessoas acima de 60 anos e nela enxergar apenas doenças, decadências, perdas, incapacidades e dependências?

Melhoras na nutrição, nos avanços da medicina, nos cuidados com a saúde, no ensino e no bem-estar econômico, são as explicações dadas para o aumento da expectativa de vida no mundo (78 anos nos países desenvolvidos e 68 anos nas regiões em desenvolvimento). De acordo com o relatório, em 2050, a população idosa mundial deverá atingir 2 bilhões de pessoas.

Segundo o relatório apenas o Japão tem um índice de idosos que corresponde a mais de 30% da população. Por volta de 2050 – quando haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos em todo o mundo-, outros 64 países farão parte deste grupo.

O relatório da ONU é claro:

– O número de idosos no mundo aumentou em 178 milhões de pessoas na última década.

– Uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais, ou seja, cerca de 11,5% da população mundial.

– A cada segundo, duas pessoas celebram o 60º aniversário.

– O envelhecimento está aumentando mais rapidamente nos países em desenvolvimento, onde vivem duas de cada três pessoas idosas.

– Hoje, 47% dos idosos e 23,8% das idosas participam da força de trabalho.

Os cenários

Harry S. Mood, em Ageing and Society faz várias perguntas que consideramos pertinentes à Gerontologia. Entre elas, estão: A velhice tem algum significado? O prolongamento da vida realmente traz benefícios, seja para o indivíduo ou para a sociedade? Ou, pelo contrário, os recentes progressos sobre a expectativa de vida não foram apenas o prolongamento da decrepitude, a invalidez e uma existência sem sentido?

Segundo Mood, os diferentes cenários de uma sociedade em envelhecimento (prolongação da morbidade, redução da morbidade, prolongevidade, e recuperação da vida) pressupõem abordagens diferentes para o significado da velhice. Assim, significados contrastantes como qualidade de vida, envelhecimento produtivo, e os limites de sobrevivência indefinida, causam implicações muito diferentes para a alocação dos recursos de saúde entre grupos etários e entre os subgrupos da população idosa.

Como enfrentar

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “As implicações sociais e econômicas deste fenômeno são profundas, estendendo-se para muito além do idoso e sua família, alcançando a sociedade inteira”. Por isso o relatório sugere a adoção de novas políticas, estratégias, planos e leis específicas para os mais velhos.

O relatório chama a atenção para a proteção social, assinalando que apenas um terço dos países do mundo, que somam 28% da população mundial, conta com planos de proteção social abrangente para os idosos. Hoje, 47% dos idosos e 23,8% das idosas participam da força de trabalho, mas quando estes não puderem mais participar? O relatório assinala que nos países em desenvolvimento, os custos com pagamento de pensão para a população idosa variam de 0,7% a 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Temos, no Brasil, 23,5 milhões de idosos, sendo que mais da metade dos idosos sustenta suas famílias, no entanto, eles são sempre vistos como um estorvo para a sociedade, como também culpados pelas crises. Não é à toa que se ouve que a questão previdenciária é o primeiro problema decorrente do envelhecimento do país. Será mesmo? Ou será a negligência de nossos governantes que não planejaram um ambiente para o nosso longeviver tão anunciado desde os anos 80, quando da Assembleia Mundial sobre o envel;h?

Não caberia punir nossos governantes por tal negligência?

Ora, se em uma sentença inédita um grupo de cientistas italianos foi condenado no dia 22 de outubro a seis anos de prisão por homicídio culposo por ter subestimado os riscos do terremoto ocorrido em L’Aquila em 2009, o mesmo não se deveria fazer em relação aos nossos governantes? Afinal, eles vem e continuam subestimando há muito tempo os dados demográficos.

Referências

Mundo terá 1 bilhão de idosos em dez anos e falta estratégia, adverte ONU. Disponível Aqui. Acesso no dia 2 de outubro de 2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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